Tinha programado outro post para hoje, mas diante das notícias que se ouviu no Rio Grande do Sul hoje, fica dificil justificar um post qualquer perante tanta tristeza e revolta.
Não gosto de fazer do blog muro de lamentações ou torná-lo pesado, mas as vezes não dá! Sinceramente.
Este blog foi criado pelo meu amor as crianças: estudei sobre elas, trabalho com elas e sou mãe, meu mundo envolve a infância, toda a sua alegria e, principalmente, sua inocência, e é em nome do meu amor de mãe e desta perda da inocência que hoje meu coração ficou triste, de verdade.
O Brasil é um país violento, ok, mas não conheço um pais que não tenha caso de violência contra a mulher, contra crianças, contra animais, a humanidade está perdendo a sua humanidade, cada dia vemos mais maldades, é de cortar o coração da gente. Tento ser otimista e pensar que haverá sempre esperança, no final das contas há sempre pessoas do bem a nossa volta, mas a cada dia me pergunto o que anda acontecendo conosco, com a raça humana. Qualquer animal anda mais humano do que nós ultimamente.
Um menino de 11 anos vai sozinho ao Ministério Público fazer uma denúncia de descaso do pai e da madrasta. Aponta outras duas famílias com quem gostaria de morar, pessoas que ele acredita que gostariam de recebê-lo em suas casas, uma criança de 11 anos tem esta coragem.  Olha, eu escrevo este texto as lágrimas, pois para uma criança pequena, inocente, ter o discernimento de entender que o descaso que o acomete não é justo, e tomar providência de vontade própria, sozinho, é uma coisa que sinceramente não passa pela minha cabeça de mãe.
Hoje, o juiz que cuidou do processo aberto no MP chorou. Fiquei sentida por ele, entendi suas intenções de tentar proteger os laços familiares, como ele mesmo expressou. Chamou as partes, conversou com o pai, tentou remediar o injusto descaso que Bernardo era submetido há 4 anos, desde a “morte morrida” de sua mãe. Pausou o processo por 60 dias para averiguar se o menino teria a atenção que merecia, e hoje….chorou. A justiça não é perfeita, mas neste caso parece que o juiz de fato tomou as medidas cabíveis naquele momento. Como ele mesmo disse, não havia agressão, e sem agressão como tirar do pai a guarda de um filho? Sem outros testemunhos apontando para outras provas que não a mera palavra da criança.
O pai, médico cirurgião bem sucedido, casado com uma enfermeira, mãe de sua nova filha de 1 ano, não é um “leguelé” qualquer, não é alguém que cresceu pobre, sem instrução, alguém que a vida “empurrou” para o mau caminho. Só aí dobra a revolta da gente, pois nos nossos pré-conceitos diários, presumimos que somente os que tem menos usam da violência e da maldade. Sabemos que não, as vezes bem pelo contrário.
Ontem, depois do impensável ter acontecido, conhecidos de Bernardo trazem histórias do seu sofrimento, comentários feitos pelo menino, redações de escola relatando o descaso. Daí reflito: quantos Bernardos não passam por isso? Talvez inclusive no nosso próprio circulo de amigos? Quantas crianças sofrem sozinhas, dando sinais para todos a sua volta, e nós, tãooooo ocupados, não prestamos atenção, e se prestamos, não fazemos nada?
No nosso descaso e eterna correria diária, percebemos algo errado e deixamos para lá, para depois. Ninguém precisa colocar a cabeça a prêmio, você pode fazer uma denúncia anônima, pode tentar averiguar fatos, provas. Uma criança não sabe se defender, mas ela sabe falar, sabe desenhar, sabe escrever redações denunciando com todas as palavras as maldades que tem sofrido.
Talvez a morte de Bernardo seja culpa de todos nós.

6 Comments on Bernardo

  1. Gustavo Correa
    16/04/2014 at 1:13 pm (3 years ago)

    É muito triste este caso, ainda mais porque o menino tinha plena consciência de que não era amado pelo pai.

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  2. Sandra
    16/04/2014 at 1:46 pm (3 years ago)

    Não vi a história. Acho que no Brasil nem teve tanta repercussão assim…

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  3. Anonymous
    16/04/2014 at 3:51 pm (3 years ago)

    Rita, é revoltante.Eu, que estou com o processo de adoção andando a passos de tartaruga, vejo como o nosso sistema legal e estrutura institucional vinculada que deveria proteger as crianças é falha. Absolutamente falha. Há um descompasso entre as pessoas que querem acolher estas crianças e a forma como o sistema "averigua" se há maus tratos ou não. Determinados juízes e promotores só pensam em "aplicar a lei" sem observar as particularidades de cada caso. Sim, de certa forma, somos todos responsáveis, mas uns mais que outros.

    Julia

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  4. Vicente Correa
    16/04/2014 at 10:16 pm (3 years ago)

    Estou acompanhando aqui. Muito triste. Falaste tudo.

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  5. Mãe da Loly
    17/04/2014 at 12:56 am (3 years ago)

    Tb estou com o coração apertado com essa história!!! Nenhuma pessoa merece o descaso de ninguém, mas uma criança?? e do próprio pai?? é de cortar o coração!!!
    mas acredito que agora ele está bem, está do lado da mãe!!! Triste, mto triste!!! mas agora ele não está mais sozinho…
    Uma pena esse ter sido o fim!! A avó materna deve estar com o coração estraçalhado!!!!

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  6. Karina Rezende
    17/04/2014 at 5:13 am (3 years ago)

    Depois desse caso, tomei a decisão de não ler mais nada, absolutamente nada do Brasil! Escolhi sair de lá por um motivo. Prefiro ser alienada às coisas de lá do que me sentir como me senti perante a isso tudo!

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