Hoje fui espectadora de uma
uma conversa linda entre uma mãe e uma de suas filhas. Preciso reproduzi-la.
Foi mais ou menos assim:
Apontando para um árvore a
filha perguntou: tia, isso é um Jacarandá? E a mãe respondeu: sim… Pequenas flores roxas que
enfeitam a Porto Alegre da Praça da Matriz e da Feira do Livro
.
E segue a filha, dizendo: há muitas dessas árvores na rua do
lado da minha casa; passo por ali há 20 anos e
nunca havia olhado para elas
. E a sábia mãe observou: então estou com
inveja de ti, pois estás vivendo o sabor de uma descoberta e isso alimenta a
alma da gente. Eu e uma das tuas irmãs ficamos controlando a chegada delas. Vou
ousar te incluir nesse ritual primaveril, aceitas
?
A filha, aceitando entusiasmada,
comentou como era triste o fato de coisas tão simples e tão lindas nos passarem
desapercebidas. E a mãe que, além de sábia, é também boa professora, ensinou: É
verdade, mas se te consola, isso acontece com a humanidade em geral; o desafio
(ou a solução) é refinarmos o olhar, principalmente, o do coração
.
Então a filha faz um pedido:
tia, me ajuda a enxergar coisas novas, estou disposta a ver o mundo! E
essa mãe, que faz jus ao título, responde: sempre que estiver ao meu
alcance, afinal, é para isso que serve uma mãe postiça, não? Que bom que teus
olhos estão atentos e interessados
.
Alguns devem estar
estranhando porque a filha chama a mãe de “tia”. Pois bem, essa filha é uma
grande amiga minha e essa mãe é, originalmente, a minha. Minha mãe é assim: mãe
dos nossos amigos. Nossos amigos também são assim: filhos de minha mãe. Não sei
quem provoca o primeiro sentimento (se o filho emprestado, ou a mãe postiça).
Só sei que essa mãe não nega colo para filho nenhum.
Quanto aos Jacarandás, os
porto-alegrenses e os lisboetas sabem do que estou falando. Na primavera, as
árvores florescem e tudo fica muito mais alegre, por conta do colorido das
flores. Mas os Jacarandás, com sua flor meio roxa, meio lilás, deixam uma cor no céu e no chão que lembram a
Disneylândia (não que eu conheça a casa do Mickey, mas imagino que seja assim,
fantástico como desejamos que seja). São nuvens e tapetes surreais que trazem
poesia até para o trânsito caótico do final do dia. Que dirá para os nosso
corações?
E é assim que acontece: eu e minha mãe, verdadeiramente, entramos na primavera
com a grande expectativa pelo espetáculo roxo-lilás que a natureza nos
proporciona. Fico surpresa quando noto que muitas pessoas, sequer percebem a
cor que essa árvore produz e a sombra alentadora que ela oferece.
Na verdade, tudo é uma
questão de perspectiva, do lugar de onde lançamos nosso olhar sobre as coisas.
O mesmo cenário pode ser interpretado de diferentes formas. Os Jacarandás, por
exemplo, podem ser apenas árvores grandes que impedem a passagem do sol e
deixam a rua úmida, ou podem ser um refúgio em meio à metrópole, em que,
deslizando pelo chão florido nos ligamos a um passado bom, um presente
romântico ou um futuro quem sabe?
Como diz minha mãe, o
importante é termos os olhos atentos e interessados. Muito embora tenhamos
nossos focos diários (trabalho, metas, contas, responsabilidades), se por ao
menos alguns minutos, procurarmos enxergar através de outro ângulo, tenho
certeza que teremos felizes surpresas pela frente.
Eu, por exemplo, adoro a cor
das flores, sentir a natureza, o mar, o gosto e o cheiro de um bom prato (sim,
vivo de paixão), mas não gosto de estudar. Sentar para pesquisar, buscar
material e produzir são tarefas árduas para uma sagitariana como eu. Contudo, o
conhecimento que esse estudo me proporciona, ninguém jamais me tira e o mundo
que se abre no meu caminho fica cada vez maior.
Pensar em tudo isso (olhares
atentos, desejo de conhecer/ganhar o mundo, descobrir coisas nem tão novas
assim), faz recordar um livro que meu irmão me deu há muito tempo atrás sobre semiótica.
Na dedicatória do presente, ele me recomendou a começar a enxergar a vida “com
os dedos mínimos”.
Nem sempre consigo essa
façanha, mas quando vejo os detalhes, eles se transformam em verdades
magníficas e tornam minha vida mais leve.
Para conhecer a Maria, Maria clique aqui.

1 Comment on O colorido dos nossos dias

  1. Lú, mamãe do Leitãozinho
    07/11/2013 at 11:46 am (4 years ago)

    Linda reflexão! Sou de Porto Alegre, estive na Feira no último final de semana e adoro os jacarandás… Realmente temos que refinar o nossos olhar. Há tanta vida, tanta beleza para ser apreciada…

    Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Comment *