Fonte

Já contei para vocês que tenho uma colega de trabalho que eu A-M-O, uma pessoa maravilhosa e de muita sabedoria, que me faz refletir diariamente sobre como eu crio a Bella, sobre as minhas expectativas com relação à maternidade e sobre a vida em geral. É tão difícil encontrar uma pessoa assim, não sei explicar, alguém com quem você conecta sem querer e que acrescenta tanto na sua vida. Tenho a sorte de ter esta pessoa trabalhando comigo 8 horas por dia, o que resulta em papos diários e muita reflexão. Quando acordo às 5 da manhã eu penso: ” O que será que vamos conversar hoje?” e fico feliz de saber que terei um dia de trabalho inteiro com a minha amiga-terapeuta.

Tenho notado que eu ando um pouco (muito) estressada com relacao à maternidade, jamais referindo-me a minha filha, que eu amo mais que tudo na vida, mas quanto a maternidade em si, a tudo o que é esperado dela e a o que ela nos dá de concreto de volta. Conversando com minha amiga sobre como eu tinha marcado aquela massagem naquele hotel chique e como eu já tinha pego o telefone umas 3 vezes para desmarcar o meu horário, culpada por gastar tanto comigo, ela me olhou e disse:

” Your life is not ok, you never do anything for yourself….ever.”

Fiquei tão triste com este comentário, não por achar demasiado forte ou sincero demais, mas por saber que é verdade. Fiquei muito triste comigo mesma, por deixar a minha pessoa de lado para me dedicar exclusivamente a minha filha.

Quando Bella nasceu e passou por todas as provas que passou, quando tive que lidar com a vida e a morte diariamente, quando finalmente fomos para casa com nosso maior presente e pude vivenciar o milagre que é ter um filho e saber que ele será o que você plantar, a maternidade tomou conta de mim, no sentido positivo, mas também no negativo. Toda o meu foco e minha preocupação estavam sendo direcionados para aquela pessoa que eu mais sonhei, que eu mais desejei levar para casa, e eu dei absolutamente tudo de mim para ela e para a função de mãe. Respirei e respiro Bella desde o dia 30 de agosto de 2009. Todos os dias, todos os minutos da minha vida.

Ser mãe é a coisa mais maravilhosa do mundo?
É! Não existe amor igual, amor mais incondicional do que este. Você só conhecerá se for mãe um dia. Não é amor de marido e mulher, nem de irmão e nem de amigo, é um amor que nasce quando você descobre que está grávida e que cresce a cada dia que passa. Quando você pensa que não pode crescer mais, seu filho sorri para você e você se apaixona perdidamente de novo e de novo.

Ser mais é a coisa mais importante na minha vida?
Sem dúvida, Bella é meu projeto de vida, o meu sonho realizado e com ele, a parte mais importante de mim. Nada é mais importante para mim do que sua felicidade, sua saúde e seu bem estar. Nada.

Ser mae é T-U-D-O na vida?
Não.

Agora com ela maiorzinha eu sinto muita falta de um tempo para mim e se dinheiro e tempo não fossem impecilho, eu não teria problema algum em comprar um pacote turístico para o Hawaii por 1 semana e iria bem faceira eu comigo mesma, solita, para curtir 7 dias de solidão. Pode soar estranho e egoísta, e um pensamento que não condiz com a magnitude da maternidade, mas eu me sinto assim. Preciso re-aprender a investir em mim como pessoa, a doar parte das minhas horas para eu mesma, para descansar, fazer alguma coisa que me dê prazer (um hobby) e poder me sentir Rita, e não somente mãe da Bella. Acredito que muitas mães se sintam assim, e acredito que 99.9% das mães prematuras se sintam como eu.

Posso deixar a Bella com o pai e sair voando as minhas tranças por aí, este não é o problema, o problema é parar, pensar e aceitar que eu preciso disso, que eu tenho direito de um tempo só para mim e que estas horinha serão benéficas não somente à minha saúde e bem estar, como também para a Bella.

Talvez as meninas que morem no exterior concordem comigo, ou se identifiquem com parte deste sentimento, mas morar no exterior faz com que você se agarre ainda mais a sua família, uma coisa unhas e dentes mesmo, grude total, pois o unico “núcleo” que voce tem é ela. A familia brasileira está no Brasil, seus amigos de uma vida inteira também, e você provavelmente está reconstruindo sua vida de novo, no meu caso pela segunda vez com esta mudança para Vancouver, onde eu não conheço ninguém. Não existe aquela opção milagrosa de deixar o filhote com a vovó e sair para namorar, ou viajar ou para 45 minutos de massagem, se você pretende se ausentar de casa, precisará de um plano gigantesco, quase igualado a invasão do Iraque! Acredite. Terá que ou importunar amigos com pedido de favor (quer cuidar da Bella para mim?) ou pagar caro por uma babá, assim permitindo que você tenha um tempinho para si. Não é facil e às vezes só de pensar você pensa: ” Tanto plano e tanta logística valem 45 minutos de massagem, gente?”, e na maioria das vezes você acaba não fazendo nada mesmo.

Enfim, mais um desabado de uma mãe perdida em um país distante.

Resumo da ópera: meditei muito semana passada sobre este assunto e me dei de presente a massagem bem cara no melhor hotel de Vancouver. Eu mereço este mimo, eu mereço este tempo para mim e a Bella também merece uma mãe feliz que se dá o direito de bater as asas para longe dela de vez em quando para encontrar a si mesma, ou reencontrar, pois por 30 anos eu fui a Rita e não a mãe da Bella.

E amanhã para descontrair, post completíssimo sobre a minha manhã no spa!
Eu adoro uma reflexão, mas adoro igualmente um fricotezinho básico!

6 Comments on Ser mãe não é doar tudo de si

  1. Carol P
    02/04/2012 at 12:58 pm (9 years ago)

    Rita,
    Nos precisamos de um tempinho soh nosso, para fazer alguma coisa ou nao fazer nada.
    Eu nao sou de me culpar, mas as vezes me sinto sufoca e dai vejo que naquela semana nao dediquei nenhum tempo para mim. Eh dificil sair do ciclo , mas tem que ser feito. Este ano viajei sozinha com minha irma e mae, ateh falei lah no blog. Foi a melhor coisa que eu fiz para mim mesmo. Pois a C e o pai dela tiveram um tempo so deles, e eu tive meu tempo de ser eu, soh eu. Tem quem chame isso de egoista, para mim nao eh. Pois uma mae feliz faz a familia mas feliz.
    Nao sinta culpa por gastar com coisas para ti, vc tem todo o direito do mundo.
    bj

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  2. Anonymous
    02/04/2012 at 6:28 pm (9 years ago)

    Oi Rita,

    Gosto muito de como você coloca a verdade "nua e crua" nos seus textos!! Não sou mãe ainda, mas acho que toda mulher deve buscar estes espaços de solidão e reencontro consigo mesma. Imagino que após a maternidade este desafio deve ser até maior. Parabéns pela reflexão. O seu texto também me lembrou da época em que eu fiz Vigilantes do Peso – perdi uns bons quilinhos por lá! Mas o mais legal para mim era saber que da semana toda eu tinha aquela "hora" da reunião que era dedicada a mim, depois me dava um almoço bem gostoso e conforme ia perdendo peso, me dava uns presentinhos, tipo um baton especial ou um calça jeans no tamanho menor. Agora que perdi os quilinhos extras sinto falta daquele momento só meu. Também preciso resgatar estes momentos…

    Um abraço!

    Julia

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  3. Isabela
    03/04/2012 at 12:53 am (9 years ago)

    Rita,
    Por mais que eu sempre tive mãe, sogra, família grande por perto, eu nunca deixei Nina.
    Não deixava porque eu achava que ela precisaria muito de mim, mas na verdade sempre foi eu quem precisava mais dela.
    Nina sempre ficou bem com minha mãe e sogra, mas eu não admitia.
    Só agora com Nina maiorzinha é que me dei conta disso, de que todos falavam que eu precisava deste tempo…mas eu achava super estranho, parecia que eu não estava nem aí pra ela.
    Semana passada deixei Nina com o pai e fui ao Shopping lotado…mas só o fato de eu estara sozinha e poder e caroçar as lojas que eu quisesse, foi relaxante.
    Não relaxante que esqueci meu iphone no banheiro…e só percebi quando já tinha saído do Shopping.
    Voltei correndo e a faxineira do banheiro achou e levou ao SAC…rs
    Sinto que Nina é independente…mas quando eu chego ela me abraça tanto que é tão maravilhoso…
    Agora é que tenho conseguido emagrecer…namorar direito…fazer compras pra mim…
    beijão

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  4. Mamãe Nádia
    03/04/2012 at 3:00 am (9 years ago)

    Rita! Você é demais e a cada post fico mais apaixonada pelo seu blog! Agora é um vício passar todos os dias aqui. Tenho certeza que além de sermos gaúchas temos muitas coisas em comum! Queria poder sentar um dia com você e conversar pra caramba!!! Seríamos muito amigas!! Porque o que você colocou aqui, parece que veio de dentro de mim. A diferença é que você sabe botar isso pra fora, você consegue expressar tão bem o que está sentindo…e eu não! Com esse post vou começar a repensar minhas atitudes. Preciso MESMO cuidar mais de mim! E não só fisicamente, porque um tempinho pra fazer uma limpeza de pele eu tiro sim, sem dó…muito raramente! Mas interiormente é que o negócio tá crítico. Eu estou perdida dentro de mim mesma…preciso me encontrar! Preciso me RE-conhecer, pois só conheço o meu papel de mãe!
    Um abraço e obrigada por mais uma reflexão!

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  5. rita
    04/04/2012 at 3:08 am (9 years ago)

    Carol

    Que bom que tu pudestes fazer esta viagem, da um up na energia da gente poder descansar e passear.

    beijo
    Rita

    Reply
  6. rita
    04/04/2012 at 3:34 am (9 years ago)

    Jùliaaaa

    Te entendo bem, este tempo só para gente, mesmo não tendo filhos, é muito importante. Estamos sempre tentando agradar a todos, namorado, mãe, pai, irmaos , amigos, e geralmente deixamos a gente para o fim da lista.

    Beijo
    Rita

    Reply

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