Alguns meses atras compartilhei com vocês a nova regulamentação Canadense sobre a forma como a criança deve ser alimentada, então hoje venho aqui complementar mais um pouco o que aprendi naquele workshop.

Segundo a palestrante, alimentar a criança requer dois times jogando juntos: os adultos + a criança.

O que cabe aos pais e professores….proporcionar:

  • O QUE COMER

Deve-se oferecer a criança uma alimentação saudável. 
Sem comida processada.
Sem açúcar ou sal demais.
Alimentos de todos os grupos alimentares, diariamente.

  • QUANDO COMER
Deve-se proporcionar um momento tranquilo para a criança comer, sem correria, sem distrações.
A palestrante disse que atualmente o se alimentar virou um mero ” 5 minutinhos” entre uma atividade e outra, quando no passado, o ato de comer eram em si uma atividade. Preparava-se a comida com esmero, tinha-se tempo de se sentar a mesa e comer tranquilamente, e não com o prato no colo vendo TV e mexendo no celular. Se este é o exemplo que passamos para nossos filhos, a coisa está realmente perdida.
  • ONDE COMER
Todos sabemos que o ato de comer não é somente para suprir as nossas necessidades físicas, mas também para suprir a necessidade de se estar junto, tendo companhia, alguém para conversar e dividir as novidades do dia. 
O ideal é que a família faça as refeições juntas, ao menos uma por dia. Todos a mesa sem Ipad e televisão como fundo musical. 
É difícil, mas é possível. Temos que seguir tentando.

Qual a parte que cabe a criança?

  • SE ALIMENTAR
O “guia alimentar” canadense encoraja os pais e ensinarem as crianças a aprenderem a se servir. Nunnnnca pensei nisso com a minha filha, ai ai ai. Juro, sequer passou pela minha cabeça colocar um prato em cima da mesa para ela se servir de arroz, carne, refogado, salada. Ao menos nao nesta fase pequena dela.
Sou distraida mesmo, vejam bem!
A criança, se ensinada desde cedo, pode sim aprender o que significa se servir sozinha, tendo assim uma certa liberdade em dizer o quanto gostaria de comer. No início ela não fará a ligação entre o tamanho da sua fome e quantas colheradas irá se servir, mas devagarinho chega-se lá!
  • DIZER QUANDO ESTÁ SACIADA
A pior parte, a mais dificil para uma mãe.
Testamos isso aqui em casa com a minha filha. Informei o pai e a vovó que não forçaríamos ela a comer. Foi dificil, acho que todos nós demos uma escapulida e aquele COME saiu das nossas bocas, diretamente ou indiretamente, mas Bella comeu seu risoto sozinha, bem direitinho, até que disse ” Não estou mais com fome, mamãe”
Doeu fundo no meu coração de mãe neurótica…hahaha.
Ela ainda poderia terminar as 3 colheradas, mas pensei que não. Foi um ótimo primeiro dia, primeiro teste.
Depois ela quis sobremesa e comeu um cacho de uvas.
A pergunta que se deve fazer é: 
Por que forçamos as crianças a comerem?
Sabemos racionalmente que seus estômagos são do tamanho do punho de uma criança, pequenininho-pequenininho, e mesmo assim forçamos os anjinhos a comerem pratos enormes, quando se fosse conosco, adultos, nos rebelaríamos ao sermos forçados a comer algo que não queremos, que não precisamos.
É saudável permitir que nossos filhos crescam sendo pressionados, chantageados com comida? Que lição eles aprenderão para sempre?
Que ligação horrorosa terão com a comida, com os sentimentos negativos ligados a ela?

Estas licoes devem ser colocadas em pratica diariamente, pois como mae e professoras, temos a tendencia de “forcar” a crianca. O guia alimentar canadense nao mais permite isso, as professoras nem devem sequer estimular a crianca a comer mais uma colherada.

E dai?
Ficaremos todos a merce da vontade da crianca?
Sim!
Mas a questao aqui eh outra: devemos ensinar nossos filhos a se alimentar direito, a comer comidas saudaveis desde pequenininhos, e dai estaremos dando sim o poder da crianca tomar decisoes, mas saberemos que o que eles comerem ja estara sendo o suficiente para estarem bem alimentados.

Talvez tenhamos perdido o “timing” de ensinar nossos filhos pequenos, bebes, talvez eles ja sejam mais crescidos, mas podemos ensina-los diariamente dando um bom exemplo, comprando para casa alimentos saudaveis, e nao porcaria. E permitindo que eles crescam enxergando a comida como algo para lhe alimentar o corpo e a alma, e nao como valvula de escapa atraves de uma alimentacao errada.

1 Comment on Novas regras de alimentação infantil: Parte II

  1. Pâmela
    24/07/2014 at 7:25 am (3 years ago)

    Amei o post! Hoje mesmo a Lara veio nos dizer que ela queria se servir sozinha, mas não só em casa, no restaurante também! Juro que só fiquei pensando no estrago, mas depois, e agora lendo seu post vou deixar… Providenciar capas para as toalhas de mesa, jogo americano fácil de lavar/secar rsrs e bora deixa a cça ser feliz!!!

    Bjo

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