Fazia apenas 24h que Guilherme
havia embarcado em um avião, rumo à Europa. Passaria duas semanas fora, à
trabalho. Assim que soube daquela viagem (com bons meses de antecedência), convidou Bibiana para acompanhá-lo, pois assim,
aproveitariam o passeio juntos. Chegou a repetir o convite algumas vezes. Ela
não cogitou ir junto, pois recentemente havia tirado férias e as próximas já
estavam destinadas para outros passeios. Bibiana ainda ponderou com Guilherme
que seriam apenas duas semanas.
No entanto, logo que começou
a se aproximar a data da viagem, especialmente no final de semana que antecedeu
o embarque do marido, Bibiana começou a ser tomada por uma melancolia e, toda
vez que olhava pra ele, precisava manifestar o quanto estava mexida com
sua temporária ausência.
Por outro lado, sabia que
não se sentiria sozinha, pois aproveitaria para voltar, momentaneamente, ao seu
status de filha em tempo integral. Bibiana não teve dúvida: fez
sua mala para passar aquelas duas semanas na casa dos pais. Casa essa que ela
recém havia deixado, já que o casamento acontecera há apenas 3 meses.
Não há quem não saiba o
quanto ela gosta de estar na casa dos pais e o quanto ama estar com as pessoas
que moram naquele que foi seu castelo de princesa. Bibiana nasceu e foi
criada no meio de uma bagunça barulhenta, de um fervor de pai, mãe, irmãos e
avó; vivia uma democracia familiar com a qual nem sempre concordava, mas
que a nutria e proporcionava-lhe uma sensação tão confortável e tão segura,
cujo medo de perder, provocou-lhe vazios indescritíveis no dia em que resolveu
tomar seu próprio rumo para formar seu novo núcleo familiar, agora com
Guilherme.
Assim, de volta
(temporariamente) à sua casinha de filha, mesmo sentindo todos os
aromas, sabores e confortos que a deixam tão orgulhosa e feliz por fazer parte
daquele clã e, sendo bajulada por todos os lados, justamente por estar ali num
momento excepcional como aquele, Bibiana soube que mudou.
Pensava que passar duas
semanas naquele lar que agora há pouco era tão seu, seria como um período
sabático concedido a uma esposa ainda não adaptada a todos os encargos
que vêm junto com a denominação, somado a chance de eximir-se de algumas
obrigações diárias e pesadas que só na casa dos pais é possível.
Verdadeiramente, ela soube
que mudou. O que antes era uma expectativa boa de dormir e acordar todos os
dias ao lado daquele que ela escolhera para ser seu marido, naquele momento, há
apenas 3 meses, tornara-se uma realidade melhor do que a expectativa, sendo
algo do qual Bibiana já não gostava mais de viver sem.
Quando era só uma namorada
(e sempre foi uma namorada apaixonada), já adorava poder passar dias inteiros
com Guilherme, mas enganava, talvez a si mesma, defendendo que precisava ter
seu espaço e ele, o dele; que isso era saudável e que teriam a vida toda pela
frente, sendo assim, uma noite a mais ou a menos não faria diferença, afinal,
não haviam nascido grudados.
Pois bem, justamente
Bibiana, que se considerava tão suficiente, naquelas duas semanas de ausência
do marido, já se via como uma metade. Foi então que teve certeza de que, mesmo
sendo possível, não voltaria no tempo, pois já havia provado da sensação de
viver a dois. Assim, por mais que ainda sentisse falta de coisas cotidianas de
sua feliz vida de filha, já não abria mão de sua vida de mulher.
Muito menos, da vida de mulher de Guilherme.
E foi assim que Bibiana
passou por aquelas duas semanas longe de seu Guilherme: uma metade que
funcionava muito bem sem sua outra metade, mas que não cantava, pulava menos e
achava menos graça no azul que o céu apresentava.

No final das contas, as duas
semanas passaram rapidamente e logo Guilherme voltou, mas só Bibiana sabe que,
durante aquele período, viveu um charme blues de brilhar menos sem seu
sol para aquecê-la.
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5 Comments on Depois do sim

  1. Mãe da Loly
    10/10/2013 at 11:39 am (4 years ago)

    Que texto gostoso de ler!!!
    Sou bem essa Bibiana, sempre achei que cada um com seu espaço mas 1 ou 2 dias sem meu marido perdem totalmente a graça…
    E com filho acho q é a msm coisa, por mais q eu esteja exausta no final do dia, se a Loly dorme um pouco mais cedo já sinto falta dela a noite!! rsrs
    Beijos,
    Dani http://www.maedaloly.blogspot.com.br

    Reply
  2. Anonymous
    10/10/2013 at 3:20 pm (4 years ago)

    Muito bom o texto, quem nunca se sentiu assim? Casar é sentir-se "em casa" nos braços daquele que escolhemos para compartilhar o resto de nossas vidas.

    Bjs,

    Julia

    Reply
  3. Anonymous
    10/10/2013 at 5:02 pm (4 years ago)

    Linda e madura esta declaração de amor que Maria, Maria nos traz hoje!

    Reply
  4. Rita
    10/10/2013 at 6:20 pm (4 years ago)

    Que linda a coluna de hoje.

    Quando casamos ganhamos não só o marido e a aliança, mas também o conforto de saber que temos nosso companheiro do nosso lado todos os dias, portanto se ele se faz ausente por um tempo, nós realmente sentimos a diferença. Não só a saudade, mas a diferença na rotina, em chegar em casa e não ter alguem para dividir as novidades ou os problemas, a casa fica tão vazia, é um sentimento muito esquisito.

    E de fato, como disse a Dani, depois vem os filhos, e a sensação se multiplica, pois a turma cresce e com ela a sensação de união, de um time. Se um está ausente o time não funciona direito. Hoje eu deixo a Bella na escola para trabalhar em casa e sinto que esqueci um pedaço de mim lá, até coisas banais como entrar no carro rapido, e nao ter que colocar ela na cadeirinha, é esquisito.

    Enfim, que bom que os jogadores do time vão, mas voltam, assim voltamos a nossa rotina normal, nos sentindo mais completas.

    Beijinhos
    Rita

    Reply
  5. Anonymous
    10/10/2013 at 8:58 pm (4 years ago)

    Adorei o texto. Super me identifiquei. Bjs.

    Reply

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