Quando
pequena, adorava o dia do meu aniversário. Entrava novembro e eu já começava a
anunciar a chegada do mês mais legal do ano, porque era o mês do meu
aniversário.
Novembro
é um mês colorido, têm muita cor e flor espalhadas pela cidade, a primavera
está em alta, mas também está se despedindo e abrindo alas para o verão, a
estação mais apaixonante entre todas. Sinto cheiro de Natal nas árvores e, de
quebra, no finalzinho do mês, as atenções do mundo inteiro se voltam para mim.
Meu
pai sempre transformou “meu dia” em algo muito especial. Começava a fazer
brincadeiras e piadas com a idade que eu estava por completar com, no mínimo, duas semanas de antecedência. E depois do dia 28, as
referências continuavam até entrar dezembro. Até hoje ele não aguenta entrar a
meia noite sem me abraçar ou, ao menos, me ligar. A criança do meu pai é bem mais
divertida e ingênua que a minha e não se deixa abalar nem com 60 anos de idade.
Que delícia de pai.
Quanto
às atenções do “mundo inteiro”, esta era a minha crença até o dia em que
resolvi crescer. Aliás, eu não resolvi crescer; um dia o tempo olhou para a
minha cara e disse sem nenhuma delicadeza: tu não tens mais 15 anos. E
de lá, só foi! Entrei na casa dos 20, comemorei quase todos os anos rodeada dos
que amo e isso sempre me satisfez.
Até
que, mais uma vez, o tempo impiedoso veio me
dizer que o fato de estarmos de aniversário, não nos poupa de dissabores, de modo que em algumas destas datas,
passei por tristezas e frustrações como se fosse um dia qualquer.
Claro!
Já não era mais criança e meus pais já não tinham mais o poder absoluto de
fazer do meu aniversário um dia intocável. Esse é um dos ônus de criarmos asas,
nossos pais já não conseguem nos proteger dos incidentes inerentes ao dia a dia
de um adulto, por mais que tentem.
E
foi assim que o dia do meu aniversário passou a ser um dia comum para mim. No
trabalho, o pessoal quer cantar parabéns e “exige” uma torta para ser
distribuída pelos colegas. Isso costuma me constranger.
Como
foi um dia como outro qualquer, chego em casa um pouco cansada, mas ainda
assim, quero receber meus amigos e jantar com minha família. Mas a verdade é
essa: é um dia comum para todos! Todos tiveram suas rotinas, todos estão
querendo chegar em suas casas e descansar para o dia seguinte, mas todos os
meus amigos separaram algumas horinhas do seu descanso para me dar um abraço
afetuoso. E isso faz reacender em mim aquela criança que acreditava ser o
centro das atenções no dia do seu aniversário. Por alguns segundos, chego a
lembrar como era gostosa essa sensação.
Por
outro lado, o aniversário marca um acontecimento infalível: o passar dos anos.
Estou ficando mais velha, adquirindo linhas de expressão, minha cintura já não
é a mesma e a gravidade pega! Acreditem, tudo cai! Basta nascer para começar a
envelhecer.
Ano
passado, quando fiz 29 anos, cheguei ao cúmulo de comemorar com uma enorme de
uma festa. Teve convite formal, salgadinhos, docinhos, DJ, garçom e muita
gente. Tudo isso com um simples propósito: não queria comemorar no ano seguinte
a chegada dos 30. Estava com medo do peso da idade. Estou, para sempre, saindo
da casa dos 20 e sei que para os “enta”, é só piscar o olho.
Mas
agora, a um mísero passo dos 30, não tenho mais medo. Se já tenho alguma rugas,
foi porque não poupei olhares para o brilho do sol e porque passei por emoções
dignas de alguém que tem afeto para dar e vender. Ao mesmo tempo que meu peso
aumentou e algumas coisas já não estão mais no seu lugar originário, hoje já
aceito minhas infindáveis imperfeições e me aproveito delas para me achar ainda
mais bonita do que um dia, quiçá, fui.
E
assim o tempo vem me esculpindo e não me refiro apenas à estética, mas os 30
anos trazem algo muito valioso: a maturidade. E é por conta desse “atributo”
espetacular, que aceito meus 30 anos, meu corpo, minha mente, meu presente e
meu destino.
Estou
contente com o momento de vida em que me encontro. Consegui fazer tudo que eu
havia programado, tendo como prazo limite os 30. Agora vou sentar e aproveitar
um pouquinho essa fase de satisfação, antes de iniciar minha nova lista para os
próximos 30 anos. Ainda tenho muito o que fazer. E quero fazer!
De
momento, a única coisa que peço, é a sorte de continuar tendo quem eu amo por
perto. E quanto ao futuro, quem vai saber? Aproveitemos o dia de hoje,
acreditando o mínimo possível no dia de amanhã. Enquanto estamos aqui falando,
o tempo está passando.
Estou
parafraseando Horácio, quando disse a sua amiga Leuconoe que não esperasse
muito do dia seguinte, pois ninguém sabia quantos invernos os deuses lhe
reservavam. Aconselhava a colher o que era do dia a aproveitá-lo.
Quem
vem comigo?

5 Comments on A magia do meu aniversário

  1. Wera Corrêa
    28/11/2013 at 10:53 am (4 years ago)

    Lindissimo o texto. Parabens pelo seu dia de hoje, vais gostar de vivenciar teus 30 anos, teus 40 anos e la pelos 50 olharas para tras e diras, o que todos dizem: gostaria de ter 20 ou 30 anos, mas, com a minha cabeca de hoje. Se perde algumas coisas mas se ganha em maturidade , em experiencia e um dia diras " quem tem medo de envelhecer ? Toda fase tem suas coisas boas. Acredita em quem ja passou por isso. Beijo e um abraco bem carinhoso.

    Reply
  2. Paulinha
    28/11/2013 at 12:23 pm (4 years ago)

    Dona Maria, Maria!!!
    Em primeiríssimo lugar: PARABÉNS! Que esses anos que estão por vir sejam mais felizes! Mais realizações, mais tudo!

    Mas crescer é isso… responsabilidades, planos, perdas, ganhos… sonhos realizados… nada vai ser igual pra sempre, por mais que nós queiramos! Todo mundo cresce/muda/evolui (ou não)… hehehe!
    Que venham mais 30!

    Beijão!

    Reply
  3. Anonymous
    28/11/2013 at 2:42 pm (4 years ago)

    Maria, Maria! Tu pode ter 15, 20, 30… 100 anos, e será sempre a minha mana!… Beijos e até depois, quando estiveres no nosso ninho, cheio dos teus amores!!!

    Reply
  4. ♥ Wilma ♥
    28/11/2013 at 10:00 pm (4 years ago)

    Feliz Aniversário, que Deus te abençoe!! bjosss

    Reply
  5. rita
    29/11/2013 at 4:30 am (4 years ago)

    Parabens Maria, Maria!

    Amei este post, uma otima reflexao sobre o que um aniversario representa (ou não).

    Beijinhos
    Rita

    Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Comment *