Ontem li a última entrevista da Fernanda Montenegro e uma de suas respostas me chamou a atenção:

Fernanda ao falar da infãncia:

Eu penso nisso diariamente, pela Bella e pelos meus alunos.
Eu sou mãe e professora, sendo assim minha função é educar. Sou uma mãe e professora durona, eu assumo, e às vezes até sinto uma invejinha de mães com temperamento mais light, que não disciplinam tanto. Vejo algumas mães que são super “leves”, falam com uma voz suave, deixam as crianças se auto determinarem e a vida delas parece tão mais fácil, sem ter que ficar mandando no filho o tempo todo. Sei que nem tudo são flores, há as mães suaves que tem filhos muitíssimo bem comportados e há as mães suaves que tem filhos extremamente mal educados, e o mesmo vale para as mães duronas como eu: com filhos bonzinhos ou com filhos pestinhas.
A questão é: 
Como educar?
O quanto deixar os filhos livres para se auto-determinarem?
Sei lá! Não faço a menor idéia, se alguém souber a medida certa por favor me avise.
Entendo perfeitamente o que Fernanda Montenegro quer dizer, coloquem-se no lugar de uma criança pequena:
  • A primeira palavra que você aprende, antes mesmo de mamãe, é a palavra não. Não para tudo, para todas as situações da sua vida.
  • Você não tem liberdade para nada, tem sempre alguém atrás de você, espiando o que você está fazendo.
  •  Você aprende que falar enrolado não serve, logo mandam você falar direito. Falar alto então, nem pensar. Cantar a plenos pulmões também não serve, assim como dançar quando não é hora.
  • Você não pode comer com as mãos, o que é estranho, visto que até ontem eles incentivavam você-bebê a comer com as mesmas mãos que hoje são um problema.
  • Você não pode ficar pelado em casa, quando tira sua roupa e sua fralda, logo dizem ”  O que você está fazendo menino?”
  • Você não pode  pode falar o que dá na sua telha, pois não cai bem. Você logo aprende que certos comentários tem que passar pelo filtro da sua mãe.
  • Palavrão? Nem pensar, nem mesmo quando você ouve seu pai, tios e primos falarem as tais palavras o tempo todo.
  • Você não é aconselhado a brincar de bonecas se for menino e nem de carrinhos se for menina. Rosa é rosa e azul é azul, e se você ousar querer usar outra cor, seu pai e sua mãe o direcionarão para o uso correto da cor (à quanta bobagem).
  • Você tem hora para tudo, para comer, para dormir e para brincar, e logo aprende que com a hora de comer e dormir não se brinca.
Tá louco!!
É muito chato ser criança.
Pensem bem!
Quando eu lembro disso tudo durante o meu dia, enquanto educo meus alunos e a Bella, eu páro e relaxo, pois quer saber, vamos deixar as crianças serem crianças um pouco, fazerem suas eventuais mal criações, pitis e birras. Qual o problema de se arrodear no banheiro, de jogar brinquedos pela sala toda e de cantar bem alto até a veia saltar?
Criança tinha que ser criança, mas infelizmente muitas vezes esquecemos disso e esperamos que elas sejam mini adultos educadíssimos, sendo que nós adultos estamos muito aquém de tanta educação e disciplina.
Quando penso na Bella, não quero que ela esqueça da sua infância, como disse e  Fernanda Montenegro, gostaria que ela lembrasse da folia e das risadas, e não de gente chata podando a sua espontaneidade.
Não quero “civilizar, coagir e enquadrar” a minha filha para que ela seja uma pessoa educada…..mas como educá-la sem encher muito o seu saco?
Eis a questão!

8 Comments on Fernanda Montenegro e a infância

  1. Sandra Nogueira
    06/12/2012 at 3:54 am (8 years ago)

    IMPOSSÍVEL…em uma consulta ontem com a neuropediatra que acompanha a Helena disse a ela que as terapeutas dela (fisio, TO e fono) tem reclamado das birras e teimosias da Helena, mas que eu não consigo ser muito durona…confesso que estou mais para light…e ela me mandou relaxar e não seguir todas as "diretas" que me enviam porque a Helena apesar de tudo é uma criança que dá bom dia, boa tarde, boa noite, se despede, pede licença e diz obrigada e desculpa…mas é mesmo muito difícil e me corta o coração obrigar a Helena a fazer uma hora diária de alongamentos fortíssimos, mais uma hora de fono com vibradores de todas as espécies no rosto e comida guela a baixo e ainda exigir que não diga não e não dê birras…

    na verdade ela já está de saco cheio e não sou eu (que como adulta também estaria) que vou tornar a infância dela ainda mais terrível…

    difícil…difícil…

    bjos

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  2. Patrícia Gomes
    06/12/2012 at 10:58 am (8 years ago)

    Amei sua reflexao e a fala da Montenegro, q estah sempremostrando q nao é diva a toa!

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  3. Ju Denzler
    06/12/2012 at 3:22 pm (8 years ago)

    Genial… Adoro essas coisas que vc diz…. Parei pra pensar… Eu sou do tipo ligth pq fico pouco c a Sabrina, passo o dia no trabalho, e não acho justo ser sempre a ruim e chata da história. Ela as vezes faz birra, mas como vc disse, é uma criança….

    beiJUs
    http://feiffercereja.blogspot.com.br/

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  4. Cristiane Lima
    06/12/2012 at 6:09 pm (8 years ago)

    Belo post, pq a impressão quando se lê essa frase é de achar q a Fernanda está louca, mas analisando como vc fez, aí sim passamos a entender as tantas regras, rotinas, horários, tempo para cada coisa… não deixar brincar com o q querem, na hora q querem. Eu me considero a mãe light, mas como não dizer não, como não proibir… é difícil mesmo educar.
    bjss
    http://cphilene.wordpress.com/

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  5. Gustavo Corrêa
    06/12/2012 at 7:54 pm (8 years ago)

    Excelente. É uma equação difícil porque educar também é dizer não, mas é difícil saber os limites.

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  6. Isabela
    07/12/2012 at 8:25 am (8 years ago)

    Rita, eu também sou uma mãe durona, mas também penso nisso. Poxa ela é uma criança…
    Quando teve o encontrão aqui do Clube das Esposas, vi algumas situações de mães com seus filhos que me fez parar e reavaliar o que eu fazia.
    A Mariliz é uma maezona. A Marina é uma criança super simpática, solta, vai com todo mundo, fala tudo de tudo, é educada. Fiquei encantada com ela…
    Maria ja maior é mais na dela, mas educada, linda…um amor também.
    Eu percebi que estava sendo meio chata com a Nina. Eu tenho um pouco de TOC, não gosto de sujar as mãos, e percebi que tenho passado isso pra Nina. Ainda bem que percebi isso a tempo né.
    Beijos pra vocês

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  7. Ela
    08/12/2012 at 8:33 am (8 years ago)

    Só precisamos lembrar que a criança pede limites e as que são muito soltas acabam achando que estão sendo negligenciadas. Já vi várias histórias de filhos dizendo que gostariam que os pais tivessem dito não ou que as tivessem controlado mais. Não sou durona não. Apenas não deixo o que acho que os vai machucar ou ofender, como ver TV. Ensino com brincadeiras que é preciso dizer pro favor, obrigado, dá licença.. E não acho que seja chato. Tudo é questão de ponto de vista mesmo… Como adolescente e adultos teremos muitas barreiras e serão muito mais complicadas do que as da infância, que, salvo exceções, óbvio, é linda, doce, inocente. Crianças amadas não tem como ter lembranças 'terríveis'. Entendi o que Fernanda Montenegro quis dizer, não estou levando ao pé da letra, mas não sei se concordo 100%. Um beijo!

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  8. Ela
    08/12/2012 at 8:35 am (8 years ago)

    Lembrando que meus filhos tem apenas 1 ano e meio. Por isso ainda não veem TV. Senão pode parecer que desejo viver em outro mundo. 🙂 Já já estarão assistindo aos programas adequados para a idade.

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