Então chegou o verão, a
estação dos novos romances. Tudo aquilo que deveria ter iniciado na primavera,
não passa do verão sem acontecer. Aquilo que foi resfriado no inverno, ou
amornado do outono, com certeza, ganha vida no verão.
Ele é assim, chega com tudo;
quando percebemos, já estamos tomados de calor, de vivacidade, de vontade!
Enquanto na estação das
flores a cidade exibia um arco-íris de cores e perfumes, hoje, no verão, os
tons são fortes, à exemplo do vermelho dos Flamboyants. O cheiro que
paira no ar é de sal e de suor.
Até para aqueles que não
suportam o calor e preferem viver somente no inverno, o verão traz suas
bençãos, liberta o espírito e seca os mofos.
Quem não tem um amor,
atenção! Eis o momento de arranjar! No verão, os sentidos se afloram, aquilo
que não era tão bonito passa a ser e conseguimos ouvir com mais atenção a voz
que vem daquele órgão/instrumento que pensa o que quer, o coração.
E para os casais que já se
formaram em outros verões, o sol quente e escaldante também brilha. É tempo de
renovar, de procriar e de aceitar .
Ouvi alguém falar em
“simplificar” e penso ser isso que devemos fazer: simplificar.
É preciso aprender a
absorver da vida apenas aquilo que ela traz de bom e de digno, o resto, melhor
descartar.
Alguns nós também se desatam
no verão e abrem espaço para novos laços, esses mais suaves e mais merecedores
de nossa energia. E assim vamos indo nessa onda de calor que ultrapassa a
sensação térmica tolerável por nós seres humanos: os dias passam, pessoas vem,
outras se vão e com estas pessoas, “se vão e se vem” os nossos conceitos.
Aquilo que era tão importante, já não parece mais precisar de tamanha atenção.
“Relativizar” combina com
verão. Precisamos relativizar algumas daquelas que eram nossas maiores
prioridades, mas agora nos parecem algo difícil de concretizar. Tornaram-se
difíceis, porque já não interessam tanto assim ou, simplesmente, porque a Dona
Humildade e a Dona Razão nos chegaram delicadamente e disseram: deixa
passar, não é para ser como queres… Não é mais para ser como já foi. A vida
não é estanque, é feita de fases; determinadas situações vão embora para dar
espaço a outras que precisam acontecer!
Pois então a existência, por
vezes, é preto e branca, por outras, é colorida. Silenciosa ou barulhenta. Do
plantio ou da colheita. É volátil ou muito sólida. É materna ou infantil. É
namoradeira ou recatada.
Quando aquilo que era muito
bom começa a ser difícil, talvez seja o momento de relativizar e buscar. Buscar
novos ares, novos amores. Não me refiro apenas a lugares diferentes ou a novos
romances, quero falar também de novos conceitos, de novas leituras, novas cores
de roupa, novos gostos e novas crenças.
Raízes dão força, estrutura
e, acima de tudo, dão norte. Mas as asas querem dar o novo, querem adubar,
querem podar e querem fazer evoluir.
E assim são as estações do
ano: (ao menos em algumas partes do globo) elas mudam a temperatura, as cores e
o ânimo.
Que o verão nos sirva para
provar mais, para sentir mais, para permitir mais, mas também, para simplificar
aquilo que ficou difícil.
Para conhecer a Maria, Maria clique aqui.

2 Comments on O Verão

  1. rita
    10/01/2014 at 5:06 am (3 years ago)

    Querida Maria, Maria

    Espero ansiosamente pelo meu verão, que ainda está longe, mas já já chega.
    Beijinhos
    Rita

    Reply

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