Quando estava fazendo a faculdade de Educação Infantil aqui no Canadá (ainda preciso terminar algumas cadeiras para finalizar o curso), li uma infinidade de livros muitos interessantes sobre desenvolvimento infantil. Acho interessante lembrar daquela época e de como interpretava os livros até então, e como os vejo hoje, como mãe. 
Sabemos que existem milhares de livros sobre crianças no mercado, mas a abordagem de livros para mães é diferente da abordagem dos livros dedicados a educadores, os últimos são muito mais científicos, mas como mãe e professora, estou tirando muito proveito destas leituras novamente.
Um dos meus livros prediletos é o acima, da autora Jane H. Healy, e ela tem outros títulos que estou com muita vontade de ler, assim que terminar de ler este (já li 3 x).
Este livro tem muitos pontos interessantes e todos os assuntos abordados são sobre o desenvolvimento do cérebro da criança, com tópicos como memória infantil (escreverei um post em breve sobre isso), pensamento abstrato, a importância de saber outra língua (do ponto de vista do desenvolvimento cerebral) e o assunto que eu mais gosto: inteligência emocional.
Bota o dedo aqui quem não se preocupa em ver o filho alfabetizado, falando uma segunda língua, arrasando na escola e ainda por cima, super socializado com os amiguinhos? Pois é, você não está sozinha, este é o pensamento e desejo de qualquer mãe que você abordar. 
A questão atualmente é: o desenvolvimento acadêmico como estamos acostumados não é sinônimo de sucesso na vida de ninguém, ele ajudará sim você a chegar lá, mas ele sozinho não garante sucesso. Quantas pessoas bem sucedidas conhecemos que tem faculdade, mestrado, fala outras línguas e não tem o mesmo sucesso de outras pessoas que talvez não tenham tido a mesma vida acadêmica? E segundo a autora, a inteligência emocional é a chave do sucesso para nossos filhos no futuro.
Jane Healy diz que a chave do sucesso não é o seu QI, mas sim a sua habilidade em se relacionar com as pessoas e conseguir “ler” os seus sentimentos, eu diria aquilo que chamamos de sexto sentido. Às vezes você não conhece alguém, mas é bater os olhos que você rapidamente lê a personalidade daquela pessoa.
Aqui vão outras características críticas para o sucesso, e isso é importantíssimo para nós pais, para sabermos como direcionar nossos filhos para o caminho certo:
  • “Self control” (saber se controlar perante uma situação difícil)
  • Motivação
  • Iniciar e finalizar uma tarefa (não desistir com a dificuldade)
Jane explica como incentivar os filhos a usarem sua inteligência emocional:
Pergunte a seu filho: “O que você acha que seu amigo realmente quis dizer ao falar isso para você?” ou “Sobre o projeto que você quer iniciar, me diga como achas que deveríamos iniciá-lo.”
Vejam como estas perguntam são mais sutis e exigem que a criança pense antes de responder. A resposta não é apenas o óbvio, mas o que está por trás dele.
A autora conclui que a inteligência emocional seria aquela expressão “street smart”, ou seja, aquele que aprende mais com as experiências da vida do que com os livros, ao contrário dos “book smarts”, que aprendem apenas com a vida acadêmica.
Para se alcançar o sucesso, seja na escola na infãncia ou na vida profissional na vida adulta, não basta ir a faculdade, isso não é mais garantia de nada, você precisa ensinar a seu filhos a prestar atenção no que ocorre a sua volta, no modo como as pessoas se relacionam e pensam, e daí sim tirar uma conclusão sobre determinado assunto.
Há uma grande preocupação em expor nossos filhos a uma ótima educação, cursos desde pequenininhos, outras línguas, viagens e mil e um recursos para que eles tenham condições de suceder na vida, mas será que estamos ensinando-os a usar a sua inteligência emocional? Não falo de ensinar a pobre criança a ser esperta, tirar vantagem dos outros, mas sim de aguçar a sua curiosidade e sexto sentido, a aprender a não se dar por satisfeito com o que um livro ensina, e sim perceber como aquele ensinamento se dá na prática e como as pessoas são afetadas por ele.
Hum, Bellinha tem tanta coisa a aprender, e eu junto com ela.

1 Comment on Inteligência emocional

  1. Sandra Nogueira
    13/12/2012 at 12:08 am (8 years ago)

    Acredito ser a inteligência emocional a mais importante e difícil característica de se formar em uma criança. A neuro da Helena diz que crianças com o tipo de paralisia cerebral que ela tem desenvolvem um déficit comportamental e o reflexo é exatamente esta falta de inteligência emocional..e já notamos isto…ela reage muito mal a pequenas coisas do cotidiano como tentar calçar sapatos ou vestir uma roupinha e nem liga para outras maiores como ser examinada de forma mais invasiva…vou procurar o livro porque sempre existem caminhos para driblar as deficiências de crianças especiais…vc conhece algum direcionado para elas? Aqui no Brasil não tem, só as experiências de especialistas, mas nenhuma literatura direcionada…quem sabe por aí…ótimo post, como sempre.

    bjos

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