Quem
nunca acordou, em um belo dia de céu azul, sem vontade de falar com ninguém?
Quem nunca? E sem razão nenhuma para tanto?
Quem
nunca perdeu a paciência com a disposição das pessoas de sempre terem uma
pergunta (ou uma resposta) para tudo?
Não
precisamos, necessariamente, estar passando por um momento de vida difícil,
para não querermos sociabilizar, vez em quando. Da mesma forma, não precisamos
estar no auge da paixão para recitar o Soneto da Fidelidade em alto e bom tom.
Sendo
assim, têm momentos em que o ser humano quer, sim, recolher-se dentro de sua
bolha; entrar para dentro da concha e sair não sei quando. Nem sempre isso é
possível, principalmente se seu trabalho for com vendas, por exemplo. Durante a
semana, imagino que professores não possam se permitir esse luxo!
Gosto
muito do sentido da letra da música “Me deixa desafinar”, isto porque me
identifico muito com o conteúdo! Sério, me deixa desafinar!!!!!!! Eu tenho
direito, eu tenho defeitos! Não sou e não quero ser perfeita 24h por dia.
Devo
ser polida no trabalho, cortês com meus semelhantes, mas às vezes, só quero
ficar dentro de mim e para mim. “E essa não é sobre amor”. Já foi o tempo em
que alguém ficava silencioso e pensativo por estar apaixonado ou sofrendo por
amor. Quero ficar quieta porque é confortável ficar dentro de mim mesma, busco
minha energia interna e, dentro de alguns dias, talvez algumas horas, estou
pronta para o mundo novamente.
Minutos
de silêncio fazem bem para mim e para os outros, também. Acreditem, às vezes o
silêncio é apaziguador. Ter opinião sobre tudo me cansa. Não consigo ter, não
quero ter.
A
era das redes sociais faz com que todos sejam opinionistas. Gostam de dar seu pitaco sobre a guerra no Irã, sobre o
preço do tomate, o novo pacto econômico na Europa, a cor do vestido da
celebridade, o comportamento reprovável da pobre celebridade… Aff… Nesses
casos, a errada sou eu: eu que não freqüente as redes sociais se quero ficar
só, oras!
Mas
não é sobre solitude ou sobre solidão a que me refiro. Quero chamar a atenção
para uma palavra um pouco esquecida nessa vida louca que corre no relógio:
permissão.
Quero
me permitir mais. Quero me permitir desafinarrrrrrrrrrrrrrrrrrr (por favor,
ouçam a música) ou quero me permitir silenciar, depende do ânimo.
Quero
poder, quando vejo algo que não gosto e que não tem jeito nem com milagre,
ecoar um palavrão bem cabeludo, daqueles bem feios, mesmo, porque, quando usado
da maneira certa e moderada, é libertador. Evita dor nos ombros.
E
quando for para exaltar o dia lindo que faz lá fora, mesmo sem nenhum
acontecimento especial, quero cantar bem alto, bem desafinado, sem oprimir
minha voz que é alta e estridente.
Tenho
a mistura de sangues quentes e intensos, preciso gritar, desafinar, mas também
preciso de meus momentos de paz interior.
Quem
vai entender? Será esse o universo de toda mulher? Ou têm muito frio, ou muito
calor? Ou o ser humano em geral tem suas oscilações?
Não
houve quem pudesse definir ou enquadrar a psique humana. Há por aí algumas
teorias, um tal de Froid e companhia,
mas rotular sentimentos e comportamentos é impossível.
Até
onde é correto ser tão contido? Há pessoas que são contidas por natureza, são
mais introspectivas e, para estas, deve ser muito difícil “desafinar”. E até onde
é errado fazer o que se quer da vida? Falar aos quatro ventos e gritar por aí?
O que é certo e o que é errado? Qual a medida?
A
resposta é muito simples: não sei e ninguém sabe! Mas um alguém que eu não tive
a alegria de conhecer disse, mais ou menos, assim: a tua liberdade termina onde começa a do outro. Quem sabe o segredo
não está por aí, bem pertinho de nós?
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1 Comment on “Me deixa desafinar”!

  1. Paulinha
    30/01/2014 at 12:02 pm (4 years ago)

    Adoro essa música! Hehehe…
    Bah, passo muito por isso… só quero ficar quietinha no meu canto de vez em qdo… eu tô (quase) sempre de bom-humor, falante, piadista e tal… mas às vezes só quero ficar na minha. Isso acontece principalmente no trabalho, onde surgem os mais diversos assuntos e nem sempre eu quero, ou me interesso por assuntos aleatórios, coloco meus fones pra (tentar) me isolar.
    Nesse momento, com a paralisação dos ônibus, tô eu aqui sozinha, feliz da vida… ouvindo a minha música (sem fones) e desafinando muito! Hehehe… só tenho que me policiar, afinal eu lido com público! Daqui a pouco entra um advogado e acha q eu tô loka! Hahuahuau…
    =D

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