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Gente, li este artigo uns dias atrás e fiquei tão chocada que compartilhei na fanpage do blog para debatermos sobre o assunto.

Em resumo, um homem deixa seu relato indignado após ver fotos de uma mãe que teve um parto em casa. Só isso foi o bastante para um desabafo mal educado e debochado de ….cof cof cof….um homem, que até onde sei nem dar a luz ele pode.

Leiam o texto por vocês mesmas e façam suas conclusões.

Confesso que fiquei aborrecida com o artigo do mal criado pois, afinal, há maneiras e maneiras de se expressar uma opinião, ainda mais uma opinião formada sobre um assunto tão delicado para as mulheres….sim, mulheres, pois de novo, até onde eu sei homem não dá a luz. Não que homens não possam dar a sua opinião, podem sim, devem, mas com um certo desapego, respeito, afinal, eles não estão ali parindo a criança e sim a mulher. #prontofalei

Eu fui aquela grávida que queria ter cesárea. Minha mãe teve seus filhos de parto normal, povavelmente como as mulheres da sua geração, mas de lá para cá  sabemos que as coisas mudaram. Raras são as mães que tem filhos naturalmente no Brasil, a maioria das crianças nascem de cesariana, então quando me vi grávida, nada mais natural que querer o mesmo. O interessante, porém, é que no Canadá, onde moro, é dificil você encontrar médicos que fazem cesarianas seletivas, a regra aqui é: seu filho nascerá de parto normal a não ser que haja algum problema médico e ele não possa. Mas isso é raro. Até então eu só tinha uma amiga que havia tido parto normal, e ela teve uma experiência tão boa, tão positiva, que eu inconscientemente fui me apegando a esta idéia.

Minha filha nasceu prematura extrema, como a maioria de vocês sabem, eu não tive tempo de ter chá de fraldas, nem de fazer um curso pré-natal, uma bela noite me vi no hospital prestes a dar a luz. Naquele momento tão delicado para mim, um médico me disse:

” A sua filha vai nascer do jeito que você quiser, mas se você me permitir um conselho, ela terá muito mais chances de sobreviver, nascida há apenas 25 semanas de gestação, se nascer naturalmente e ter condições de sentir que está nascendo.”

Sim, este médico existe.

Este grande profissional deveria servir de exemplo para a revolução que a obstetrícia está passando no Brasil. Sim, pois este momento que estamos vivendo agora, de tantos debates, de tantas brigas nas midias sociais, de tantas opiniões fervorosas, é o sintoma desta mudança.

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Toda mudança dói, incomoda, tira a gente da nossa zona de conforto, isso é normal. É saudável debater, ter opiniões diferentes, não há nada de mal nisso e nem existe nada mais chato do que todo mundo concordar com tudo, mas há que se ter educação e um coração e mente abertos para ouvir o outro, entender, compartilhar experiências e medos.

Eu acredito que toda grávida deve ter o direito de escolher como seu filho nascerá, seja de parto normal ou cesárea. Não há certo ou errado, há o que funciona para você. Se você tem muito medo de sentir dor e você acredita que este medo não passará durante a gestação, você deve ter o direito de escolher fazer a cesárea. Neste sentido, o Canadá também peca, ele força você a fazer o parto natural, a não ser que haja algum perigo médico para a mãe e bebê. Já o Brasil peca por somente apoiar a cesárea, e não instruir melhor as grávidas sobre os beneficios do parto normal.

Tive minha filha de parto normal e sem nenhum tipo de anestesia, e vou dizer para vocês: não é tão ruim quanto você ouve. Dói? ÓBVIO, mas o corpo tem seus recursos para transformar a dor em adrenalina para a expulsão do bebê. E toda esta dor desaparece no segundo que o bebê nasce. Vale a pena? Lógico que vale. Mas isso não desmerece em nada quem prefere fazer um parto cesárea, é uma questão do que funciona para você e seus medos, suas angústias.

Engravidar gera uma ansiedade enorme em todas nós e travar esta contagem regressiva debatendo dentro de si que tipo de parto fará é ainda mais complicado, portanto devemos apoiar a MÃE no que ela precisar, pois sim, a estrela do nascimento é mãe… e filho. O filho não nasce sem a ajuda e o apoio da mãe, portanto argumentar que a mãe que opta por um parto humanizado está tirando os holofotes do filho é a asneira mais besta que já ouvi.

Vamos lutar sim para instruir as gestantes sobre as suas opções, sobre os beneficios e riscos de cada parto, mas sem brigas, sem terrorismo, sem pisar em cima dos sentimentos da gestante. Vamos lutar para pressionar o governo e os médicos a permitirem e apoiarem as mães que gostariam de ter um parto normal. É muito injusto você querer ter seu filho NATURALMENTE e não poder, não faz sentido!

Vamos seguir compartilhando textos maravilhosos nas midias sociais, mas também os textos péssimos, se este for o preço que pagamos para mais debates, mais troca de informações. Mas tudo com calma e com educação, pois de “animalizado”, já basta o autor daquele texto.

 

 

 

 

 

1 Comment on O parto “animalizado” e a minha opinião

  1. Pamela Greco
    06/01/2016 at 4:46 am (2 years ago)

    Amor e mais amor pra você. Sempre fã

    Reply

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