Já ouviram falar em geração sanduíche? Minha mãe trouxe este tema algumas vezes em nossas conversas e tomei a liberdade de pedir para ela escrever a respeito para que eu pudesse compartilhar aqui no blog. Qual a opinião a respeito de vocês?

Por Wera Corrêa


“Li há algum tempo um livro
onde se falava, com muita propriedade, sobre a Geração Sanduíche, caracterizada
por gerações como a minha – eu que já sou avó.
Por que dizemos
“geração sanduíche”? Porque fomos bastante oprimidos durante a
infância, nada era permitido, os filhos deviam obediência, sem questionar
muito.  O pai falava e estava dito.
Nunca fui uma criança de
fazer muitas travessuras, mas algumas vezes ganhava corretivo, principalmente
quando não queria comer.  Levei muitas reprimendas e algumas palmadas
“corretivas”.  No dia seguinte, a mesma confusão na hora de
comer.  Chorava, gritava, apanhava e terminava comendo.  Então me
pergunto: se sabia que iria apanhar, por que não comia?  Vá entender.
Quando me deparei como mãe,
eram outros tempos, tudo era permitido. Os filhos questionavam, faziam
prevalecer a sua vontade e os pais ficaram meio que acuados. Foram reprimidos
em sua infância e hoje tinham que ser mais condescendentes.  Onde está o
meio termo? 
Li, certa feita, um jovem
ex-drogado dizendo que teria preferido um pai severo a um pai omisso.
Qual é o papel de um pai? Certamente não é ser somente um amigão.  É
saber orientar, dar um norte, estar disponível para o filho se sentir à vontade
para chegar nele a qualquer momento. Não tem certo ou errado. Se usarmos o bom
senso e o coração, teremos todas as condições de criar um ser humano de bem.
E o que vejo hoje em dia, na
condição de avó?  Vejo pais meio perdidos, delegando a responsabilidade
dos filhos para terceiros. Aí permito-me indicar um livro que li há pouco,
maravilhoso e que recomendo: Sociedade dos Filhos Órfãos. Os pais alegam falta
de tempo.  Tempo se encontra, li numa entrevista onde um médico dizia que
“quanto mais ocupada era a pessoa, mais tempo encontrava”. É saber
administrar o tempo.
Vejo uma boa parcela dos
adolescentes meio perdida, não leem, não têm foco, preocupam-se com futilidades.
 Vejo meninas se vestindo e se maquiando como se fossem adultas e fico
pensando: como irão se vestir ou se portar quando forem adultas?   Vejo
mães imitando as filhas adolescentes, tanto na roupa, quanto no comportamento.
Vejo mães fazendo de suas filhas, suas confidentes. Repito, pais não podem ser somente amigões dos filhos, devem ter pulso para disciplinar, orientar e amar.
Criei meus dois filhos
sempre trabalhando fora, deixando um turno na creche e outro em casa com uma
pessoa que cuidava deles.  Viajava a trabalho e nunca me descuidei deles.
 Muito diálogo e muito amor. Elegemos um local em casa que era o nosso
cantinho para tratar de assuntos sérios.  E hoje quando ouço meu filho
dizer que devo me orgulhar da edução que dei para eles e que o que ele é hoje
deve muito a mim, me sinto gratificada.
O que mais uma mãe poderia
desejar?  Permito-me dizer que tenho muito orgulho de mim e dos meus
filhos, pelo que são e pelas famílias que estão construindo.”


P.S – Rita falando

Mazáááá….minha família tem talento ou não para escrever? Podíamos até escrever um livro em família em pessoal?

5 Comments on Geração Sanduíche

  1. Gustavo Corrêa
    16/12/2013 at 4:47 pm (4 years ago)

    Eu não sei qual o certo ou o errado. Não sei nem mesmo se tem certo ou errado. Só sei que a nossa mãe nos educou bem 🙂
    PS: baita puxa-saco.

    Reply
    • rita
      16/12/2013 at 7:29 pm (4 years ago)

      Fala sério, nós somos 100% PERFEITINHOS!

      Somos tão combinandinhos que nossa mae , sem querer, nos ensinou a não gostar de café, de chá, nada de bebida quente….só de Nescau….:)

      Brincadeiras a parte,

      Somos perfeitos, mesmo.
      Beijo

      Reply
  2. Anonymous
    16/12/2013 at 7:15 pm (4 years ago)

    Que lindo texto, D.Wera! É engraçado pois o seu estilo de texto parece o da Rita (ou o dela que deve parecer o seu…rs). Acho que fazer um bom trabalho com os filhos é, acima de tudo o "óbvio", isto é, assumir a condição de "pais". Isso que não se assume, pois é mais fácil ter babá educando, escolinhas e delegar, delegar e delegar. Sou muito grata à educação que recebi de meus pais, que sempre me trataram como filha, e hoje – aos 35 anos – posso dizer que considero, sim, minha mãe a minha grande amiga. Mas hoje somos duas adultas que se respeitam na situação de igualdade que é próprio das amigas. Antes disso, porém, foram muitos "nãos", muita autoridade amorosa da parte dela e de meu pai para conseguirem realmente educar a mim e ao meu irmão. Belo texto e parabéns.

    Julia

    Reply
    • rita
      16/12/2013 at 7:27 pm (4 years ago)

      Julia, amei o teu comentario.

      Sim, eu acho que eu cresci vendo o jeito da minha mae escrever e puxei a ela. Ela escreve assim desde sempre nos nossos albuns de fotografia, aprendi com ela 🙂

      Eh facil mesmo delegar, a gente fica tao cansado a noite, so quer descansar, relaxar e aproveitar os filhos nas poucas horas que temos, mas lidar com a culpa da falta de tempo não é culpa da criança, nao deveria ser negada a ela a figura dos pais de verdade, aqueles que mandam, que ensinam, para um mero cargo de amigo.

      E depois de crescidos viramos melhores amigos dos nossos pais, tudo na sua hora.

      Beijocas mil

      Reply
  3. rita
    16/12/2013 at 7:25 pm (4 years ago)

    Adorei este texto, é muito verdadeiro.

    Hoje nós somos BFF's como diz a Bella, best friends forever, mas quando você está crescendo voces tem mil amigos, mas somente 1 mae, e se a mae passar esta ideia de que tambem é amiga….e o pai é mais coração mole como geralmente são, os filhos crescem sem um referencial de adulto, de alguem que teoricamente deveria saber mais da vida do que ele.

    Tu sabes como eu sou durona com a Bella, tu mesma acha que as vezes eu sou durona demais com ela, mas se ha 34 anos, quando tu foi mae pela primeira vez, quando eu nasci, as coisas ja eram complicadas, hoje esta nova geração é muito mais dificil, se eu não for durona agora com ela, se ela nao aprender o certo do errado agora, vai aprender quando?

    E por mais que eu seja "madrasta" as vezes, durona, disciplinadora, a coisa que eu mais amo no mundo é quando a Bella diz

    "Mommy you are my best friend"

    POis mesmo comigo enchendo o saco, ensinando, dizendo 100 nãos para cada 01 sim, mesmo assim, ela segue me achando a melhor amiga dela, o que prova que podemos ser pais duroes e ainda assim ganhar a medalha de ouro de melhor amigo no coracao dos nossos filhos.

    Nao precisamos ser amiguinhos para sermos considerados amigos.

    Adorei o texto, acho ate que vou te contratar!
    Quem sabe uma coluna no final de semana :"Papo de Avó"

    Vai pensando…..

    Beijinhos
    Rita

    Reply

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