Dedico esse
texto a dois mulherões que conheço: elas sabem quem são.
Uma delas
usou salto alto a vida inteira (e quando eu falo alto, pensemos em 7 ou 8),
inclusive nos últimos dias de gestação. Trabalhava fora o dia todo, usando
cortes impecáveis, elegantérrima, cuidava dos filhos e da casa e tudo
isso, em cima do salto!
A outra
“mulherão”, pelo contrário, sempre evitou o salto alto. Quando se via obrigada
a usá-lo, apesar de ficar ainda mais linda, caminhava meio desengonçada, de
modo que preferia, ao trabalhar fora, criar os filhos, cuidar da casa e ser
mulher, da maneira mais prática possível: com toda a planta do pé no chão.
Então
vejamos, que poder tem o salto alto em relação a mulher? Será que faz diferença
para os homens, quando analisam o layout da pretensa sortuda? Quem
instituiu que mulher bem vestida é aquela que usa salto e se equilibra sobre
ele? Quando foi que decidiram que trabalho mais mulher é igual a salto alto? Claro…
Estava esquecendo: a produção intelectual da mulher é diretamente proporcional
ao tamanho do seu salto.
Façam-me rir.
Por outro
lado, não posso negar que um sapato de salto alto cai muito bem a uma mulher,
exacerbando a delicadeza ou a voluptuosidade de suas curvas. Aqui vos fala quem
usava sapatos altíssimos desde a adolescência. Isso mesmo: usava. Meus pés
vieram com defeito de fabricação. Tenho uma propensão impiedosa para joanetes
que, além de já estarem aparecendo, machucam até a minha alma. Não levei muito
tempo para desenvolvê-los, até que reduzi para apenas 10% o uso dos saltos.
Tive que
buscar outros tipos de roupa para trabalhar, já que minha profissão exige um
formalismo (desnecessário, a meu ver). Assim, minhas calças sociais já não
combinavam com sapatilhas, rasteirinhas e sapatos confortáveis que não faziam
mal à saúde dos meus pés.
Não só para o
trabalho, tive que reinventar meu vestuário para a vida a dois. Mais uma vez,
aqui vos fala alguém que conquistou seu boy usando um sapato vermelho,
altíssimo, caminhando negligentemente pela rua (jura!) sem, sequer, notar a
presença dele (jura, de novo!). Como se não bastasse gostar de saber que ele me
achava linda com meu sapato vermelho-sangue, não cansava de me olhar no espelho
e constatar como eu ficava PODEROSA com aquele sapato.
Talvez seja
por consolação, mas prefiro acreditar que é a mais pura verdade e que acabo de
atingir a maturidade plena com essa verdade que estou prestes a revelar: elegância
e poder são estados de espírito!
O que
importa, realmente, é o quê a mulher quer ser: a voluptuosa Sophia Loren ou a
delicada Audrey Hepburn! E se não quiser ser nenhuma das duas? Pois não seja!
Vamos nos livrar dos padrões! Venham comigo, eu insisto e garanto que a
felicidade está mais perto para quem se acha linda, mesmo sem um rimelzinho
nos olhos. A felicidade também está muito próxima de quem, mesmo não se achando
a última bolachinha recheada do pacote, aceita e não se sente inferior por esse
detalhe, pois sabe que, no fundo, é repleta de atributos muito mais
importantes.
Quem não tem
(ou ‘não pode’) salto alto, tem um cabelo bonito; um olhar curioso; uma cintura
fina; mãos macias ou um corpo forte! A baixinha pode continuar sendo baixinha,
sem precisar disfarçar sua estatura, porque ser baixinha também é bonito! A
mulher alta que não é a Shirley Malmann, aquela com 2 metros de altura, tem que
usar salto, se tiver vontade, oras! Quero ver o “grande homem” capaz de domar
essa fera!
E quem ousar
pensar que nenhuma de suas características favorece seu universo do que é ser bonita
ou poderosa, por favor, não esqueça que nós mulheres temos o dom das
palavras e a arte de agregar afetos, na medida em que vamos passando por essa
vida. Dizem que, se as mulheres fossem as imperadoras, jamais haveria
estourado uma guerra nesse mundo.
Meu salve às
gordinhas, às magricelas, às siliconadas, às intelectuais fundo de garrafa, às
do cabelo ruim e às do cabelo sem sal, às desengonçadas, às elegantes, às
tímidas e às poderosas.
Hoje acordei
me achando a réplica brasileira da Sophia Loren, amanhã, quem sabe, com o ar da
Bonequinha de Luxo? Hoje a noite, depois do banho, cansada e louca para dormir,
não vou passar de alguém bem comunzinho. O mais importante é conhecermos,
a olho nu e sem ajuda de terceiros, a essência que temos e do que somos
capazes.

Com salto ou
sem salto, eu sei que posso ser o que eu quiser. Não sou uber-model ou Presidente
da República, porque não estou a fim.
Para conhecer a Maria, Maria clique aqui.

5 Comments on As mulheres e o salto alto

  1. Wera Corrêa
    21/11/2013 at 11:40 am (4 years ago)

    Ameeeeeeeiiiiiiii o post. Ate parece que foi escrito para mim que sempre fui apaixonada por sapatos de salto alto. Nunca menos de 45 pares. Hoje aboli meus saltos e estou em busca de minha nova identidade. Muito sofrimento, mas vamos la.
    Vou me inspirar no post e ver o que acontece. Parabens pelo texto.

    Reply
  2. Rosângela Tolotti
    21/11/2013 at 1:06 pm (4 years ago)

    Vamos combinar que se der para misturar Sophia Loren e Audrey Hepburn no mesmo corpo e se este corpo estiver usando Havaianas ou tênis mais uma pitada de molequice teremos com certeza um mulherão feliz! Lindo post, Maria,Maria!!!

    Reply
  3. Ana de Geo
    21/11/2013 at 3:18 pm (4 years ago)

    Muito bom texto. Não uso salto com frequência. Mas tenho uma coleção de sapatilhas e rasteirinhas. Beijo.

    Reply
  4. Paulinha
    21/11/2013 at 6:43 pm (4 years ago)

    Eu sou adepta dos bons e velhos tênis… nada mais confortável!
    Ainda bem nunca precisei usar por trabalho, acho q pediria demissão! Hehehe…
    Mas tenho q admitir q dá um 'tchãn' um salto, uma maquiagem, um vestido. Pra mim aí está a graça… apesar de no começo andar q nem uma pata! Hahuahua…
    O negócio é ter estilo, e o mais importante, PERSONALIDADE!

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  5. Anonymous
    22/11/2013 at 12:38 am (4 years ago)

    Sempre amei salto, mas também dei uma diminuida. Estou feliz assim. 1metro 64 cm, nem alta nem baixa, e com os pezinhos confortaveis em um saltinho 4 cm, o que, convenhamos, para quem chegou em Fernando de Nornonha de salto há muito tempo atrás, é quase um tênis. Ótima coluna, Maria, Maria!

    Julia

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