Se o seu prematurinho nasceu muito cedo, entre 24 e 28 semanas, você talvez veja e sinta o mesmo que eu.
Uma das minhas maiores dificuldades hoje, depois de 3 anos do nascimento
da Bella, é olhar para a minha filha e aceitar as cicatrizes que
aqueles tempos difíceis deixaram. A maioria das pessoas nem percebe, mas
eu conheço cada uma das dezenas de cicatrizes que a prematuridade
marcou na pele da minha filha e isso me entristece muito.
Não posso nem pensar, muito menos falar em voz alta ou até mesmo escrever sem chorar, isso me magoa demais.
Fazia algum tempo que eu isso não me incomodava, até a Bella cair no
banho e cortar o rosto. Meu mundo desabou novamente e eu perdi o
controle de uma tal maneira que meu marido não entendeu de onde vinha
tanto desespero por um corte tão pequeno. Se a situação tivesse sido
diferente, se este tivesse sido seu primeiro machucado, eu talvez agiria
de maneira diferente, mas tendo sido este mais um machucado feio na
vida da minha filha, só me restou  a desolação mesmo. Bella se machucou
há 3 ou 4 semanas atrás e desde então o meu coração anda apertado ao
olhar aquela nova cicatriz.
Sim….mais uma.
Mais uma cicatriz no corpo do meu anjo.
E desta vez no rosto.
Ontem li esta mensagem no Facebook  e talvez por um segundo, tenha me
sentido melhor. Ainda me sinto magoada e injustamente culpada, mas a
mensagem em si é bonita.
 
A mágoa com as cicatrizes está diretamente ligada a minha culpa
inconsciente de que eu tenha feito algo errado que tenha causado tudo
isso, seja o seu nascimento prematuro ou a queda no banho. A culpa não é
direta, não por eu ter feito algo mas por eu não ter feito nada, não
ter conseguido evitar as cicatrizes que ela carregará para o resto da
vida.
Muito triste isso.
Eu tenho 33 anos e absolutamente nenhuma cicatriz, minha filha tem 3 e carrega consigo no mínimo umas 30. Não é justo.
As cicatrizes são sim a prova de que você sofreu, mas de que você está
aqui para contar uma história e espero sinceramente que a minha menina
entenda que as marcas que ela carrega são marcas de uma vitória suada e
de uma vida bem vivida.
E se quando ela crescer ela me disser que quer fazer uma tatuagem, eu
vou deixar, pois esta sim será uma tatto que ela terá escolhido…..e
não a vida.

1 Comment on Prematuridade: Cicatrizes da Vida

  1. Adriana Moreira
    10/11/2014 at 9:04 pm (3 years ago)

    Rita,

    Linda tua reflexão a respeito dessa experiência com as cicatrizes de sua pequena. Na verdade, nós, pais, desejamos que nossos filhos passem pela vida sem nenhum sofrimento. Na verdade, isso seria o ideal de todos. Mas, na caminhada natural da vida a gente acaba descobrindo, mesmo que custe muito pra gente que é preciso sofrer algumas cicatrizes para se tornar forte! Quando você diz que tem 33 anos e nenhuma cicatriz, talvez você fale da sua parte física, mas, ao longo da vida a gente acumula também cicatrizes emocionais, talvez você nem lembre muito bem da maioria delas, mas elas estão lá! Claro, que a cicatriz física aparece mais, mas nem sempre é tão importante assim, a não ser para lembrar de algum episódio como de um escorregão de um banho, como foi o caso da Bella, não sei como está e se ficará realmente muito visível quando cicatrizar, às vezes o poder de regeneração nos surpreende e vai ficar talvez bem menor do que você imagina. Não deixa de ser um tormento para nós, mães, que estamos sempre fazendo o máximo para evitar o sofrimento dos nossos filhos. Mas, não se culpe por isso… Tem coisas que não dá para evitar, mesmo que você esteja sempre atenta a tudo… entende? Não foi culpa sua… nós somos assim mesmo, frágeis. Mas, mais do que nossa fragilidade, temos nossa capacidade de regeneração. Isso nos mostra o quanto somos fortes. Não sei se te ajudei a melhorar, ou a ter uma nova visão sobre o assunto. Acho que na verdade o que vale é saber que você não teve intenção de fazer nada de mal e se pudesse teria feito o máximo para evitar o tombo. Mas, enfim! Isso já passou… olhe pra frente… Sua pequena vai continuar sendo o anjinho mais lindo que vc já conheceu! Eu acho ela uma graça!
    Abraços, querida!
    Fica com Deus!

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