Não gostaria de voltar ao blog depois das minhas férias com um post neste tom, mas também não gostaria de perder o timing, o momento de expressar minha opinião sobre uma tragédia que aconteceu no Rio Grande do Sul há uma semana.
Não sei o quanto foi noticiado no restante do pais sobre o assassinato brutal de Ronei Junior, 17 anos,  filho único de uma família de Charqueadas. Ronei foi assassinato a garrafadas dentro do carro do seu pai, por uma gangue de adultos e adolescentes. Oito adultos estão presos e me parece que 2 adolescentes estão apreendidos, com o ministério público tentando a apreensão de mais 4.
Bom, por onde começar?
Como mãe, é impossível não me emocionar com o relato do pai, passado no Jornal Nacional. Ronei conta que apesar de toda a educação, todo o cuidado que tinha com o filho, não foi possível protegê-lo desta barbaridade. Ele conta que o filho era um rapaz muito estudioso, tranquilo, caseiro, companheiro dos pais, bom filho, bom amigo, estava estudando para o vestibular e tinha planos para a faculdade. Enquanto o pai trabalhava em Porto Alegre, Júnior tranquilizava o pai dizendo que cuidaria da mãe durante a semana. A família havia se mudado da capital para o interior por questões de segurança, sendo o interior tão mais tranquilo e seguro. O pai monitorava o filho por Whatsapp quando ele saia, e o buscava nas poucas festas que o menino ia. Estacionava na porta do clube para esperá-lo, como aconteceu naquele fatídico sábado.
Que mundo é este em que um filho pede para o pai ir buscá-lo na festa, e quando o pai estaciona o carro na rua, e ele e os amigos entram, uma gangue de marginais os arranca de dentro do carro com garrafadas de vidro quebrado, golpeando o menino múltiplas vezes na cabeça e no rosto?
Que mundo é este em que um pai é segurado dentro do carro e vê seu filho ser assassinado barbaramente na sua frente, sem poder fazer nada?
Que mundo é este que um filho….que era dele, mas poderia ser meu, ser seu, é assassinado assim? Sem motivo? Por uma gangue de marginais?
Mas que marginais são estes?
Eu sofro muito com esta questão da maioridade legal, entendo as razões de quem condena a diminuição da maioridade penal, sinceramente……entendo, de coração. Entendo que há stuações em que os jovens foram deprivados de tudo durante sua infancia, de educação básica, cresceram sem comida, sem escola, sem um teto para morar, e isso é algo que mexe com o coração de uma mãe, pois a violência e vida de crime é decorrente desta falta de tudo, de condições básicas para se desenvolver com um mínimo de caráter. Mas quantos exemplos de crianças pobres que cresceram com dificuldade e se tornaram exemplo de bom caráter e trabalho duro nós vemos por aí? Pessoas conhecidas nossas, casos que vemos em jornais de adolescentes paupérrimos que estudam como podem e ingressam em faculdade, em concursos públicos, com notas altas de fazer inveja a muito “mauricinho” por aí.
A gangue que vitimou Ronei Júnior não era de adolescentes paupérrimos, vitimas da sociedade. A gangue era composta por pessoas que inclusive frequentavam a casa de Ronei em festinhas de aniversário no passado. Quando o delegado mostrou a lista de nomes e fotos dos suspeitos, o pai identificou vários…..conhecidos de Júnior, do seu circulo social de escola e festinhas de criança.
Agora eu pergunto: que criação tiveram estes assassinos?
Pois se não eram pobres e sem estudo, como o preconceito muito aponta por ai, eram quem? Meus filhos? Seus filhos?
Não deveria haver maioridade penal para mau caratismo!
Vítimas da sociedade? Não, máu caráters mesmo!
 
Sabemos que há casos de pais exemplares que acabam criando filhos que no final das contas acabam por se tornar mau cáraters, mas sabemos também que há pais que não investem um segundo do seu dia em educar de fato a criança, o adolescente.
Dar limites.
Dizer não….explicar o porque do não.
Disciplinar, fazer entender que há consequências para tudo (não bater, claro, mas mostrar de outras formas que se você fizer isso de errado, sofrerá consequencias, seja tirar o brinquedo, a televisão, a mesada)
Ensinar com o exemplo a ser uma pessoa digna, ética.
Ter filho dá trabalho, todos os dias, o dia inteiro.
Se a maioridade penal impossibilita os assassinos de Ronei Junior de irem para a prisão, quem deveria pagar? Os pais que não os educaram? Que não ensinaram a diferença entre o certo e o errado?
No momento que nos tornamos pais e mães, e principalmente hoje, no dia dos pais, vale ressaltar, relembrar, que a missão número 1 das nossas vidas é guiar nossos filhos para se tornarem membros úteis da sociedade, pessoas do bem, que contribuam ativamente para a vida de todos. Pessoas que sabem o que significa respeitar o próximo, proteger alguém em perigo, levantar a voz para o que há de errado.
Esta gangue de marginais que assassinaram brutalmente Ronei Júnior mostra o fracasso da nossa sociedade, mas principalmente o FRACASSO DESTES PAIS.
Neste dia dos pais, no dia das mães, no dia das crianças, não vamos apenas sair para almoçar fora, dar presente…..vamos celebrar a luta diária para criarmos nossos filhos com caráter. É o mínimo que podemos fazer.
Ronei Júnior, a sua vida foi tirada de você barbaramente, mas saiba que onde quer que estejas, que o exemplo de boa criação que seu pai e sua mãe deram a você são admirados por mim e serão lembrete de como criar a minha filha. 

2 Comments on Desabafo de mãe: o caso Ronei Júnior

  1. Anonymous
    09/08/2015 at 10:20 pm (2 years ago)

    Muita dor e poucas palavras para conseguir fazer um comentário decente. 🙁

    Alessandra Haak

    Reply
  2. Nanda
    10/08/2015 at 5:00 am (2 years ago)

    🙁 nao consigo me expressar diante de tanta crueldade, tanta falta de amor ao próximo. Vindo ainda de pessoas que tiveram oportunidades na vida, que mesmo diante de qualquer dificuldade em nada justifica essa barbaridade.

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