Tem uma polêmica forte aqui em Vancouver esta semana, sobre a nova regra implementada por uma escola, em que não se permite mais que alunos se “toquem”.
A escola enviou uma carta aos pais informando que a partir daquele dia havia sido criada uma nova regra que impedia que crianças do Kindergarten (5 anos) se tocassem no pátio da escola. A escola errou em não explicar direito o seu objetivo e o porquê desta decisão. Não se expressou direito verbalmente e óbvio, provocou a ira dos pais, que se indignaram com tal decisão “descabida”.
A carta enviada aos pais diz o seguinte:
” Nas últimas semanas houveram inúmeros acidentes resultantes de brincadeiras no patio. Tais incidentes colocaram em risco a segurança de nossos alunos no pátio da escola.
Consequentemente, nós tivemos que banir brincadeiras “hands on” de agora em diante. Isso inclui brincadeiras de pegar, dar as mãos ou qualquer tipo de brincadeira de “luta”. Brincadeiras de “Star Wars” estão particularmente proibidas para todas as crianças do Kindergarten, que tem que ser constantemente lembradas para não usar suas mãos (para empurrar e puxar).
A escola terá uma política de tolerância zero com este tipo de brincadeira “hands on”, resultando em perda do recreio e visita a secretaria da escola.
Pedimos que os pais por favor lembrem seus filhos para “manter suas mãos para si mesmos” (expressão dificil de traduzir direito) e estimulá-los a brincar com brincadeiras que usem a imaginação e não com brincadeiras de luta.”
E agora?
Eu vou dar a minha sincera opinião sobre o assunto:
Não achei nada demais esta carta. Achei extremamente condizente com o que anda acontecendo nas escolas atualmente. O buraco é muito mais embaixo.
Antigamente os alunos se moldavam a escola, hoje as escolas são obrigadas a se moldar aos alunos.
Cruz credo! Onde vamos parar?
Vejam bem, a geração que estamos criando hoje é uma geração muito diferente da nossa há 20, 30 anos atrás. Uma geração que ganha tudo o que quer, que dia sim dia não dá um piti, uma geração que acha que pode tudo, que não respeita os pais, os avós e muito menos os professores. Uma geração que acha que não precisa estudar para a prova, que se tirou nota baixa é culpa do professor e não do aluno. E pior de tudo, ainda tem a aprovação dos pais!
Eu sou professora de pequenininhos – menores de 5 anos – e eu vejo como criar crianças hoje é mais complicado do que antigamente. Hoje sou dona de uma escolinha e vejo como é delicada a relação escola – família. O objetivo da escola é não só cuidar da criança enquanto ela está sob a nossa supervisão, mas ensiná-la, proporcionar as atividades educativas que ela tem direito, inclusive o tempo ao ar livre no pátio, mas quando a hora do recreio vira um momento fora de controle, eu me solidarizo 100% com a escola envolvida nesta polêmica.
Imaginem vocês na posição de um professor gritando 30 vezes no pátio para um aluno parar de empurrar o outro, ou se jogar por cima dele, ou puxar seu capuz até machucar o pescoço. Imagina esta situação quando se tem uma turma de 25 alunos, e a grande maioria dos meninos acha que brincar de lutinha é permitido, inclusive correndo em cima de escorregadores e afins? 
Sabemos perfeitamente que só cabe aos professores intermediar verbalmente, não se pode mais apartar alunos…pois hello….a regra do “no touch” já está em uso há décadas no que diz respeito a professor-aluno. E o coitado fica lá aos gritos 30 vezes pedindo para as crianças maneirarem na hora do recreio, quando elas além de não dar ouvidos a ele, ainda fazem questão de desafiá-lo, pois se elas podem agir fora da escola assim, por que não dentro da escola?
No “mundo ideal” as crianças obedeceriam e as escolas permitiriam todo mundo brincar de esconder, pegar e o tal de Guerra nas Estrelas sem problema, pois ninguém se machucaria, pais não se voltariam contra a escola quando uma criança se acidentasse em função destas brincadeiras, pelo contrário, conversariam com seus filhos para se comportarem na escola. Mas não, a escola está tomando um novo rumo, está se protegendo de certa forma para evitar que crianças, que não se comportam, não se machuquem dentro da escola.
Na minha opinião não há nada de mal nisso.
Temos sim que refletir quando este tipo de decisão é tomada, para ensinarmos nossos filhos a se portarem dentro da escola. A respeitar sim as regras impostas pela direção da escola, seja qual forem. A respeitar seus professores, que estão lá unicamente com o intuito de ensiná-los e protegê-los. A escola e seus professores estão na vida das famílias para ajudá-las, são parceiros, não inimigos, e é preciso que haja uma maior conscientização dos pais do porquê certas medidas são tomadas atualmente.

1 Comment on A polêmica do política do “No Touch” no recreio

  1. Juliana Leal Valera
    16/11/2013 at 2:03 am (4 years ago)

    Concordo com você, Rita. Talvez a escola não tenha usado as melhores palavras, mas realmente eu vejo como crianças e até adolescentes são exatamente como você descreu. É triste!

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