Hoje é dia de blogagem coletiva!
A iniciativa é da Anne do blog Super Duper e confesso que logo que li o assunto da blogagem me deu vontade de participar.

Vocês sabem que eu sou bem honesta na maneira como escrevo no blog, não tenho vergonha de dizer que erro, que tenho medo, que sinto culpa e que sinto que às vezes não sou uma mãe como deveria ser. É difícil demais ser mãe, pois parte-se do pressuposto que você é madura o suficiente para criar uma outra pessoa e eu não sou, na maioria das vezes. Me acho bem infantil, bobona, imatura mesmo, não sei por quê, mas é assim que eu sou e Bella terá que aprender a acertar e errar junto comigo.

O assunto da blogagem coletiva é “Infância livre de consumismo” e é um assunto que vem me fazendo pensar muito atualmente, não só no sentido ligado a minha filha, mas em geral.

Sou consumista? Sim e não.
Sou shoppaholic? Não!
Compro roupas, sapatos, maquiagem de marca? Não, nunca mesmo, glamour zero neste quesito.
Consumo um pouco mais do que deveria com minha filha? Sim.

Tudo o que eu não almejo para mim eu quero para ela, tudo do bom e do melhor. Não me ligo em marcas e se por acaso você tiver a ligeira impressão que eu consumo marcas, é por quê as marcas são de ótima qualidade e muitíssimo bom preço, eu jamais compro coisas caras, primeiro porque meu orçamento não permite, segundo pois não acredito que qualidade e marca sejamestejam intimamente ligadas.

O meu pecado capital no consumo com a Bella nem é tão grave assim, mas eu me preocupo com os (poucos) brinquedinhos que ela brinca, quando vejo um quebra cabeça super legal e educativo, eu compro e deu, não penso duas vezes, mas não é uma coisa que aconteça regularmente. Gosto que ela sempre use roupinhas bonitas e limpas e se algo está ficando velhinho eu dôo, e daí compro novo. Gasto com frutas e legumes orgânicos, carne de boa qualidade e comidinhas que sei que ela gosta.

Mas pára por aí meu consumismo. No passado eu curtia colecao de DVDs, comprava muitos livros, hoje na era digital isso ja nao acontece mais.

Estou exercitando podar o meu anseio consumista o máximo que posso e aqui vão as minhas dicas concretas de como fazer isso:

  • Quanto ganho por hora? Este objeto valeria uma hora do meu trabalho? 

Aqui no Canadá todos se referem a salário ou por valor anual ou por hora, quase nunca o salário mensal. Sabendo quanto ganho por hora eu posso analizar se X bem de consumo vale uma hora suada do meu trabalho na escola.

  • Eu PRECISO disso?

Querer todos nós queremos tudo, eu também, mas será que eu preciso disso mesmo?
A resposta geralmente é não.

  • Não se deixe levar por propagandas!

Meu desejo consumista caiu pela metade quando meu marido e eu começamos a gravar nossos programas favoritos ao invés de assistir TV aberta cheia de comerciais. Desde 2004 eu não assisto mais comerciais. Não sei qual o cosmético mais badalado, nem o jeans mais transado e nem a bolsa mais-mais da estação, então o meu consumo vai do que eu vejo à venda nas lojas. Não fico sonhando com nada depois de ver um comercial, matutando por dias se quero ou não aquilo, o meu anseio é ao vivo na loja e eu geralmente consigo segurá-lo muito melhor do que se tivesse sendo alimentada por propagandas.

  •  Não deixe seu filho ver TV aberta e não o leve a uma loja de brinquedos!

 Mesmo princípio explicado acima. Para quê abrir os olhos inocentes das crianças deixando-as se alimentar de propaganda? Coloque um DVD de desenho animado ao invés de televisão aberta e prive seu filhote de passear no corredor de brinquedos do supermercado.

  • Proporcione passeio, não brinquedos!

Minha missão atual é proporcionar passeios para a minha filha, não brinquedos. Passear na rua de mãos dadas ou andando de bicicleta é uma experiência tão mais importante do que o último brinquedo no mercado.

  • Não compre seu filho com promessas.

“Se você fizer isso, mamãe te dará aquilo.”
Além de não educar, ainda incentiva a criança a pensar que ser educado está ligado a ganhar algo em troca.

  •  Eduque seu filho a não se comparar com os colegas.

Isso eu aprendi na escola com meus alunos. Alguns tem mais, outros menos, e como professora cabe a mim direcionar o modo como os que tem menos se vêem comparados aos que tem mais. Incentivo minhas crianças e darem valor ao que elas tem, e não a focar no que não tem, e assim vou percebendo que no final do dia eles nem se dão mais conta da tal comparação.

Se seu filho comentar que fulaninho tem brinquedo ou roupa tal, mostre como marca não é importante, afinal brinquedo nenhum no mundo é mais divertido do que jogar bola com o pai ou andar de bicicleta com a mãe. O incentive a ver a moda como maneira de expressar sua personalidade. A moda é tão universal hoje em dia, você pode pedir a ajuda do seu filho e juntos poderão customizar um tênis simples branco, pintando uma camiseta de tie-die ou caprichando nos acessórios. E roupas de lojas mais economicas sao muito mais bonitas do que eram antigamente.

Eu sou mae de menina e sei que sofrerei com isso no futuro, mas eu lembro de mim crianca e adolescente, e mesmo com colegas usando marcas que eu gostaria de consumir, eu nao tinha condicoes, portanto nao usava. Mas a minha atitude valia mais do que uma marca e logo percebi que nunca deixei de ser convidada para festa tal ou nunca perdi namorado por nao usar a ultima marca do mercado. Ensine seu filho a ter atitude!!

Cabe aos pais direcionar o anseio consumista dos filhos e ajudá-los a ignorar a pressão do “melhor, sempre”.

Não é um exercício fácil, mas um que há de ser feito diariamente.
Cada vez mais eu prego o “menos é mais” na minha vida.

6 Comments on Blogagem coletiva: Infância livre de consumismo

  1. Anonymous
    13/04/2012 at 12:12 am (8 years ago)

    Rita, amei seu post. Penso exatamente igual a vc e umas das coisas que mais amo morando no Canada é que a "futilidade" das pessoas por coisas caras e de marcam é muito pouco perceptivel por aqui. Quando criança meus pais nos educaram não comprando roupas e brinquedos caros, eles podiam nos dar mas não o faziam e assim foi na adolescencia, onde todos os meus amigos usavam roupas caras e eu não. Enfim, não me gerou nenhum trauma, pelo contrario. Meu pensamento hoje é exatamente igual ao seu. E é assim que quero educar a minha filha.

    beijo pra vc e pra Bella

    Raquel & Mel

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  2. Ana Derland
    13/04/2012 at 12:12 am (8 years ago)

    Rita, eu compartilho da sua forma de pensar!! Muito bom esse post!Também quero que a minha filha cresça dando valor as coisas simples e sendo feliz com o que podemos proporcionar. Sei que o exemplo e responsabilidade é nossa parte, e desde já penso em como fazer isso, mudando as minhas atitudes e comportamento. Obrigada por dividir seu pensamento com a gente.

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  3. rita
    13/04/2012 at 2:26 am (8 years ago)

    OI Raquel e Ana!!

    Que bom saber que outras maes tambem pensam assim, quem sabe desta forma a proxima geracao sera mais ligada no que eh realmente importante ao inves do excesso de TUDO.

    Dedos cruzados.

    Beijocas grandes

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  4. Zizisantos
    13/04/2012 at 3:58 am (8 years ago)

    Eu creio que você poderia escrever um livro. Que tal?
    seus textos são completos! eu que não tenho bebe e nem netos, me prende a atenção a ler seus textos de botõezinhos.
    Teve um post sobre o seu cachorro e a Bella que achei excelente.
    fica a ideia
    bjo
    Zizi

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  5. Fernanda Reali
    13/04/2012 at 11:45 am (8 years ago)

    Concordo e pratico quase tudo. Valorizo o bem estar e não a imagem que o produto passa. Nao acho possível proibir a TV aberta após os 5 ou 6 anis. Eles sabem o que querem ver, argumentam e veem. O melhor é deixá-los ver tudo, mas estar ao lado comentando e esclarecendo. A Vanessa Fio de Ariadne fez um post sobre o massacre que a publiciade infantil faz sobre as crianças, recomendo.

    Beijooooo

    http://www.fernandareali.com/2012/04/pequenas-felicidades-post-23.html

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  6. Vanessa Anacleto
    13/04/2012 at 2:25 pm (8 years ago)

    Fernanda Reali é um anjo, tá sempre me recomendando. Feliz em ver vc participando da blogagem com um texto tão bom. Educar o filho a não se comparar ah, é algo de que precisamos sempre nos lembrar. Abraço!

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