Chove em Vancouver, ááá como chove. Parece que tudo o que não choveu nos primeiros meses de inverno, vem chovendo nas últimas semanas. Embora minha filha tenha duas capas de chuva lindas e coloridas, elas não condizem com esta temperatura do ano (ainda), são fininhas, portanto ela não as está usando. Jaqueta de inverno por outro lado, embora emborrachada e vendida como a prova de chuva, nem sempre é. Na última semana, minha filha pegou outra gripe, o que me levou as raias da demência, pois deve ser a décima gripe deste inverno. Depois de trinta minutos brincando na rua, começou a chover, nada de mais , aquela típica chuvinha molha bobo, as crianças brincaram 10 minutos na rua e entraram para dentro da escola.
Jaquetas ensopadas.
Cabelos ensopados por baixo de touquinhas de inverno.
Quem tinha jaqueta de inverno acabou com ela molhada, e quem estava com jaqueta a prova de chuva até nem estava tão molhado, mas estava louco de frio, pois elas não são grossas.
E agora?
Lá fui eu para o shopping para procurar uma jaqueta de chuva perfeita para a minha filha, aquela que teria mais potencial que as outras: emborrachada para não molhar, mas mais quentinha por dentro. Julguei uma tarefa fácil.
Entrei em três lojas e comecei a ficar irritada, mas não conseguia explicar direito o porquê da minha incomodação. Daqui a pouco parei no meio da loja, olhei para um lado, olhei para o outro e me dei conta.
Que lojas sexistas!
Fiquei indignada.
As três lojas tinham setor infantil bem recheado de coisas lindas e com preços ótimos, como geralmente acontece no Canadá. Produtos de marca, produtos sem marca, bastante variedade, mas achei o que eu queria? Quase não achei.
O setor dos meninos super completo, muitas camisetas, calças jeans, muitos conjuntinhos que no Sul chamamos de “abrigo”, aqueles conjuntinhos de calça e casaquinho de moleton sabem? Jaquetas para chuva, jaquetas de meia estação, casaquinhos com zíper, fiquei encantada dentro da minha “bolha”, achando que encontraria o mesmo há três passos no setor das meninas, mas quem disse?
A variedade das roupas das meninas se dividia em blusinhas, sainhas, maiôs (hello, não é verão ainda) e muitos, muitoosss vestidos. Tipo um milhão de vestidos. Sai caminhando pela loja irritada comigo mesma, por não estar achando a arara dos “abriguinhos”, das jaquetas de chuva, das roupas confortáveis.
Tá, então!
Menina só brinca de boneca dentro de casa e veste vestido?
Rua? Nunca!
Chuva? Never.
Correr e brincar feito moleque? Nem pensar.
Meninas estão fadadas ao sofá com sua bonequinha loira e de olhos azuis.
Senti naquele momento um leve mal estar, sensação de injustiça, pois minha menina gosta de bola e de correr na chuva, ela não precisa andar montada num vestido todo santo dia. Me poupe.
Tá na hora deste setor abrir os olhos, gente!
Será que quem faz a curadoria destas lojas não tem filho não?
Pior, não sabem que as meninas atuais gostam de brincar de verdade?
Minha filha usa vestido sim, mas não todos os dias, e muito menos na escola!

4 Comments on Sexismo em lojas infantis

  1. Gustavo Correa
    19/03/2014 at 4:50 pm (3 years ago)

    que barbaridade, mas posso imaginar que seja assim.
    é tudo muito estereotipado, até as roupas que devem ser um padrão imposto por sei lá quem.

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  2. Pauline Incutto
    19/03/2014 at 5:50 pm (3 years ago)

    Já tentou compra um mimo pra sua amiga que acabou de descobrir que está grávida?
    Impossível!!!
    É tudo rosa ou azul!

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  3. Lahna
    19/03/2014 at 5:57 pm (3 years ago)

    É realmente muito triste pensar que as meninas possam ficar limitadas por causa das roupas. Também não gosto disso. E minha filha também adora uma rua, chuva, lama e tudo o que tem direito.
    Pra resolver a situação imediata, se realmente não encontrasse uma alternativa pra meninas eu compraria uma roupa de menino pra ela, sem problemas.
    Mas para resolver o problema mairo, da indústria de moda infantil e o sexismo e suas consequencias acho que vale sim uma reflexão maior, pra ver se serve como wake up call pra essas marcas.

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  4. Sandra
    20/03/2014 at 2:31 am (3 years ago)

    Eu acho que não me importaria em comprar para minha filha "roupa de menino"…

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