Depois de introduzir o tema da capa polêmica da revista Time, chegou a hora de falar sobre a matéria em si. Bom, antes de tudo, a cada dia eu percebo como as pessoas estão ficando cada vez mais chatas!

Aff…..criticam absolutamente TUDO sem nem se dar ao trabalho de ler as matérias até o fim, ou pior, como fizeram a grande parte dos blogs internacionais e brasileiros, criticaram e malharam tudo o que deu baseados na foto da capa da revista! Vixi gente, a capa era mera ilustração da teoria do médico Bill Sears, e não o coração da matéria. Comentou-se apenas sobre mães amamentarem crianças crescidas e este definitivamente não é o ponto principal do artigo.

Bom, vamos lá!

Como eu imaginava, a matéria gira em torno do” attachment parenting” do Dr. Sears e a jornalista Kate Pickert argumenta que os 3 alicerces propostos pela teoria são pesados para a mãe atual quando feitos em conjunto:

  • Amamentação
  • Cama compartilhada
  • Carregar o bebê no sling dia e noite

A matéria aborda o caso da contadora Joanne Beauregard, que depois de anos tentando engravidar, finalmente se viu grávida e fã dos métodos do Dr. Sears. Pediu demissão do seu cargo, deu á luz em casa e amamentava seu bebê dia e noite sem descanso, sendo que como dividia a cama com o bebê, a cada demanda a criança era alimentada, limitando o sono da mãe a quase nada, visto que a mesma logo emendou uma gravidez na outra. Joanne optou em não parar de amamentar enquanto estava grávida, o que quase provocou um parto prematuro, visto que sabe-se que aumenta-se o risco do mesmo quando os hormônios da mãe ficam confusos entre o feto no ventre e a amamentação de um outro bebê. Não se deu por vencida e seguiu amamentando os dois filhos ao mesmo tempo e seguindo a filosofia do Dr. Sears ao pé da letra (cama compartilhada à 4? Fala sério!)

Ufa, cansei só de ler, mas como prometi guardar minha opinião para o post parte III, segurarei meus comentários para ele.

Kate conta que a teoria de Bill Sears gera críticas há mais de 50 anos e que o maior foco dos comentários negativos se dá por usar “medidas extremas” para os parâmetros atuais, ou seja, mães que trabalham, que precisam trabalhar, não têm condições de seguir os 3 pontos de Sears, amamentando sob demanda até a criança resolver desmamar sozinha, dormir na cama compartilhada e carregar o bebê grudado nela dia e noite. Há 50 anos critica-se a pressão sofrida por mães que optam por trabalhar ou que precisam trabalhar para ajudar na renda familiar, e o que era para resgatar os valores primórdios da maternidade, mais virou filosofia xiita que aterroriza os pensamentos das novas mães, que já se sentem culpadas por terem que enfrentar o mercado de trabalho depois de darem à luz.

Sears mostra-se machista, segundo grande parte das críticas, ao propor que lugar de mãe é em casa, e sugere que se elas quiserem trabalhar, que pensem em abrir um negócio que possa ser administrado de casa, destinando grande parte do seu tempo para os filhos.

Fiquei surpresa ao saber que a base para um dos alicerces do attachment parenting se dá não na teoria de Sears, mas de Jean Liedloff, que estudou tribos indígenas da Venezuela  nos anos 70, e veio constatar que bebês criados pelas mães indígenas, carregados por elas dia e noite, não choravam, não brigavam e sempre obedeciam, mostrando segunda ela,  que o vínculo físico entre mãe e filho traz resultados positivos para o bom comportamento da criança. Após a leitura deste estudo, Dr. Sears mostrou-se interessado sobre o assunto e começou a abordá-lo do seu jeito, trazendo o uso do sling para a América do Norte.

O interessante, porém, é que Kate conta que ao conversar com o Dr. Sears sobre sua teoria, ela veio descobrir que ela não é tão radical assim, que a fúria dos críticos é tão intensa há tantas décadas, que 50 anos depois, o grande público passou a acreditar na teoria “modificada” pelos olhos da crítica, ao invés de nos princípios básicos do famoso médico.

Ai que complexo!

Dr. Sears, sua mulher e os 3 (de 8) filhos médicos

A jornalista frisa que embora o Dr. Sears esteja no olho do furação há tantos anos, há que se dar crédito  ao menos pelo grande incentivo a amamentação, que sabemos não ser o bicho nos Estados Unidos.

Enfim, como tudo na vida, há os dois lados da moeda, os que amam e os que odeiam a teoria de “ser mãe até as últimas consequências” do Dr. Sears. Me interessei em ler a matéria na íntegra para descobrir a razão de tanto bafafá no mundo todo, e a minha conclusão é:

Tchan
Tchan
Tchan
Tchan

Leiam as matérias minha gente, digo, até o fim. A pobre da jornalista foi criticada na CNN por dar sua opinião sobre o assunto, quando na verdade ela meramente expõe a teoria deste médico, não li em momento algum a sua própria opinião sobre o assunto.

Valeu a minha leitura, como mãe e como blogueira, estes assuntos polêmicos sempre dão o que falar.

Rumo a terceira parte do post, agora com a minha opinião!

1 Comment on ” Attachment Parenting” – PARTE II

  1. Lindsey Vieira
    14/06/2012 at 12:04 pm (8 years ago)

    Ouvi todo o bafafá aqui no Brasil sobre essa capa. E realmente foi um tititi causado apenas pela capa.
    Gostei muito do post, bem como já havia gostado do primeiro. Gostei de poder entender do que se trata afinal esse teoria, que nem sempre pode ser colocada em prática mas não deixa de ser interessante!

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