Um dos meus maiores medos como mãe, afora todos os medos óbvios como sua saúde, segurança e por aí em diante, é que minha filha cresca mimada. Existe este estigma de filho único mimado, mas eu que trabalho com crianças vindas de diferentes famílias, algumas com seu filho único, já outras com até 3 ou 4 irmãos, sei que este estigma não é verdade. 

Ser filho único não é sinônimo de ser mimado, acredito que ser criança atualmente é sinônimo de potencial mimo em demasia.
Na nossa época, lê-se 20, 30 anos atrás, não tínhamos todos os objetos de valor material que temos hoje, de eletrônicos a brinquedos, e além disso, ganhávamos pouco e dávamos valor ao que tínhamos, então somente aí o bicho já pega. Mas o principal veneno que “estraga” a criança é a falta de não.
É o não que estraga uma criança, é o não que cria aquele serzinho mimado, que não sabe ouvir um …cof cof cof…, o que mesmo? Á, um não!
Observo minha filha por exemplo, que vale lembrar tem seus momentos e não são poucos, mas seus momentos não podem ser rotulados como ataques de mimo. De mimada ela não tem nada, embora ela tenha disponível brinquedos, roupinhas lindas e comidinhas gostosas que faço questão de proporcionar a ela. Mas o que observo é que ela nunca pede nada. Vamos a uma loja e ela nunca pede nada, vê um brinquedo, olha a caixa e deu, bora pra casa. Eu dou quando posso, não quando ela pede, pois ela não pede. Não é somente isso que faz a criança ser ou não ser mimada, a sociedade desaprendeu a dizer não a criança. Muitas vezes, a criança só ouve não na escola, e é por isso que vemos estes casos terríveis de adolescentes (e pais) que se voltam contra os professores, inclusive os agredindo.
Criança está a aprendendo a viver, precisa ouvir não, precisa saber que nem tudo gira em volta dela, e isso não tem nada a ver com ser filho único ou não. Canso de ver crianças mimadas, e olho pro lado e a mãe está com um irmãozinho do lado. Putz, e ai? Lá se vai por água abaixo a teoria simplória para se explicar quem é mimado – e por quê.
Um dia destes tivemos uma situação aqui em casa que “alguém” não queria calçar um determinado sapato. Sete da manhã, correria, atraso, e briga por que ela não concordou com o sapato que peguei para ela calçar (estava frio e ela queria calçar sandalia). Tive que falar em alto e bom tom que ela não usaria a sandalia e sairia de casa com o tênis com choro ou sem choro.
Chorou, não gostou…..e botou o sapato, pois aqui em casa não é não, não não é mais ou menos e muito menos sim.

Nossas crianças precisam de mais nãos.
Nós pais e mães temos que mostrar quem manda em casa, gente.

Temos que lembrar das atitudes que nos fazem sentir mimados e não somente olhar para o tamanho da coleção de Barbies ou se você tem irmão ou não. Quem sabe assim, a futura geração será um pouquinho como antigamente, menos complicada, pois do jeito que a coisa vai, dá até medo do futuro, com esta geração mimada gerindo a sociedade.

1 Comment on Filho mimado

  1. Paulinha
    20/08/2014 at 1:49 pm (3 years ago)

    Ainda não tenho filhos, mas concordo plenamente contigo!
    Fazer entender que não é não, sem choro, nem vela… tb não adianta dizer não e depois voltar atrás, ou os pais não se acertam, um diz não, outro diz sim… daí ferrou! A criança sente/entende e aí sim, faz manha!
    Eu tomei muito não e muita palmada/chinelada (eu era terrível!) e sempre respeitei, e muito, pais, familiares e professores!
    =)

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