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Nossa, faz muito tempo que eu não venho polemizar aqui no blog, estava até com saudade…hahaha.

O mundo anda tão chato, mas tã chato, que nem uma brincadeira de Facebook para ocupar as mães e suas corujices é aceita. Vocês devem ter visto as inúmeras postagens de mães compartilhando 3 fotos dos filhotes no seu perfil, fotos que representassem o quanto elas gostam de ser mães, e desafiando familiares e amigas a fazerem o mesmo. Mas logo virou baixaria com a Patricia Abravanel (aparentemente) pedindo para as mães não cairem nesta pegadinha pois o desafio havia sido inventado por um pedófilo. Pasmem. Não bastasse, outra mãe polemizou ao postar que ela não aceitaria o desafio pois embora ela amasse seu filho, ela odiava ser mãe. Pasmem de novo.

Nem sei nem por onde começar.

A nossa geração está enfrentando a maternidade de uma forma tão pirada, que eu me pergunto que efeitos acarretarão aos filhos a longo prazo. Há uma profunda ansiedade e frustração por parte de mães e na maneira como elas enxergam e vivenciam a maternidade. Na época das nossas mães, algumas trabalhavam fora e cuidavam dos filhos ao voltar para casa a noite, já outras trabalhavam em casa e cuidavam das crianças o dia todo. Pronto, era isso. Fazia-se o que se tinha vontade ou o que se conseguia, amava-se os filhos, educava-os e pronto. Não conheço uma mãe da geração da minha que estivesse constantemente se queixando sobre absolutamente tudo, mas cá estamos nós, a nossa geração, criando drama onde não há necessidade.

Para mim é impossível amar um filho sem gostar de ser mãe, as duas coisas andam juntas, senão você gostaria do seu filho como você gosta do filho do vizinho: sem amor incondicional e sem vontade de dar tudo de si para ele. Ao ler a mensagem descabível daquela mãe, passei a me perguntar daonde ela tirou aquela opinião e cheguei a conclusão que não foi bem isso o que ela quis dizer, o problema é mais complexo do que isso. Não deveria, mas é.

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Fonte: The Family Photo Journalist

Existem hoje duas vertentes muito fortes dentro da maternidade atual:

  • A mãe heroina
  • A mãe diferentona (hahaha)

A mãe heroína é aquela que pegou absolutamente todos os pontos politicamente corretos da maternidade e passou a segui-los como uma biblia: parto normal e humanizado, amamentação de qualquer jeito (mesmo quando não se consegue amamentar), fralda de pano, comida extremamente saudável, cama compartilhada, bloqueio de qualquer eletrônico e por aí vai, e os transformou em parâmetro do que é aceito ou não como uma boa forma de exercer a maternidade. Já a mãe diferentona (sob a minha interpretação) é aquela que precisa trabalhar, que não tem condições de ficar em casa cuidando dos filhos, que precisa deixá-los sob os cuidados dos avós, da creche ou da babá, que se vira nos 30 para criar os filhos talvez nem tanto sob os parãmetros perfeitos, mas tentando do jeito que ela consegue.

Quem está certa?

As duas!

Quem está errada?

Nenhuma.

Mas por quê tanta briga? Por quê tanto xingamentos?

Sinceramente, não sei.

Acredito haver muita pressão atualmente e muita competição dentro do mundo de mães atuais: quem está exercendo seu papel mais perfeitamente e quem tem o filho mais inteligente e capacitado para a….creche? Quando vejo grupos no Facebook entitulados “Como ensinar seu bebê a ler” me pego pensando que valha-me – esta geração está perdida! Talvez a mãe do desafio do Facebook tenha tentado dizer que ela ama seu filho e ela gosta de ser mãe, mas ela detesta ser mãe dentro dos parâmetros nada realistas da atualidade. Isso sim faz sentido.

E tão dificil ser mãe, todas nós mães sabemos disso. Você abdica do seu bem estar, posterga planos e sonhos, deixa de dormir, de comer direito, para cuidar do grande amor da sua vida….seu filho. É o amor mais puro e incondicional que existe e ser mãe e não gostar de ser mãe, me soa muito estranho, impossível até. O que a sociedade atual não aceita é quando as mães que fogem do titulo de heroinas demonstram que nem tudo são flores….porque não são tudo flores mesmo.

Não concordo com a maneira como aquela mãe se expressou, mas entendo o que ela quis dizer. Não é por nada que ser mãe é padecer no paraíso.

 

18 Comments on A polêmica do “Desafio de Mãe”

  1. Luciane
    18/02/2016 at 11:12 am (4 years ago)

    Texto muito bom, concordo contigo. 😉

    Reply
    • rita
      18/02/2016 at 7:46 pm (4 years ago)

      Obrigada Lu. Estamos vivendo tempos complicados para a maternidade, muita loucura e muita pressao.

      Reply
  2. Vania Cunha
    18/02/2016 at 7:58 pm (4 years ago)

    Rita, Por isso que te admiro, você conseguiu expressar o que eu estava pensando e não conseguia falar!Esses dois tipos de mães são exatamente o que vemos no mundo virtual kkkk Beijos

    Reply
    • rita
      18/02/2016 at 8:00 pm (4 years ago)

      Vania, mas não é?
      As vezes a gente nem consegue expressar o que pensamos, de tao doidas que as coisas andam 🙁
      Beijinhos

      Reply
  3. Alessandra Haak
    18/02/2016 at 7:59 pm (4 years ago)

    Eu nem sabia dessas pérolas como não gostar de ser mãe, mas hoje em dia todo mundo briga por tudo mesmo, não consigo nem acompanhar a novidade do dia. É tão simples, sempre foi (ou não) não sei porque complicar a maternidade. Reparei que agora as mães estão fazendo campanha a favor do colo, sinto como se quisessem abrir fogo contra o jeito “antigo”de criação em que sempre se dizia que muito colo não faz bem. Se a mãe quer dar colo que dê mas brigar por causa disso, haja paciência. Um abraço Rita.

    Reply
    • rita
      18/02/2016 at 8:01 pm (4 years ago)

      Ale

      Exatamenteee, parece que virou politica, cada um tentando convencer o outro, aff cansa.
      Eu dei colo o tempo todo para Bellinha quando ela saiu do hospital, mas eu tb fui a “madrasta” que aos 5 meses de vida ensinou Bella a dormir sozinha no berco e a deixei chorar para ela aprender. Para tudo ha seus 2 lados, e esta loucura que vemos hoje , este xiitismo dos dois lados, já cansou.
      beijinhos

      Reply
  4. Julia
    18/02/2016 at 8:29 pm (4 years ago)

    Rita, vc sempre tão ponderada! Acho que tem um agravante: as mulheres se julgam demais!! São as mais cruéis umas com as outras e principalmente as “feministas hard core”, vc não pode sair da cartilha delas por nada que lá vem chumbo. Quer saber? Mesmo não sendo mãe (ainda), gostei muito do desafio. Várias amigas que eu não consigo encontrar pessoalmente colocaram fotos lindas dos filhos e eu consegui matar saudade.. achei uma corrente super do bem. A outra que polemizou, beleza também. Quer expor esta parte da maternidade, tudo bem. Achei muito errado terem tirado o perfil dela do ar. Enfim, estou até pensando em sair do Face, pq acho que ficou super chato, com pessoas querendo dar “aulinha”para as outras o tempo inteiro. Beijos!!!

    Reply
    • rita
      19/02/2016 at 3:19 am (4 years ago)

      Julinha amada
      Ponderada é otimo, eu tento, sei que tento.
      Eu tb adorei o desafio, temos que celebrar a parte feliz da maternidade, pois ela é a maioridade, a parte ruim é a rotina do dia a dia, mas existe rotina para todos, nao so para quem tem filho, portanto a celebracao tem que ser feita pela parte boa. São maes e passam no chororo se queixando da vida, gente, sacode a poeira, toma um cafe e segue a vida, todo mundo se esfola para dar conta igual, estamos todas no mesmo barco.
      Tb achei totalmente desnecessario tirarem o perfil dela, mas acredito que os usuarios devem ter notificado tanto que o Facebook tem como praxe bloquear contas depois de x notificacoes-reclamacoes.
      Beijocas amore
      Rita

      Reply
  5. Fabiane
    18/02/2016 at 9:29 pm (4 years ago)

    Olá Rita, seu texto expressou muito bem o que atualmente vivemos na maternidade. Hoje, com dois filhos, aplicamos em nossa vida o que mais se adapta à nossa maneira de viver. Faço cama compartilhada até hoje e amo, se é certo?, se é errado?, sei que pra gente funciona, e não tenho a mínima vontade de ficar levantando bandeiras de que cama compartilhada é a coisa certa (ou errada) à se fazer. Tudo com bom senso sempre!
    Como vc disse, existem os dois lados pra tudo. E viva a liberdade de podermos escolher qual lado queremos.

    Reply
    • rita
      19/02/2016 at 3:16 am (4 years ago)

      Fabi, exato, fazemos o que gostamos, podemos e o que funciona para a nossa familia. Assim como tu fizestes a cama compartilhada eu ensinei a bella a dormir sozinha no berco com 5 meses de idade (mesmo prematurinha tendo passado 4 meses no hospital). Fazemos de acordo com nossos valores, gostos e o que esta de acordo com o estilo da familia. Nada eh certo ou errado, o que acho errado eh dizer amo meu filho e odeio ser mae, nao faz o menor sentido ne?
      :(((
      Bem como tu dissestes, nao precisamos levantar bandeira.
      Beijocas

      Reply
  6. sonia
    18/02/2016 at 9:32 pm (4 years ago)

    E o que eu penso e digo sempre o mundo ta muito chato!!!

    Reply
    • rita
      19/02/2016 at 3:13 am (4 years ago)

      Chato demasssss, concordo contigo

      Reply
  7. Naiara
    18/02/2016 at 11:49 pm (4 years ago)

    A maternidade não possui um manual, acabo de ter meu segundo bebê e é completamente diferente do que vivi a primeira vez. Começo a perceber que há uma tendência de “regrar” o que pode o que não pode , mas não há uma fórmula mágica. Ser mãe nos torna mãe, e sinceramente não entra em minha cabeça uma mae dizer que ” não gostará o fato de ser nem quando o filho tiver a idade dela, me deixa claro a omissão e certamente não irá demorar ( se já não for) um filho criado pelo vó, lamentável..

    Reply
    • rita
      19/02/2016 at 3:13 am (4 years ago)

      Verdade, ser mae vem sem manual, cada uma faz do jeito que gosta , pode e consegue. Nao eh facil 🙁

      Reply
  8. Liana
    19/02/2016 at 3:34 am (4 years ago)

    A meu ver a vivencia positiva, ou nao, da maternidade tem a ver com fatores que insidem sobre os sententos de cada mulher. Por exemplo sua história de vida, sua familia de origem, sua auto-estima, a relacao que deu origem ao filho. Acredito que nos casamentos em que existe pouco ou nenhum amor ( amor de homem eh mulher ou correlato ser mae nao eh tao legal… Porque esta tudo relacionado, eh como a cereja do bolo.

    Reply
    • rita
      27/02/2016 at 11:20 pm (4 years ago)

      Liana,

      otimo ponto que trouxestes.
      Pode ser isso mesmo, uma insatisfacao em geral, com outras coisas, que acabam afetando o sentimento de ser mae.

      Um beijinho

      Reply
  9. Lahna
    19/02/2016 at 10:57 pm (4 years ago)

    Concordo contigo. Nossa geração é fraca. Se queixa de tudo, vive reclamando. Não quer abrir mão de nada pelos filhos, nem que seja só por uma fase. Se precisam abrir mão de algo parece que estão sendo privados da vida. Daí fazem um dramalhão mexicano nas redes sociais.
    Não tenho paciência. Não tenho. Cada um faz suas escolhas e convive com elas como acha melhor. Quer ver o lado ruim, mergulhar nele, sentir-se horrível e ter pena de si mesmo? É um jeito de fazer isso.
    Quer ver o lado bom, curtir o momento que nunca mais vai voltar, respirar fundo e perder a paciência de vez em quando, mas saber que isso faz parte e continuar a tocar a vida? É outro jeito de fazer a mesma coisa.
    Que saco que a gente não pode mais nem laber a cria sem alguém vir atirar pedras e dizer que estamos mostrando um lado irreal da maternidade… ireeal pra você, cara pálida, pra mim é muito, muito real. E não, não é perfeito, mas é muito, muito bom. Até quando é ruim, é bom.
    Que possamos invocar a força de nossas avós, nossas nonas, abuelas e omas, das nossas mães, que não ficavam de mimimi poraí, mas faziam o que tinha que ser feito e que hoje, se você perguntar, vão te dizer sem sombra de dúvida, por mais desafios que tenham vivido nessa fase de ter filhos pequenos, que foram os melhores anos de suas vidas.
    Um beijo.

    Reply
    • rita
      27/02/2016 at 11:19 pm (4 years ago)

      Lahna, exato.
      Que geracao complicada esta que nao quer abrir mao de nada. Mimada, chata, sem nocao.
      Nossas maes abdicaram de muito mais que a gente, na epoca sem tanta ajuda, trabalhando fora, hoje é tudo tao mais facil em termos de logistica e facilidades da vida domestica e mesmo assim reclamam, choram.
      Amo ser mae, nao me importo de abdicar de algumas coisas, a infancia passa muito rapido, logo mais poderemos fazer tudo o que quisermos e teremos saudade dos pequenos na barra da nossa saia.

      Reply

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