Chegou a hora, em poucos
dias vou me mudar. Estou há quase 6 meses instalando o piso, ajeitando as
janelas, puxando fio, procurando luminárias, conferindo projetos, tudo isso
para fazer de um apartamento “bruto” o nosso “home sweet home”.
Não estou sozinha nessa
empreitada, tenho comigo meu parceiro de todas as horas e juntos dividimos as
dúvidas, as descobertas, as contas e as expectativas.
Não é fácil, ainda mais se
os novos proprietários não podem/querem gastar muito. Mesmo aquilo que é básico
para tornar a casa habitável fica salgado no final do mês. Mas quem está na
chuva é para se molhar e o resultado, com certeza, será positivo!
Nossa parceria de obras e
instalações conta, ainda, com um time seleto de ajudantes: uma mestre de obras
habilidosa, um pedreirinho muito atencioso e uma governanta querida que gasta
horas do seu dia fazendo companhia para essa novata que, na verdade, prefere
ver tudo pronto num piscar de olhos, ao invés de passar por todas as fases da obra,
desde a encomenda, até o produto final.
Se eu pudesse precisar
exatamente em que fase estamos, diria que já passamos da festa da cumieira,
então, em poucos dias é fechar o caminhão de mudança e tocar para o novo
endereço.
Não é a primeira vez que me
mudo e não foram pequenos os motivos de outras mudanças. Um dia mudamos porque
a família cresceu, outro dia, porque resolvi estudar em outro país – segui um
namorado que resolveu desbravar a academia europeia – e na terceira mudança,
foi para casar com esse tal namorado que faz eu me surpreender a cada dia com
as minhas mudanças.
Seja a mudança de endereço,
da cor do cabelo ou do comportamento, afinal, hoje sei que as pessoas mudam, ao
menos, aquelas que querem mudar, buscam os mecanismos para que isso aconteça.
Mudamos porque aprendemos
com os erros; mudamos porque cansamos do antigo modus operandi que não
dava certo; ou mesmo, porque o mundo na nossa volta mudou e para acompanhar a
evolução, precisamos nos modificar também.
Espero que as mudanças
venham sempre para o bem, sempre para o melhor: para nos libertamos daquilo que
não faz feliz, que não impulsiona para frente e que, ao contrário, remete para
sensações tristes ou negativas.
Vou aproveitar esse momento
para mudar a atmosfera que nos acompanhará: papéis sem serventia, roupas que
não servem mais e cacarecos que estão há mais de ano guardados no armário,
serão encaminhadas para quem faça melhor proveito. Porém, o que puder
repaginar, reaproveitar e reciclar acompanhará a mudança.
O fato é que mudanças fazem
bem, mexem o corpo e exigem reinvenção a cada instante. Aí está a parte boa do
trabalho que dá: confesso não ser “uma metamorfose ambulante”, tenho meus
momentos de comodismo e eles são confortáveis, mas “aquela velha opinião
formada sobre tudo”, também não faz andar para a frente. O desafio é encontrar
o meio termo, é ter medida certa, se é que há medida certa nessa vida, mas
enquanto for necessário, vamos mudando!
Contudo, não posso deixar de
reconhecer o quanto fui feliz nos lares onde morei, o quanto cresci e o quanto
ganhei. Se as paredes das minhas casas falassem, teriam histórias lindas para
contar. Algumas alegres, outras bastante sofridas, mas sou feliz por lembrar
dos momentos que me fazem a pessoa feliz de hoje.
Vi uma vez num filme e uso
para minha vida: “não olhe para trás, não traz boa sorte”. Lembro muito bem
quando fui embora de uma das minhas casas. O táxi arrancou e fiz força para não
olhar para trás, mas quando percebi, estava com o tronco todo virado dando
adeus àquele lugar em que havia sido tão feliz, onde tudo havia dado tão certo.
Esse conselho não passa de
uma superstição barata. É bom olhar para trás, guardar no coração aquilo que
foi bom. Quanto ao resto, é olhar para a frente e ver as transformações que hão
de ser boas também.

4 Comments on Mudanças

  1. Paulinha
    27/03/2014 at 12:26 pm (4 years ago)

    Cheguei no trabalho e fiquei atualizando o blog até ver a coluna da "Maria, Maria"!!! #ansiosa hahuahua…

    É tão bacana se identificar com as coisas que tu escreve! Eu tb saí de casa (um apartamento q foi ficando pequeno, pras pessoas e pras 'tralhas'), mas uma casa onde fui muito feliz e que me remete a muitas coisas boas!
    Passei por todas essas fases… sair da casa dos pais, ir morar com o namorado num apê emprestado (que reformamos todinho)… a compra do nosso definitivo, mais mudança e mais reforma, instalações, móveis… ufa! E também tivemos uma mestre de obras: minha sogra! Hehehe… só o detalhe que nunca casamos! Hahuahua…

    Fico feliz em ler os relatos de uma pessoa feliz, indo em busca de mais felicidade! Tudo se encaixando, dando certo e se virando como dá!
    Olhar para trás, e guardar as coisas boas… quem nunca?! A imagem, a paisagem, as lembranças…

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  2. Wera Corrêa
    27/03/2014 at 2:19 pm (4 years ago)

    Gostei muito do texto. A doutrina espírita, para quem acredita, diz que dentro de casa deve haver movimento. "Entra uma coisa e sai outra". E isso vale tbem para nossa vida, devemos aprender com nossos erros e com os erros dos outros. É assim que crescemos. Nada deve ficar estagnado.

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  3. Gustavo Corrêa
    27/03/2014 at 5:06 pm (4 years ago)

    Muito bom! Sou favorável às mudanças, sempre. Claro que fica uma lembrança do que passou e de onde se passou, mas como já tive oportunidade de falar: saudade é sempre um sentimento bom, não se tem saudade de coisas ruins. Então que se tenha saudade, sim sr.

    Reply
  4. Bere
    27/03/2014 at 11:45 pm (4 years ago)

    Como sempre, adorei o que tu escreveu….também acredito muito nestas mudanças…neste movimento que vai nos lapidando…

    Fiz muitas mudanças na minha vida…profissionais…pessoais..de casa…de estilo…enfim…e quando olho pelo retrovisor gosto do que vejo….e tenho certeza que minha vida tão plena de hoje tem muito a ver com todas estas mudanças que venho fazendo…

    um beijo da tua fã
    Berê

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