Vou dividir com vocês a história da minha filha com o intuito de ajudar outras mães de prematuros que possam estar vivendo o que eu já vivi há quase 6 anos atrás. É uma história de enfermidades, mas principalmente de muitas conquistas e vitórias.

Depois de uma gravidez sem grandes complicações, Bella nasceu “inexplicavelmente” 15 semanas prematura. Enquanto a maioria das mães está começando a curtir o início do terceiro trimestre de gestação eu fui obrigada a me despedir da minha, dando à  luz a um bebê prematuro nascido de 25 semanas, com apenas 810 gramas e 31 centímetros.

Assim iniciou o período mais feliz e também o mais dolorido da minha vida, vendo a minha filha ser transportada dentro de uma incubadora, seguida por um time de mais de 10 médicos, segundos depois de ter nascido. Não pude vê-la depois do parto, muito menos segurá-la no colo, o que só foi acontecer perto de 1 semana depois. A mãe natureza portanto é sábia, e se encarregou de me dar uma boa dose de choque para lidar com tudo isso na primeira semana depois do seu nascimento.

Duas semanas de vida

Após 3 semanas de boas notícias, com médicos elogiando a nossa menina e tratando-a como uma heroína que pôde ser extubada apenas 8 horas depois do seu nascimento, quando a maioria dos prematuros ainda precisa de um respirador, a vida dentro da UTI Neonatal se mostrou dura: Bella desenvolveu ECN – Enterecolite Necrotizante, uma inflamação grave nos intestinos que acaba resultando na necrose do tecido, uma enfermidade muitas vezes fatal. Como Bella teve necrose, obstrução e perfuração dos intestinos, precisou passar por uma cirurgia de quase 5 horas para remoção do tecido necrosado e com ela metade dos intestinos. Por um milagre e total competência da sua médica cirurgiã, Bella não perdeu mais do que metade dos seus intestinos, o que preveniu que ela tivesse sequelas após a cirurgia.

Bella desenvolveu a chamada retinoplatia da prematuridade, uma doença que afeta os olhos do prematuro e podem levar a cegueira se não tratada. Ela vinha apresentando regressão do quadro até quase a data de receber alta, quando constatou-se que sua retinoplatia já estava no estagio III, sendo assim necessária uma cirurgia a laser para reverter o crescimento anormal dos vasos sanguíneos do fundo do olho. Hoje ela já não apresenta mais a doença mas provavelmente terá que usar óculos nos próximos anos, já que já apresenta miopia.

Depois de 138 dias internada na UTI Neonatal, inúmeras tranfusões de sangue, radiografias, tomografias, ressonâncias magnéticas, uma cirurgia extensa nos intestinos, uma cirurgia nos olhos, mais de 15 antibióticos tomados e quase 3 meses e meio sem se alimentar oralmente…Bella hoje é uma criança saudável! Não apresenta absolutamente nenhuma sequela grave resultante de um parto considerado prematuro extremo.

Dia da alta! 3 meses e meio com tamanhinho de recém nascida

É com muita alegria e orgulho que convido vocês, outras mães espalhadas pelo mundo, a acompanhar o crescimento e desenvolvimento de um pequeno milagre.

Só existia um nome que poderia ser dado a alguém tão especial, e este alguém se chama Isabella Victoria!

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