Li este texto e amei, chorei, lembrei das enfermeiras da Bella e agradeci por cada uma delas e pelo seu trabalho.
Estou traduzindo o texto eu mesma para vocês verem que lindo:

“Bebês e suas famílias tem suas próprias histórias. O tempo passado na UTI neonatal é algo que os pais jamais esquecerão. Independente do quão longa foi a jornada na UTI ou o quão complicado foi o tratamento do bebê, as emoções vividas serão marcos na vida destes pais e mudarão para sempre o modo como eles vêem a vida. A UTI Neonatal causa emoções que estes pais jamais pensaram existir, sentimentos tão intensos que somente aqueles que viveram um filho na UTI poderão compreender. Esta jornada poderá ser cheia de esperança e muitas vezes milagres, mas também haverão momentos de sentimentos tão duros, cheios de medo, de dor tão intensa, que somente Deus poderia entender estes momentos.
Estas histórias de vida na UTI neonatal também são a nossa história, das enfermeiras que cuidam destes bebês. São histórias que ficam conosco e fazem parte da nossa memória, e que nos tocam tão profundamente que também mudam as nossas vidas para sempre. Estas histórias são aquelas que jamais gostaríamos de contar, aquelas que envolvem bebês nascidos antes do tempo, mas que definem a vida de nós enfermeiras, assim como definem a vida dos pais.
Enfermeiras de uma UTI Nenoatal tem uma ligação muito pessoal com o bebê, seus pais e demais familiares, nós estamos juntos desde o início e durante a montanha russa emocional da vida na UTI. Nós nos tornamos as maiores incentivadoras não somente dos bebês, mas também de seus pais. Celebramos com muita alegria e choramos juntos. A tristeza, e muitas vezes a perda, dos pais não é só deles, é nossa também. Nós carregamos este sentimento pelo mundo afora, fora do hospital, dentro de nossas casas. Não é fácil assistir alguém que você aprendeu a amar e proteger ter seu coração partido. É um sentimento terrível não poder tirar aquela dor do coração de uma mãe e um pai, de consolá-los em algo tão injusto quanto um nascimento prematuro e muitas vezes o impensável…..a morte.
Ninguém gosta de se sentir importante e nós, enfermeiras neonatais, muito menos. Nosso maior desejo é que tudo dê certo, nós gostaríamos de poder tornar toda e qualquer momento delicado e frágil em um milagre, mas muitas vezes isso não é possível. Este sentimento de impotência faz que que coloquemos à prova a nossa habilidade de cuidar do próximo e de seguir com a nossa profissão. às vezes duvidamos da nossa vocação e nos perguntamos : ” Será isso mesmo que quero fazer na minha vida? Será que tenho condições de trabalhar com isso?”
Dizer adeus nunca é fácil e sentir e digerir estas emoções é muito difícil.
Nos ajuda saber que os pais enxergam, porém, que estamos aqui. A jornada de uma família na UTI também é a nossa própria jornada, mesmo que diferente para quem não é da família.  Muitas vezes é esperado de nós, enfermeiras da UTI Neonatal, que esqueçamos o difícil caminho que um bebê e sua família caminham na UTI, que sigamos com a nossa carreira sem pensar em como esta jornada toca as nossas vidas. Reconhecer e sentir estes sentimentos é um passo importante para uma enfermeira de cuida de prematuros, pois permite que vivamos no momento dentro de nossa profissão.
Todos temos nossas próprias histórias…..aquele bebê especial……aquela família especial……aquele momento que definiu a sua profissão. Algumas de nós temos mais de um bebê, famílias e momentos, tento maior ou menor impacto na nossa vida, mas cada ser humano e momento define esta incrível jornada de nós chamamos de “nossa profissão”. Aquele bebê que desafiou a tudo e sobreviveu, a real definição de um milagre, às famílias especiais que adotamos em nosso coração desde o primeiro dia…..aquela pessoa que somente nós podíamos entender em um momento em que ninguém mais no mundo podia, estes momentos jamais serão esquecidos por nós.
Nós guardamos aquele bebê, aquela família, aquele momento especial e carregamos em nosso coração para cuidar do próximo bebê e da próxima família que chegará amanhã. Estes momentos e sentimentos são o que nos definem, muito longe das paredes de um hospital.”
Cadê a minha caixinha de lencinhos de papel?
Chorei lendo este texto pela primeira vez e desidratei traduzindo-o agora.
Apesar da nossa jornada com a prematuridade da Bella ter sido tão dura e dramática, principalmente para a Bella, mas igualmente para o Bryan e eu, eu reconheço que a presença e bondade das enfermeiras que cuidaram da Bella mudaram para sempre a minha vida. Minha filha teve muitas enfermeiras especiais na sua jornada na UTI e quando lembro dos momentos que passamos, meu coração se enche de gratidão pela maneira como elas cuidaram do meu bebê e de mim. Não há palavras para descrever o amor, o cuidado e a proteção com que elas olhavam para mim e para Bella nos longos 138 dias de UTI. Tenho certeza que eu jamais pude presenciar bondade e compaixão como naquele momento tão difícil.
 Focamos tanto no bebê e na sua família, que nem lembramos do que as enfermeiras passam. Fico pensando, se eu como professora fico super chateada e triste quando uma criança se machuca sob os meus cuidados, quando uma morde a outra, ou se arranham, fico super mal de ter que contar para os pais, que sei que trabalharam o dia todo e não gostariam de chegar na escola para ouvir notícias ruins. Aqueles pais que depositaram sua confiança em mim para cuidar do seu filho e tenho que dizer que ele se machucou, agora imaginem uma enfermeira ter que não só cuidar de um bebezinho doente, mas também informar uma mãe que seu bebê não está bem, piorou ou até o inpensável…..faleceu? Imaginem o coração desta enfermeira?
 O texto acima exemplifica muito bem os sentimentos que elas tem perante as dificuldades da vida na UTI Neonatal.

3 Comments on Prematuridade aos olhos da enfermeira

  1. Sandra Nogueira
    10/01/2013 at 7:02 pm (8 years ago)

    E cada vez mais sinto a diferença entre Brasil e Canadá…aqui nenhuma enfermeira nos consolava ou dava apoio, tão pouco médicos, fisioterapeutas ou nenhum outro profissional dentro da UTI neo. Na verdade aqui reinam as técnicas de enfermagem (profissionais que cursam cursos técnicos em enfermagem) e é comum a presença de uma enfermeira para cada quinze pacientes por plantão. No hospital no qual a Helena ficou as enfermeiras foram sempre evasivas e nos evitavam ao máximo enquanto as técnicas de enfermagem ficavam receosas de conversar conosco porque eram proibidas de dar qualquer informação sobre o bebê e também evitavam de chamar os médicos que não gostavam de ser incomodados…enfim não conheci nenhum anjo da guarda de carne e osso da Helena…sei que o Jorge se tornou seu anjo da guarda de plantão e quando não estávamos lá foi ele quem cuidou da irmãzinha…QUERO IR PRA O CANADÁ!!!! HEHE

    bjos

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  2. Flicka
    10/01/2013 at 10:40 pm (8 years ago)

    Meu Deeeeeeeeeeus!! Que coisa mais linda!!!!!!! Quanto amor….
    E nossa!!! A Bellinha ficou mais de 100 dias na UTI!! Coitadinha!!! E pra vcs tb quanta agonia!!! Nossa.. Mas que bom que existem enfermeiras pra nos darem suporte, carinho e compaixao nesse momento tao dramatico..

    Beijinhos!!!!!!!! E vamos marcar de nos conhecer, hein?!?!

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  3. Nine Copetti
    12/01/2013 at 1:06 am (8 years ago)

    Lindo texto, amiga, realmente emocionante! Que bom que foi essa a experiência que vocês tiveram aí, em meio à tantas dúvidas, sofrimentos, angustias!!! Assim que deveria ser em todo hospital, que só por ser um hospital já não nos deixa boa impressão! Nunca trabalhei com pequenos a não ser durante o curso, e infelizmente tenho que concordar com a Sandra Nogueira, somos podadas em muitas ações, isso tudo apesar do Humaniza SUS entre outros programas. Agora, pra completar, uma comissão de avaliação para Acreditação Hospitalar cortou qualquer tipo de amenização do clima hostil das nossas unidades, proibindo adereços, toucas coloridas (que eram sucesso entre as crianças que vinham fazer exames conosco) entre outros detalhes que não interferem em nada nos tratamentos, mas que melhoravam muito a impressão dos pacientes quando chegavam! Acho que ainda temos muito que aprender por aqui sobre humanização! Desculpe o desabafo, amiga, aproveitei o gancho e me excedi nas palavras… mas seria um sonho poder ter mais liberdade para agir com nossos pacientes e dar a eles um pouquinho dessa experiência vivida aí! Quem sabe um dia, né!?

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