“Andá
com fé eu vou, que a fé não costuma faiá! A fé tá na manhã; a fé tá no
anoitecer, no calor do verão… A fé tá viva e sã, a fé também tá prá morrer.
Certo ou errado, até a fé vai onde quer que eu vá; mesmo a quem não tem fé, a
fé costuma acompanhar”.
Mais
uma vez, não estou obedecendo a nenhum padrão literário, que me desculpe o
compositor, mas o mais importante nesse momento, é não perder a fé.
Não
importa fé em que: pode ser em um deus todo poderoso, onipresente e onipotente;
pode ser na deusa dos mares ou em Zeus, o deus de todos os deuses; Jesus
Cristo; Alá; Jeová, tanto faz sua crença, religião ou a filosofia de não ter
nenhuma filosofia de vida, hoje quero ter fé no bom senso das pessoas.
Ando
cansada de “treta”, “jeitinho brasileiro”, “burla do sistema”, “sistema
excessivamente burocrático”, “falta de cumprimento de regras básicas de
convivência”.

pensei em virar hippie e viver do que a natureza oferece. Largar o
trabalho, o carro, desvencilhar-me do sistema com o qual não concordo e fazer
minha própria lei: a lei da paz.
O
problema é que, embora a mãe natureza me proporcione o encontro comigo mesma,
com meus instintos mais primitivos e salutares, ela não disponibiliza um filme
no cinema, um ambiente quentinho e aconchegante no inverno ou um belo
espetáculo de arte.
Tem
outra alternativa também: virar eremita. Meu problema são as pessoas. Ando
cansada de gente que tira vantagem no trânsito, gente que suga um sistema
falível, gente que alivia suas frustrações pessoais invadindo a liberdade de
seus semelhantes. Isso mesmo, semelhantes, ninguém é melhor que ninguém.
Mas
essa também não é uma solução eterna, um dia vou precisar voltar! Vou me sentir
muito sozinha, ou precisar de cuidados médicos, ninguém consegue muita coisa
sozinho!
O que
fazer? Andar com fé. Um grande irmão meu, me disse ainda essa semana, “não
podemos nos entregar”.
É
verdade, estou cansada, até meio exausta de frustrações que vem de fora, as
quais não posso evitar, mas não podemos nos entregar! Estamos todos nadando
tanto e, sinceramente, morrer na praia não é o melhor final, embora possa ser o
mais fácil.
Nessas
horas costumo olhar para trás, pensar na História que nos precede e vejo que,
não em 10 anos, nem em 100, mas a humanidade evolui com o passar do tempo. Há
algum tempo atrás, mulher era objeto, trabalhador era escravo e político era
corrupto. Opa, ainda hoje político é corrupto! Mas já não são todos… Talvez
99% ainda seja (desculpem meu pessimismo), mas o fato é que, a passo de
tartaruga, a humanidade está mudando.
Volto
a dizer, o problema são as pessoas… Ou talvez o ego das pessoas. Falta
humildade em geral e vejo que vem sobrando arrogância. Eu mesma estou em busca
do meu meio termo. Não posso passar por cima de tudo e de todos para realizar
meus desígnios, mas não quero ninguém montado nas minhas costas, oras!
Que
fé é essa, a minha, que tento pregar, mas eu mesma a deixo abalar?
Essa
fé se chama esperança. Esperança de que ali na esquina tem um homem tão correto
como são meu pai, meu irmão e meu marido. Tenho esperança de que essa gente
está revoltada como eu, mas ainda na luta para se sobrepor
às maçãs podres do cesto.
E é
isso mesmo, tem muita gente “ruim” por aí, mas se olharmos com mais atenção e,
transcendendo meras embalagens, reconheceremos nossos semelhantes e a eles
poderemos nos juntar, quando não, neles nos espelhar.
Ora
essa, nada de se entregar! Vou seguir com fé, tenho exemplos bons perto de mim
de gente “que não foge da fera e enfrenta o leão”. Vou acreditar em mim e “na
rapaziada que segue em frente e segura o rojão”, o resto é o resto e terá de se
adaptar.

7 Comments on A coisa vai melhorar

  1. Gustavo Corrêa
    27/02/2014 at 12:07 pm (4 years ago)

    Sinto uma veia mais politizada na Maria, Maria. Claro, tem uma hora que cansa tudo isso, mas gosto da ideia do "andar com fé eu vou…".

    Reply
  2. Paulinha
    27/02/2014 at 2:14 pm (4 years ago)

    É vero… tudo isso!
    Eu sempre tento ver o lado bom das coisas, levar na esportiva… mas ultimamente o negócio tá complicado!
    Políticos, trânsito, protestos, assaltos, injustiça, copa… aiai… só de citar, dá um ruim… Vontade realmente de sumir do mapa!

    Mas temos q aprender a lidar com isso tudo, engolindo sapos e tentando fazer a nossa parte. Eu juro q tento fazer a minha… e tento levar na esportiva, por exemplo, o fato de ter quase certeza, do flanela que colocou um parafuso pra furar meu pneu, pq eu não quis dar um 'gorjetinha' antecipada pra ele.

    3 f's: Força, Foco e Foda-se!
    Hahuahua…
    Só pra dar uma quebrada na seriedade do assunto!

    Ps: bem fez a Rita… teve coragem, vontade e foi morar num lugar decente! Admiro muito isso!

    Reply
  3. Sandra
    27/02/2014 at 2:31 pm (4 years ago)

    Me vi neste texto. Cansada de jeitinho, de esperteza, de corrupção do "tirar vantagem" de tudo, do tratar o que é público como sendo seu e não de todos… Mas ao contrário da Maria, nunca quis me isolar, tornar eremita, porém o isolamento talvez já aconteça, já que por isso acabamos selecionando mais com quem convivemos…

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  4. Tereza Barros
    27/02/2014 at 4:01 pm (4 years ago)

    Nossa. É isso mesmo! As vezes é difícil manter-se de pé e com esperança de que as coisas. Esta tudo banalizado, a violência, a politica, a vida! É triste mas temos que buscar forças sobrenaturais para não se deixar abater.

    Reply
  5. Rita
    27/02/2014 at 6:14 pm (4 years ago)

    É complicado mesmo.
    Eu moro fora faz tempo, mas eu sempre digo que nao existe pais com cultura mais linda, pessoas mais queridas, que dao os melhores abracos e beijos, que sao amigas, animadas, divertidas, que sao amadas no mundo inteiro. Voce diz brasil e os estrangeiros se derretem, nao importante de que nacionalidade ele for, ele ama o brasil.

    Mas se somos tao legais em tudo, quase tudo, por que as coisas estao como estao?
    É dificil explicar, é facil culpar os politicos, o governo, mas a gente sabe que no fundo, embora a culpa seja sim em grande parte deles, a culpa tambem é nossa.

    Eu ja tive varias conversas com meu marido sobre como eu sou "street smart" e me gabo de nunca ter sido assaltada no Brasil (so um exemplo), pois eu to sempre de antena ligada, a figura foi e eu ja fui e voltei 10 x, to sempre na espreita, para me protegerm enfim, e isso acaba acontecendo aqui tambem, quando na haveria necessidade.

    A constante "antena" ja cresce conosco desde bebes, somos criados assim, crescemos assim, com medo da violencia, da maldade, de nos passarem a perna, estamo sempre nervosos, irritados, parece sequela da doenca que os politicos inflingiram na gente.

    E hoje nao importa que more no Canada onde posso sair e deixar a porta de casa aberta que ninguem vai entrar, mas esta "coisa" esta enraizada.

    Só com fé mesmo, quem sabe se todos tivermos fé a coisa vai para frente?
    beijo
    Rita

    Reply
  6. Wera Corrêa
    27/02/2014 at 8:03 pm (4 years ago)

    Eh isso aih, falou e disse. A coisa vai melhorar. O que observamos no nosso dia-a-dia eh, a meu ver, eh desalentador, por tudo isso que falaste, mas temos que olhar para tras e ver o que ja conseguimos, os amigos que conquistamos, a familia que temos e o muito que sabemos que vamos conseguir. E, apesar da massa que nos rodeia, sabemos que fazemos a diferenca e que temos a firme conviccao de que A COISA VAI MELHORAR. Esse texto expressa, nos dias de hoje, o sentimento da grande maioria. bj

    Reply
  7. Rosângela Tolotti
    28/02/2014 at 1:51 am (4 years ago)

    Dale, Maria, Maria… fé e esperança, uma o combustível da outra e as duas juntas não falham mesmo!

    Reply

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