Há 2 semanas eu e meu marido assistimos um documentário fantástico sobre Kevin Pearce, um dos snowboarders mais promissores dos Estados Unidos. Acho que um filme nunca me fez refletir tanto antes. Talvez porque hoje eu seja mãe e tenha me tornado mais vulnerável, talvez por tê-lo assistido depois de tudo o que passamos 4 anos atrás, não sei explicar bem por quê. Eu sempre gostei de documentários e biografias, acredito que a nossa vida de verdade pode ser muito mais interessante e emocionante que a vida de personagens literários ou de cinema.
O filme começa mostrando a história de talento e vitórias de KP – Kevin Pearce, um garoto americano que com apenas 17 anos já vencias torneios e recebias contratos de 400 mil dólares de patrocinio no esporte, por meros 3 meses de exposição na mídia. Kevin e seus dois irmãos mais velhos, todos snowboarders, vem de uma família unida, amorosa, onde os pais educaram seus filhos ativamente desde pequenininhos, mesmo com o negócio do pai, a marca Pearce, de cristais artesanais de luxo, com lojas em Manhatan e afins. As imagens da família em casa são emocionantes durante todo o filme, e mostram como o relacionamento de todos era lindo e sadio, com os irmãos mais velhos protegendo o mais novo, com Sindrome de Down. Uma daquelas famílias que você pensa que jamais nada dará errado, vida de comercial de margarina.
Kevin estava no auge da fama, competindo arduamente contra Shaun White, o snowboarder mais aclamado do mundo. Kevin e Shaun, também conhecido como o tomate vermelho – se conheceram com apenas 9 anos de idade, e nutriram uma relação de amizade e depois de muita competição e dessabores conforme foram crescendo e se tornando atletas profissionais. Os dois estavam se preparando para as Olimpíadas de Vancouver de 2010
Mas o acaso tinha outros planos e Kevin não pôde competir nas Olimpíadas. Kevin se acidentou em um treino e em um dos saltos no halfpipe de montanha de Utah, Kevin caiu de cabeça no gelo e sofreu TCE – Trauma Cranioencefálico. Passou dias em coma em estado crítico e passou mais de 2 anos e meio em recuperação, na esperança de poder voltar a competir profissionalmente.
É aí que o filme se desenvolve de maneira muito sensível e chocante, pois você acompanha os sentimentos e conflitos do atleta, consigo e com sua família, em tudo o que implica ele tentar voltar as pistas de gelo.
Kevin dando uma palestra
Fiz um paralelo entre este filme e a maternidade:
Mostra de forma sensível como vivemos constantemente os obstáculos da vida, hoje tudo está bem e amanhã a sua vida está de cabeça para baixo. A nossa saúde, a saúde de quem amamos, é o mais importante de tudo, assim como a nossa segurança, a segurança dos nossos filhos. Kevin já era quase um homem feito, e em um momento de crise, com ele se recuperando de uma extensa lesão no cérebro, a sua família era responsável pela sua segurança, mesmo quando ele demonstrava vontade de voltar ao esporte, se arriscar novamente.
Como mãe, me coloquei no lugar dos seus pais, tentando dar esperança ao filho mas ao mesmo tempo sendo realista com a gravidade do seu estado. Um dos momentos mais emocionantes do filme é quando o irmão mais novo, com Síndrome de Down, expressa lindamente, toda a preocupação da família. Pai, mãe, irmãos, cheios de dedos para dizer a Kevin o que realmente achavam dos seus riscos, ao contrário do irmão mais novo, sem papas na língua, demonstrando com toda sua honestidade e amor de irmão o quanto Kevin significava para a família e o quanto ele não queria que o mesmo acidente acontecesse novamente.
Kevin tem a sorte de ter uma família muito unida. A impressão que se tem é que são uma pessoa só, de tão ligados, as conversas a mesa são parte inesquecível do filme, conversas profundas e dificeis que todos nós temos em algum momento da vida, seja sobre um problema de saúde ou não. O irmão mais velho chegou a largar sua profissão de snowboarder profissional para cuidar do irmão e estar ao seu lado 24 horas do dia. Emocionante demais!
Kevin também teve a sorte de ter ao seu lado seu grupo de amigos fiéis, que se denominaram FRENDS, assim mesmo, faltando o í, em alusão aos nomes da trupe. Todos completamente malucos, atletas, dão o ar engraçado que o filme tem em alguns momentos.
Em momentos dificeis da nossa vida, o grupo de apoio que você tem determinará como você enfrentará suas batalhas e como sairá lá do outro lado do túnel. Mensagem linda do filme.
Um documentário muito sensível, que certamente marcará qualquer um que assisti-lo.
Duas lições que tirei deste filme, ou melhor, duas reflexões que o filme faz você sentir:
  • O que aconteceria se você tivesse que desistir da coisa que você mais ama na vida?
  • Como mãe, há uma tênue linha entre deixar seu filho fazer tudo o que ele tem vontade, e não permitir que ele coloque sua vida em risco. As conversas de Kevin com sua mãe são as mais sensíveis, as que mais mexeram comigo. Que família linda.
Recomendo D-E-M-A-I-S este documentário.
É sim um filme sobre o esporte snowboarding, mas é principalmente um filme sobre paixão, sobre lutar a maior batalha da sua vida, mas principalmente sobre família.
Site oficial de Kevin, que hoje tem uma Fundação para pessoas que sofreram de trauma no cérebro.
Aqui o trailer!
Tomara que tenha disponível com legenda em português!

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4 Comments on Kevin Pearce – Aceitando seus limites

  1. Gustavo Correa
    12/03/2014 at 6:53 pm (4 years ago)

    Tem no Netflix Brasil.
    Hoje à noite estarei solito em casa, já vou assistir 🙂

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  2. Juliana
    12/03/2014 at 7:45 pm (4 years ago)

    Nunca vi o filme, achei muito linda a história e estou super a fim de assistir. Gostei dos pontos que você destacou no contexto. A questão da força na família pra vencer os problemas 🙂 Vou amar essa filme!

    Beijos!

    Reply
  3. Karina Rezende
    14/03/2014 at 4:50 am (4 years ago)

    Posso te pedir um favor de amiga????
    Recomende mais filmes, séries…
    Temos o gosto mega parecido! Assisto TUDO que você recomenda, TUDO mesmo e até hoje, a única coisa que eu não gostei foi Revenge!!!
    Vou assistir hoje a noite!!!!!

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