Scrap de Ana Caldatto

A poltrona de um avião, para quem mora fora, mais equivale a uma sessão de terapia. O trecho de volta para casa permite que você reflita sobre a vida e suas escolhas – terapia mesmo. Já moro no exterior há 10 anos, já estou acostumadíssima com a distãncia, mas isso não significa que eu goste dela, a aceite, me conforme. O ideal seria voltar ao Brasil todo ano, para matar aquela saudade que fica guardada dentro da gente por meses, mas na realidade nem sempre dá. Custa caro viajar, custa caro viajar com filhos, é um investimento para uma família de classe média, não é fácil. Mas mais caro ainda é você ver a vida passar e você aqui, longe da sua família, perdendo momentos tão importantes que não voltam mais.
Há 2 semanas fiz uma loucura que nunca tinha feito antes, em questão de 2 horas resolvi largar tudo e ir para o Brasil. Assim de sopetão. Jurei para mim mesma que ninguém mais da família passará por sustos médicos sem a minha presença em solo brasileiro. Não dependerei mais de familiares para me dar notícia, estarei plantada dentro do hospital pronta para ouvir o médico dar seu veredito assim, na minha frente. Meu irmão e eu passamos por este momento….T-E-N-S-O…hehe, né Gustavo?
Vocês não imaginam a loucura que foi tomar a decisão – vou, não vou? vou, não vou? – ligar bem maluca para minha agente de viagens, dando uma hora para a pobre senhora para achar duas passagens para o Brasil assim, para amanhã de manhã. Ir a agência, comprar as passagens, resolver absolutamente todas as pendências administrativas que a minha ausência por 2 semanas na escola requeriria, e não são poucas. Sair às compras às 10 da noite, pois no dia seguinte receberíamos todas as mães para a festa de Dia das Mães da escola. Comprar algumas coisinhas para a viagem, chegar em casa 11 da noite passada para então arrumar malas, organizar documentos de viagem para sair porta afora rumo ao aeroporto as 8 da manhã do dia seguinte com uma criança.
Pensem!
Meu irmão é o meu parceiro de crime, o único que sabía que eu e Bella estávamos indo rumo ao Brasil. Amamos matar a família de susto nos vendo ao vivo assim, do nada. Já é a segunda vez, o teste que ninguém é assim muito cardíaco. É o máximo assustar a família assim, recomendo…haha. Conseguímos fazer surpresa para todos: mãe, pai, todas as tias e tios, um a um. Fosse pessoalmente ou por telefone, foi muito, muito legal. A cara de cada um ao nos ver ali é indescritível, emocionante e engraçada demais, choque mesmo.
E já no nosso primeiro dia em solo Portoalegrense fomos cumprir a nossa missão nesta viagem: ajudar o vovô Vicente a se recuperar de saúde. A carinha dele ao ver a Bella foi demais, valeu toda esta loucura insana que voar de país em menos de 24 horas é. Fizemos companhia no hospital todos os dias, com o propósito de ajudar o vovô a melhorar.
No meio tempo a gente comia! Olha, comi tanta coisa boa, acho que absolutamente todos os doces que eu sempre tive vontade de comer na vida. Viva a lancheria 100% recheada do hospital: quindim, tortas de todos os tipos, pastel de feira, pão de queijo, doces de pelotas, brigadeirão, tudo de absolutamente tudo que possam imaginar. E nas horas vagas, que não foram muitas, nós almoçávamos e jantávamos fora: a la minuta, cumbuquinha de feijão, comida chinesa brasileira ( a the best), sorvete da Chungo (obrigada pela dica Nine), buffets e mais buffets deliciosos, com todas as comidinhas maravilhosas que só o brasil tem a oferecer.
Um super obrigada ao meu irmão – o Dindo Sabe tudo – por percorrer Porto Alegre nos levando para comer X de coração tarde da noite depois do hospital, a Pizzaria, ao Croasonho. Depois de um dia de trabalho e 1 hora no transito, ele ainda tinha pique para nos levar para passear um pouquinho.Outro obrigada a nossa amada Noiva Top por nos abrigar na sua casinha nova e dividir conosco a doçura que são seus gatinhos. Das duas uma, quase não voltamos ou quase não voltamos com os gatinhos!
Esta viagem não foi a passeio, mas valeu cada segundo para nos re-aproximar da nossa família, principalmente a Bellinha que não ia ao Brasil há 3 anos. Ela re-conheceu suas tias, tios, primos, brincou com todos, deu beijos, abraços sem timidez, conversa sem se importar ou ofender que as vezes seu inglês misturado não era compreendido. Se comunicava do jeito mais sábio que existe, como as crianças fazem: com o olhar, com abraços, com brincadeiras.
Batemos fotos, jantamos em família, reunimos os primos, conseguimos encaixar um almoço muito gostoso com meu melhor amigo, enfim, em meio a correria deu para alimentar a nossa alma.
As montanhas de Vancouver vista do alto do avião
Voltamos com uma saudade sentida, antecipada, mas com o coração completo, cheio de lembranças maravilhosas, cheio de amor e com a certeza de que já já voltaremos de novo. Como disse a minha sábia agente de viagens: “É para isso que trabalhamos tanto, para podermos nos dar ao luxo de visitar nossa família.” Ela também mora longe da família há décadas e disse que suas melhores memórias de vida foi durante estas viagens meio apressadas, meio a sopetão. Dá uma sensação de aproveitar a vida mesmo, mesmo que seja em situações mais delicadas.
A poltrona do avião é terapia mesmo, com tanta lembrança bonita, eu e Bella embarcamos de volta ao Canadá meio chorosas, aquela coisa meio feliz-triste. Mas faz parte, é assim mesmo. Voltamos para o abraço do marido/daddy, do nosso amado Butters, para cuidar das nossas plantinhas que o marido esqueceu de aguar, enfim….vida normal.
Agora bora voltar a rotina, a escola, e daqui a algumas semanas partir rumo as nossas férias.
Ave, que vida corrida, hein?

Amanhã curiosidades da viagem!

7 Comments on Fui e voltei

  1. Francisca
    23/05/2014 at 10:33 pm (3 years ago)

    VALEU MUITO A PENA!! O VÔ VICENTE ESTÁ BEM E CURTIMOS OS BEIJOS E ABRAÇOS DA NOSSA QUERIDA BELLA!

    Beijos da Chica.

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  2. Mamãe Nádia
    24/05/2014 at 1:41 am (3 years ago)

    Chorei, chorei com esse post de hoje…cada palava foi escrita de coração…com a alma mesmo, como vc citou.
    Eu tô precisando muito ir pro Brasil. Não aguento mais a saudade da minha família, dos meus pais, do povo, do Brasil, enfim. Tá entalado aqui dentro. Dói. Machuca…Enfim…

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  3. Gabrielle de Almeida Ramos
    24/05/2014 at 1:16 pm (3 years ago)

    Lindo lindo Rita… acho que é por isso que não encaro morar fora do Brasil. Acompanho você e a Nádia e adoro seus blogs.
    Beijos do Brasil il il…

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  4. nanda
    25/05/2014 at 10:21 pm (3 years ago)

    Shuinf! Que palavras bonitas, Rita! Senti aqui toda sua emoção e nem posso imaginar como se sentiu com a viagem. Espero que voce possa sempre fazer essas "loucuras".

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  5. Larissa ViviTodoDia
    26/05/2014 at 8:24 am (3 years ago)

    Amiga eu fico tão feliz por você! Eu li emocionada cada palavra desse texto, pois eu consigo imaginar o tamanho da sua felicidade ao ver a família . Nunca pensei em ir ao Brasil assim de repente, mas adorei a ideia de fazer uma surpresa! kkkk E a Bellinha gostou? O que tanto ela fez por lá? Beijos

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  6. Gustavo
    26/05/2014 at 7:57 pm (3 years ago)

    Valeu por tudo, cada segundo.
    Amamos vocês.

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  7. Ana
    27/05/2014 at 9:14 pm (3 years ago)

    Que bacana a viagem surpresa! Mesmo que o motivo não tenha sido tão agradável assim. Espero que seu avô se recupere, Rita. Um dia ainda faço isso também, chegar assim de surpresa lá! hahahah Deve ser o máximo!

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