Faz tempo que uma capa de revista não causa tanto alvoroço por estas bandas de Vancouver como esta da MacLeans com a matéria: The Unaffordable Baby. T-O-D-O-M-U-N-D-O falando sobre isso esta semana!
A matéria mostra de forma assustadora quanto custa criar um filho nos dias de hoje.
Medo.
Medo.
Medo.
Levou-se em consideração pontos como:

  • Creche
  • Aulinhas extra-curriculares: natação, ballet e afins
  • Poupança para a faculdade
  • Outras cositas más
O chocante é que a matéria não levou em consideração ESCOLA, visto que no Canadá a maioria das criaças vai para a escola pública, então se você colocar seu filho na escola particular da primeira série até o segundo grau, o número passará de 1 milhão por filho facinho, facinho.
A matéria nem leva em conta coisas “banais” como alimentação, roupinhas e outras coisinhas frívolas, pois afinal, na ordem de gastos, os itens listados acima somam valores muito mais altos e substanciais do que rechear o guarda-roupa dos filhos.
Estima-se que um filho custe até os seus 18 anos, aqui no Canadá, nada mais nada menos que $ 670 mil dólares. Cruz credo, quase 1 milhão de dólares.
Chocante, difícil de digerir mesmo.
Pode parecer exagero, mas hoje percebo que não, que não é exagero.

  • Creche
Os valores de uma escolinha estão cada vez mais altos, acredito que no mundo todo, pois com os pais querendo voltar ao mercado de trabalho, a única opção acaba sendo matriculá-los em uma escolinha, se você não tem a sorte de ter uma vovó por perto. A demanda é alta, muito maior do que o número de escolas comporta atualmente.
Eu sou dona de escola e sei o valor de uma mensalidade, e por mais que mil, dois mil dólares soem absurdo para os pais, aqui no Canadá ao menos, para você arcar apenas com a folha de pagamento das professoras, você não pode cobrar menos do que isso. Então estamos falando de um gasto substancial já nos primeiros meses de vida do seu filho. Afora que dependendo de onde você morar, você terá que colocar sua barriguinha de grávida na lista de espera de uma boa escola antes da criança nascer.
  • Aulinhas extra-curriculares
Esta parte já está doendo no meu bolso. Aqui em casa é assim, meu marido paga a maior parte das contas, eu ajudo dividindo a minha parte e por “fora” pago todas as coisinhas para a Bella, de roupinhas a brinquedos a aulinhas extra-curriculares.

Natação = $ 130 por 5 aulas
Ballet = $ 115 por 2 meses e meio

Dói.

Quando você é mãe começa a entender aquilo que a sua mãe dizia: “Quero que meu filho tenha todas as oportunidades que eu puder dar, inclusive as que eu não tive”. Eu tenho o maior prazer em deixar de comprar coisas materais para mim para poder proporcionar uma ótima educação para a minha filha, mas hoje Bella é filha única, e se eu tiver outro filho um dia, terei condições de proporcionar tudo isso para duas pessoas? Duas aulas de natação, ballet, futebol, sabe-se lá o que mais as crianças decidirem fazer.

  • Poupança para a faculdade
Quando nossa filha completou 2 anos abrimos uma poupança para sua faculdade. Eu gostaria muito de poder proporcionar isso para ela, pois do contrário, ela teria que sair do segundo grau já atrás de trabalho para arcar com o custo altíssimo de uma faculdade, ou seja, mal começou a vida adulta e já estará individada.

 Diria que assim por cima, para você ter uma faculdade paga em sei lá, 18 anos, você tem que colocar no mínimo $ 150 dólares na poupança todo mês.

Pesado, né?

A matéria é bem completa e leva em consideração não apenas os pontos listados acima, mas também uma série de fatores para justificar o preço de mais de 600 mil dólares por filho: o valor que os pais deixam de lucrar se tivessem mais tempo para se dedicar ao trabalho (ganhariam mais), assim como o valor que deixam de economizar para a sua aposentadoria visto que investiram tudo o que tinham na educação dos filhos.
E aí?
O que fazer?
Quanto investir financeiramente em um filho exatamente?
Economizo para sua faculdade ou coloco este valor em um fundo de aposentadoria?
Agora com Bellinha completando 4 anos já está na hora de pensarmos se daremos ou não um irmãozinho para ela, e confesso que fiquei bastante balançada com esta matéria. Não sou de me deixar apavorar por pouco, mas confesso que venho refletindo sobre isso.
Vivemos em um mundo diferente do que vivenciamos quando crianças, onde a competição está cada vez mais acirrada no meio de trabalho e que mesmo com faculdade não há garantia de nada. Minha família vive em uma das cidades com maior custo de vida no MUNDO, onde conseguimos pagar nossas contas ok, mas com 1 filho fica mais apertado, e dois então? Certos prazeres como comer fora ou viajar passariam da categoria “algo especial de vez em quando” para “luxo quase nunca”.

Eu sonho em dar para a minha filha um irmãozinho, pois meu irmão é meu maior companheiro de vida, também porquê vivemos sozinhos aqui, não queria vê-la crescendo sozinha, mas ao mesmo tempo é realista pensar se conseguiríamos dar conta de tudo. Não sei. Poxa, acordo as 5:30 da manhã e durmo as 11 da noite, passo o dia inteirinho trabalhando, na escola e em casa, eu gostaria de me permitir poder sair para jantar fora quando me der na telha, viajar e aproveitar a vida um pouco sabe? Mas vivendo onde vivemos e com uma família de 4 para sustentar, as coisas ficam cada dia mais complicadas.
É uma reflexão muito difícil para nós pais, muito injusta, e que não tem resposta certa. Como diz a revista, quem não quer ter filhos sabe na ponta da língua todos os porquês de sua escolha, consegue racionalizar tudo, mas quem desejar ter filhos não encontra uma resposta para o porquê de ter um filho, visto que é uma escolha feita pelo coração, por um desejo imaterial que não se consegue explicar, somente sentir.

6 Comments on O preço de um filho

  1. Juliana Leal Valera
    07/10/2013 at 1:16 pm (4 years ago)

    Pois eh, Rita, eh muito assustador e a tendencia eh soh piorar…
    Sempre converso sobre isso com meu marido, temos vontade de ter filhos, mas essas coisas nos assustam muito, especialmente vivendo aqui na regiao metropolitana de NYC, tambem no topo das cidades mais caras para se viver, eh de se pensar, viu.
    No momento nao temos condicoes financeiras para termos um bebe,
    Beijos e uma otima semana

    Reply
  2. Sandra Nogueira
    07/10/2013 at 3:29 pm (4 years ago)

    Oi Rita…que decisão complexa, não é? Gostaria muito de ver uma estimativa destas para crianças especiais que, aqui no Brasil, para terem acesso a boas terapias têm que ser atendidas na rede particular – só para se ter uma ideia com as terapias da Helena (fono, fisio, TO, equoterapia, TO da visão e terapia da fala) gastamos em média R$ 2.500,00 mensais e depois vem plano de saúde, médicos particulares, medicamentos, escola, ballet e inglês…hehehe…a Helena gasta mensalmente R$ 7.000,00 em terapias fora a alimentação especial e os adereços necessários como frascos, equipos e material de limpeza das traquitanas…já viu né? Um milhão é pouco para nós. Mas só citei os valores porque doamos medicamentos e valores para crianças especiais aqui, imagina quem depende do sistema público onde a assistência é deficitária, estes não podem ter filhos, muito menos especiais…daí conclui-se que VAMOS TER SÓ UM FILHO…pena que acredito ser melhor para a Helena ter um irmãozinho…mas é impossível…bjos

    Reply
  3. Bruna Marques
    07/10/2013 at 6:33 pm (4 years ago)

    Rita…põe medo nisso!!!! Sou louquinha pra ter outro bebê….até porque sou filha única e sei como seria bom ter um irmão/irmã! Porém assim como em muitas famílias, o lado financeiro aqui tem pesado muito….uma vez ouvi de uma mãe que o segundo filho se a gente pensar muito ele não vem…..tem que ser de supetão…no susto…pois aí sim a gente dá um jeito! Mesmo assim o meu receio é grande! Muitas coisas que eu comprei para o meu filho na época, hj eu acho supérfluo, não compraria para um segundo filho…mas sei que imprevistos acontecem e muitas coisas podem sair fora do eixo!!!! Ai ai ai……Bjks 🙂

    Reply
  4. priscila amaral
    08/10/2013 at 2:20 pm (4 years ago)

    Olá sempre leio seu blog mas ainda nao tinha comentado. Filhos gastam mesmo, mas se formos pensar só nisso acabamos não tendo nem um. Existem certas coisas que é melhor não pensar muito viu… e onde comem três comem quatro.

    Reply
  5. Marlene Casagrande
    08/10/2013 at 7:06 pm (4 years ago)

    Concordo com sua preocupação, mas vivendo num país onde o sistema de saúde funciona e as escolas públicas são boas, acho que a Bella ficaria mais feliz com um(a) irmã(o)… não pense tanto, o tempo passa depressa e daí vc vai ter que criar dois filhos únicos!
    Bjooo
    PS: sim, eu tenho uma filha única e acho que ela merecia ter uma irmãzinha…no nosso caso a idade foi o fator determinante!

    Reply

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Comment *