Já recebi alguns emails perguntando como vim parar no Canadá e como me adaptei por aqui. Bom, vou contar rapidamente como cheguei aqui:
Em dezembro de 2001 eu vim para Vancouver fazer intercâmbio por 3 meses, então em janeiro de 2001 eu usei o arcaico ICQ para contatar alguém em Vancouver para pegar dicas e treinar meu inglês. Entrei na busca e cliquei – Canadá, Vancouver – e a primeira pessoa que apareceu na busca foi o…..o…..o…..Bryan!
Pode?
Começamos a conversar e o resto é história!

No final do ano vim para Vancouver estudar e nos conhecemos e começamos a namorar, depois voltei para o Brasil e seguimos namorando a distância, um ano depois ele foi me visitar no Brasil e um ano depois disso eu me mudei definitivamente para Calgary, onde o Bryan estava morando depois de se mudar de Vancouver para lá, para uma oportunidade de trabalho.

Então passamos de namoro a distância por 2 anos a morar juntos! A fase mais difícil de adaptação foi a do nosso relacionamento e não necessariamente do Canadá. Morar junto, lidar com as manias do outro, não saber a língua 100% na época, tudo isso colocaborou para uns percalços no início, o que é normal para qualquer casal nestas condições. Sobrevivemos aos primeiros meses e estamos juntos até hoje, 8 anos depois.

Vamos a adaptação ao Canadá e algumas dicas práticas de como eu sobrevivi:

  • Só o tempo cura a deprê da fase de adaptação
Confesso que hoje, 8 anos depois, eu nem lembro mais dos problemas de adaptação de quase uma decada atrás, parece que nem foi tão difícil assim, por isso voces verão que a minha visão da adaptação é bem prática e pouco emocional, visto que já fazem muitos anos que moro aqui, acho que já esqueci os sentimentos negativos do início.

O tempo, porém, vai mostrando a você que o que é novo hoje, será o familiar de amanhã, e que se você der tempo ao tempo, a sua adaptação não será tão difícil, afinal, na maioria dos casos, se nós estamos morando em um país diferente, foi por escolha nossa, certo? Sempre vale lembrar a nós mesmos que a escolha na maioria das vezes nao é imposta, nós a fizemos.

  •  Saudade da família
Isso nunca vai passar. Você se acostuma com a distância e a ausência física, mas a saudade que sinto hoje dos meus pais, do meu irmão, dos meus tios e amigos, é exatamente igual a saudade que sentia há 8 anos. A diferença é que hoje eu sei lidar melhor com ela, o que ajuda um pouco.
Atualmente temos a internet, ligações mais baratas, celular com acesso à internet, Facebook, Instagram e afins, então estamos mais próximos do que nunca, no que diz respeito a se ter notícias da família.
  • Não tenho amigos
Vixi, esta é a parte mais cabeluda da coisa e o que mais colabora para a decepção quanto a adaptação em um novo país.
Nós sempre nos sentimos mais acolhidos quando temos amigos, e quando você se muda para uma nova cidade, CAPUT, voce está solito no mundo. No exterior sempre temos a esperança de conhecer brasileiros que tenham o mesmo calor humano que estamos acostumados, que falem a nossa língua e que conheçam um pouco do nosso background e cultura. O problema quando você se muda para longe é que na maioria das vezes o grupo de brasileiros da sua cidade já mora aqui há mais tempo, já tem suas próprias amizades e não está a fim de se misturar, por assim dizendo. Eles mesmo já passaram pela fase da adaptação, já construíram suas amizades e já não tem mais saco para novos amigos. 
É verdade e é um sentimento normal.
É um sentimento comum a quem mora fora há tantos anos, depois de tanto tempo você não tem mais aquela ãnsia de conhecer novos brasileiros, de ter que lidar com a fase de adaptação deles, você quer mesmo é ficar no seu grupinho e deu, mais simples, menos estressante.
Mas dê tempo ao tempo, pois devagarinho você vai fazendo seu círculo de amizades calmamente e quando você ver terá bons amigos, assim como tinha no Brasil.
Eu tive muita sorte quando me mudei para Calgary, pois no ano seguinte conheci duas amigas queridas, que me acolheram como uma irmã e com o passar dos anos o meu círculos foi aumentando com amigas de quilate igualmente especial. Quando decidimos nos mudar para Vancouver, o que mais doeu foi deixar as minhas amigas para trás. No exterior os seus amigos são a sua família, dói demais ir embora.
  • Lidando com o frio

Olha, esta é a parte que mais implico com brasileiros que moram no exterior. Voce escolheu morar fora, algumas vezes em países mais frios que o Brasil, portanto não reclame!

Eu não gosto do inverno e odeio chuva, e morando em “Vanchuver”, estou tendo que lidar com isso. Temos dias e dias e semanas e mais semanas de chuva torrencial, mas fazer o quê? È a vida!

Mentalize que a primavera e verão eventualmente chegam.

  •  Saudade da comidinha da nossa terra
Para amenizar a saudade que eu tinha da nossa comidinha brasileira, eu aprendi a cozinhar! Não teve outro jeito. Na época, Calgary não tinha restaurante brasileiro, então eu aprendi a fazer eu mesma os pratos que eu tinha mais saudade.
Com o passar do tempo você ambém começa a apreciar a comida de onde você mora e daí devagarinho a saudade do gostinho brasileiro vai não passando, mas sendo melhor controlada.

  • Nos momentos difíceis, lembre-se disso:
Morar fora é uma aventura, que muitas pessoas sonham ter e nem sempre realizam. Se você conseguiu bater asas e voar, a aventura é maior que a saudade e que as dificuldades da adaptação.
Morar fora é construir um lar para você. Não será mais a casa dos seus pais ou o seu apê no Brasil, pode ser um quarto de intercâmbio, um apê alugado na sua cidade nova ou uma casa recém comprada. Você terá uma tela branquinha para começar a pintar com os seus gostos, construindo as suas novas lembranças e a sua história. Portanto nos momentos de depressão, que acontecem regularmente no primeiro ano, eu diria, olhe para a sua volta e veja como o seu novo cantinho é gostoso e acolhedor, seja ele o que for.
A minha conclusão sobre adaptação é:

Sobreviva ao primeiro ano, ele é o mais difícil. Este mês estamos comemorando 1 ano de Vancouver e depois de uma semana catastrófica quando nos mudamos para cá, em que eu chorava e secretamente pedia para voltar para Calgary, hoje não posso me imaginar morando em lugar algum que não seja a minha amada North Vancouver! Já estou me sentindo em casa, com novos amigos, casa novinha em folha, trabalho novo, novos lugares favoritos, a vida anda e temos mais é que aproveitar.

7 Comments on Minha adaptação no Canadá

  1. Mercia
    28/08/2012 at 3:24 am (8 years ago)

    Adorei sua história! Quem sabe um dia vamos pro Canadá?! Vontade não falta, com tantas coisas boas que vc diz!
    Beijo

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  2. Vera Lúcia
    28/08/2012 at 7:46 am (8 years ago)

    Amei sua historia, esta sendo um consolo pra mim.
    Atualmente moro na Namíbia/Afica, sou brasileira como você, sinceramente não esta sendo fácil.
    Só tenho 5 meses por aqui, imagine como estou me sentindo…. 🙁
    Mas, como você falou a fase da adaptação é sempre um pouco sofrida, sei que vou conseguir.
    Valeu pela sua bela historia e incentivo.
    Bjs.

    Reply
  3. Larissa Banister
    28/08/2012 at 9:15 am (8 years ago)

    Oi Rita, adorei o post! A saudade eu consigo ligar bem (ligo todos os dias pra minha mae), a comida de vez em qdo faço algo bem brasileiro, o clima eu adoro (mesmo todo mundo odiando)… Completarei um ano de Inglaterra agora em setembro e tenho a sorte de morar numa região lindíssima, da Cidade de Cambridge. Absolutamente amo esse país e sou feliz aqui. Minha única preocupação é o lado profissional. No Brasil, era advogada, aqui imagine que o sistema legal é totalmente diferente, eu não sei absolutamente nada sobre a lei inglesa. Temos planos de fazer mestrado e doutorado, mas parece ser tudo tão difícil e caro. Enfim, espero daqui há sete anos estar como vc, já estabilizada e com uma pimpolha linda. Beijos

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  4. Gabrielle de Almeida Ramos
    28/08/2012 at 12:39 pm (8 years ago)

    Lindo! Histórias assim nos fazem perceber o quão é valiosa a vida, independentemente de termos amigos, ou outras coisas. Só pelo fato de encararmos as dificuldades e a vontade de voar, querer é poder!

    Parabéns pela sua vida.

    Adoro seu blog.
    Beijos, Gabi.
    http://www.eueumesmagabrielle.com

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  5. Carol P
    28/08/2012 at 1:24 pm (8 years ago)

    Rita,
    Assim como vc nao lembro da fase de adaptacao, afinal sao 12 anos fora do Brasil e dentro da Europa,onde morei em 4 paises diferente por causa do meu trabalho e do meu marido.
    Mas uma coisa q sempre tenho em mente eh q as comparacoes e reclamacoes dos novatos, sao muito chatas hehehe Muita gente na fase de adaptacao so reclama e nao ve o lado bom. Eu fiz isso quando dexei minha vida na Espanha, tinha minha casa amigos e afins, e me mudei para Belgica. Fui chata e perdi oportunidades, sorte q abri meus olhos antes hehehehe. Quando nos mudamos para londres no inicio reclamei, mas em pouco tempo ja tinha reconstruido a vida e nao deixei as oportunidades escaparem.
    Tambem acho muito importante tentar entender os locais e se adaptar as regras, pois nao vamos mudar a cultural local, nos estrangeiros eh q temos que nos adaptar. E imagina q saco morar no Brasil e so escutar gringo falando mal do pais da cultra comparando, e morando la. Eu ia odiar hehehehe
    x carol

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  6. Ana Paula Daleffe
    28/08/2012 at 9:00 pm (8 years ago)

    Rita, eu a considero uma privilegiada.
    Conheci Vancouver e Toronto entre 4 meses de estudos, passeios e viagens pelo Canadá! O meu sonho (no momento) era ter ficado aí no Canadá, pois é um País lindo, civilizado… e tudo de bom. Mas o coração falou mais alto, e voltei..
    Parabéns, sua vida, sua história e sua família são lindas! Aprendo muito com vcs!! Um beijão.

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  7. Patitando
    29/08/2012 at 12:05 am (8 years ago)

    Olá Rita, adorei o seu relato… Realmente vida de imigrante tem seus percalços, parece que nunca estamos completos! Eu estou aqui há pouco mais de dois anos e adoro a nossa cidade e o Canadá em geral. Apesar de saber que a saudade não muda, fico feliz em ler que é possível administrar de alguma forma. Eu ainda estou tentando.
    Parabéns pela sua trajetória! Sua adaptação certamente tem muito da sua luta e esforço.
    Um abraço!
    Pati

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