Anos atrás li um livro que adoro “Don’t sweat the small stuff”, e o autor dizia que achava graça quando suas filhas pequenas na época reclamavam de tédio. Ele simplesmente falava: “Aproveite seu tédio, pois é um momento de ser criativo ou simplesmente aproveitar o ócio, o que é raro atualmente”.

Vamos pensar juntos, o que é o tédio?
É você ter inúmeras coisas para fazer, mas não ter a mínima vontade. Você pode ler um livro, ver televisão, sair para caminhar na rua, dormir, comer, jogar um jogo, brincar com seu animal de estimação e nada disso o apatece. Por que será?
As vezes estamos de saco cheio de tudo e nada parece interessante. Sim, parece, pois naquele exato momento do tédio tudo é igual ao que sempre foi, apenas você se sente diferente. O que você gosta de fazer ainda tem o mesmo apelo de sempre, mas naquele exato dia, momento, você simplesmente não encontra vontade de aproveitar aquelas atividades.
E o tédio nas crianças?
Levanta a mão quem enxerga direitinho nos olhos dos filhos quando eles estão entendiados: ficam chatinhos, resmunguentos, implicam com tudo, se agarram na barra da nossa saia, querem colo, querem a nossa atemção, nos chamam 50 x como se nós pudéssemos resolver o tédio deles. Vejam bem, há que se prestar atenção se é de tédio mesmo que a criança sofre, não podemos confundir falta de atenção e carência com ele. Mas se for tédio mesmo, temos que estimular isso nas crianças.
Quando minha filha era pequenininha, 1, 2 anos, eu dava as opções para ela brincar, organizava os brinquedos na sua frente, para que ela pudesse visualizar o potencial daquela brincadeira, e quando enjoava, lá ia eu e reestruturava a atividade de novo. Durante os dois primeiros anos de vida da criança, ela está aprendendo a brincar, a se distrair, precisa de um empurrãozinho, mas depois desta fase, a criança precisa aprender a brincar sozinha de vez em quando, para que sua criatividade seja estimulada, senão ela jamais terá tempo para usufruir da sua imaginação.
Como professora, eu vejo diariamente que a brincadeira entre amigos é a mais completa, há uma troca, é lindo de se ver, mas não é uma brincadeira necessariamente criativa o tempo todo. Diferente do momento do tédio. Quando a criança fica entendiada, geralmente quando está sozinha – e veja bem, ela pode e deve se sentir sozinha por vezes, mesmo tendo irmãos – visto que é o momento dela usar a sua imaginação, inventar brincadeiras ou simplesmente deitar no sofá com os pés para cima  e pensar na vida.
Tempos atrás peguei minha filha olhando para a parede com aquele olhar fixo no infinito, e perguntei Bella no que você está pensando. Sua resposta foi “não sei”. Perguntei se ela lembrava do que estava pensando e ela disse que “um monte de coisas”. Não faço ideia do que o monte de coisas era, mas ela existe, porém pensa.
Temos que alimentar um pouco o tédio nas crianças, ninguém precisa brincar o tempo todo, ou obrigar os pais a constantemente brincarem junto, ou pior ainda, ficar refém dos malditos Ipads e Netflix por horas a fio. Uns minutos de tédio são bem vindos para todos nós.
Quando minha filha se queixa que não sabe o que fazer eu gentilmente a convido para brincar no seu quarto e achar algo que ela gostaria de fazer : pode brincar, pode ler, pode deitar e olhar para o teto. Quando isso acontece, ela geralmente não só acha o que fazer como o faz por 1, 2 horas seguidas.

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