Aqui no Canadá, ao menos na província de Alberta e de British Columbia, quando um bebê prematuro extremo nasce, ou seja, com menos de 28 semanas de gestação, ele passa automaticamente a ser paciente da clinica Neonatal do Hospital da Criança da cidade.
Tivemos a sorte imensa de Bella ter recebido alta sem nenhuma sequela, afora o probleminha de visão (nada grave), então as consultas eram anuais apenas.
Querem saber como funciona a clínica dos prematuros?
É assim: o hospital onde o bebê nasceu enviará toda a ficha médica do prematurinho para o Hospital da Criança e de posse de toda a informação do nascimento e desenvolvimento do bebê na UTI, a clínica saberá que área a criança precisará ser observada. Na nossa primeira consulta Bella era bem bebezinha e desde então as áreas que ela é observada são:

  • Fisioterapia
  • Terapia Ocupacional
  • Fonoaudiólogo (depois dos 2 anos)
  • Faz um teste de audição
  • Psicóloga
  • Pediatra Neonatal (especializada no desenvolvimento do prematuro)
 O hospital manda uma carta para a casa da família prematura marcando o dia da consulta, e é bom você não tentar remarcar pois pode levar meses até encontrarem outra data para que o time todo esteja disponível. Chega-se a consulta cedo da manhã e eles organizamas consultas “back to back”, uma atrás da outras, que é para a criança não cansar de ficar esperando. Sai de uma consulta e o médico da outra já está esperando. É uma maravilha, pois a criança não sofre tomando chá de cadeira.
Em Calgary as consultas era, de em torno de 40 minutos e no final ia-se embora e os resultados de cada consulta eram enviados em uma carta para a casa da familia. Já em Vancouver o sistema é melhor, pois no final do dia, todos os médicos e terapeutas se reunem em uma sala de reuniões do hospital para discutir o desenvolvimento global da criança. Uma vez finalizada a reunião entre eles os pais são chamados para ouvirem o resultado e fazerem perguntas. Uma enfermeira ficará cuidando da criança enquanto os pais atendem a reunião.
Nível máximo de organização.
E depois vocês receberá em casa um envelope com as observações de cada profissional.
Ano passado a consulta foi bem cansativa para Bellinha pois foi mais voltada a parte motora. Uma das preocupações dos médicos de crianças prematuras extremas é como elas desenvolverão a parte motora no futuro, se terão atraso, se precisarão de terapia, enfim. Lembro de fazerem muitos testes de pular, correr, pular numa perna so, subir escada sozinho, de mao, subindo, descendo, ela saiu do hospital mortinha de cansada tadinha. Esta vez, porém, a enfermeira já avisou que as consultas serão voltadas para o ingresso nela na escola, a parte mais cognitiva mesmo.
 Ai que meda.
Mãe já é um bicho preocupado, mãe de prematuro então! Vai-se nestas consultas com aquela dor de estômago típica de quem está sendo testada, ou pior, vendo seu filho ser testado. Todos estão ali para ajudar, para dar todo suporte que precisamos, mas mesmo assim, fico nervosa.
A enfermeira disse que eles fazem esta consulta cognitiva antes do prematuro ir para a escola aos 5 anos, e o relatório completo será enviado para sua professora da escola.
Legal, né?
O Canadá tem muito a ensinar o mundo sobre o cuidado com o prematuro e principalmente com a família prematura. Aqui o sistema de saúde é tipo SUS, não existem hospitais particulares, médicos particulares, tudo é do governo. Lógico que no pé que o mundo anda sabemos que é difícil para muitos paises terem esta disponibilidade de profissionais, com tempo para este tipo de consulta que dura o dia todo, com tempo de sentar em uma reuniao com os pais. Sabemos que o Canadá tem uma população muitooooo menor que a maioria dos países, e exatamente por isso tem condições de proporcionar este cuidado especial com suas crianças, mas sabemos também que cabe a nós, pais prematuros, lutar pelos direitos dos nossos filhos.
Sei lá se alguma coisa vai mudar no Brasil um dia, só sei que já mandei vários emails para políticos no Brasil. No Rio Grande do Sul para ser mais exato, e para uma procuradora de Brasilia. Escrevi um texto bem legal, contei a minha historia, e pedi que pensem nos bebês prematuros. Não sei se leram, não responderam. Eu marco no calendário e de seis em seis meses envio o email novamente.
Não custa tentar.
Talvez se cada um de nós pais prematuros mandasse um email de vez em quando, um dia as coisas mudariam. 
A união faz a força.
Volto depois da consulta para contar como nossa prematurinha está se saindo.

2 Comments on Consulta anual

  1. Verônica
    04/06/2014 at 10:50 pm (3 years ago)

    Oi! É a primeira vez que leio o blog. Tenho muito interesse sobre morar no
    Canadá mas o que me despertou atenção foi o seu post sobre como são os cuidados com os prematuros. Também fui prematura de 29 semanas, pesando 900 gramas. Ouvir as histórias e o que meus pais sofreram me fez ficar mais atenta sobre isso. Há 30 anos atrás tive a sorte de ser internada no único hospital para prematuros do Rio, imagina.. A família por parte de pai já tinha tido bebês prematuros que tiveram sucesso,minha tia e meu primo 1 ano mais velho, mas também em outro país sem grandes recursos de saúde.Meu pai lutou para que eu tivesse alta mais cedo e até assinou um termo de responsabilidade. eu já tinha mais de 2kg e 2 meses de internação sem nenhuma problema de saúde.
    Sei que tive sorte e nem todos saem com saúde perfeita .Tive visita dos dois todos os dias e muito amos. Acho que o método canguru deve ser um caminho a se seguir tb. Esta lei do prematuro tb pois quando nasci minha mãe teve que voltar ao trabalho depois de 3 meses!!! Fiquei com o meu pai na época, até os 7 meses pq ele havia perdido o emprego( desgraça que virou sorte!?)
    Cada história é uma luta, aflição e lição.
    Realmente os bebê prematuros precisam de atenção e acompanhamento depois de nascidos e da alta.
    Parabéns pela sua filinha

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  2. Sandra Nogueira
    06/06/2014 at 5:53 pm (3 years ago)

    Coitados de nós aqui no Brasil, as clínicas de acompanhamento do desenvolvimento dos prematuros, como a do HC de BH/MG são raras, com pouquíssimas vagas e o serviço é "manco" com trocas constantes na equipe e muitos residentes sem tutela fazendo os atendimentos. Estamos pensando seriamente em levarmos a Helena até o Canadá ou EUA no ano que vem para uma avaliação global. Em Boston sei que fazem esta avaliação com indicação posterior de terapias a serem implementadas ou reforçadas no país de origem. Vc sabe desta possibilidade aí no Canadá? Estamos nos organizando em termos de tempo, $ e local com mais apoio e facilidades…
    bjos

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