Alguém, cujos livros eu
ainda não li, disse que a cura para todo o mal está na água salgada: suor,
lágrimas e o mar.
Quem revela esta verdade,
mais que absoluta, é Isaak Dinesen, pseudônimo da escritora dinamarquesa Karen
Christence.
Quem nunca curou sua
tristeza com um banho de mar? Quem nunca extravasou sua angústia com um choro
profundo, daqueles que o soluço traz um alívio quase que consolador? E quem
nunca espantou a solidão com uma corrida suada pelas ruas?
Pois bem, a dinamarquesa
estava certa. A água salgada cura todos os males, mesmo nesses tempos em que o
dinheiro parece comprar tudo (um corpo bonito, uma saúde esplêndida, ou mesmo,
a tão sonhada felicidade).
Quem mora no Rio Grande do
Sul, sabe do que estou falando: têm épocas do ano, que não há
antibiótico que resolva uma sinusite (ou se preferirem, um nariz entupido). E
ainda sabemos que certas alergias (rinites e coisas do gênero) são causadas por
doenças que vem da nossa cabeça, de nossas preocupações, ou seja, as famosas psicossomáticas.
Pois bem, aqui vos fala quem adora dar uma boa de uma mergulhada no mar e
sentir as vias aéreas se abrirem com aquele sal libertador.
E o suor? Fazer suar o
corpo, é fazer ele funcionar! Não que eu pretenda suar no meio de uma reunião
de trabalho ou de um jantar romântico, mas há momentos do dia (ou da semana)
que devem ser dedicados, sim, ao suor. Eu não corro, bem que gostaria, mas uma
caminhada compassada e respeitando os limites do corpo provocam um suor
renovador, regulam a pressão arterial e fazem liberar uma endorfina que
alimenta. Muitas vezes, o fato de não liberarmos essa endorfina, faz com que
procuremos nos nutrir de outras formas, inclusive, comendo mais ou comendo o
que não faz bem. Por outro lado, o suor, além de expulsar toxinas do corpo,
expulsa fantasmas.
O que dizer das lágrimas…
Adulto chora, sim. Homem chora também. Acredito que não faz tão bem assim
chorar por qualquer incômodo do dia, mas às vezes a raiva é tão grande, que dá
vontade de chorar. Extravasar a raiva, a decepção, a sensação de impotência, a
angústia ou a tristeza, através de um choro que está dando um nó na garganta, é
humano e faz bem para a saúde. Evita, inclusive, complicações colaterais.
E se o choro não é
sentimental, pode também ser proveniente de um belo de um “esquinásso” que
damos na quina do armário. Isso dói e, dependendo da intensidade da dor, dá
vontade de chorar, ora!
Alguém deve estar pensando: O
que esta desatinada está querendo dizer? Eu aqui querendo ler o Botõenzinhos e
essa aí querendo me aplicar que se eu suar, chorar e mergulhar no mar, tudo se
resolve…
O que quero dizer, é que
suar e chorar, faz parte da vida e, na maior parte das vezes, alivia sensações.
O mar vem de presente da natureza, uma mãe solteira que merece cuidados. Ele
nos traz, junto com suas ondas ou suas águas calmas, energias renovadas.
Personalidades do mundo real
ou da ficção nos mostram que essa teoria é digna de credibilidade: Grazi
Massafera declarou em uma dessas revistas que adoramos ler no consultório
médico, que nunca ficava em casa esperando o candidato a namorado ligar.
Preferia ir para academia malhar (e suar)! Maria do Carmo, heroína da novela Senhora
do Destino
, afogava suas angústias em um dia árduo (e suado) de trabalho.
Assim garantia o sustento de seus filhos e não se consumia no desespero de
buscar, sem sucesso, solução para seus problemas.

E assim vamos nós, também! Alguns trocam
vibrações com o mar, outros se alimentam do suor e outros são libertados por um
choro sentido. Mas o importante nisso tudo, ao que me parece, é buscar o
equilíbrio. O meu equilíbrio não é o mesmo que o seu, nem que o daquele outro,
mas se todos tivermos algum, talvez seja mais fácil  manter a harmonia e
quem sabe encontrar a cura para todos os males?

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4 Comments on A Cura

  1. Wera Corrêa
    03/10/2013 at 3:44 pm (4 years ago)

    Concordo. As lagrimas aliviam a dor e as tristezas, mas nunca tinha associado ao sal, ao mar e ao suor. Curas ao nosso alcance, soh lancar mao delas.

    Reply
  2. Rita
    03/10/2013 at 7:10 pm (4 years ago)

    Amei a coluna de hoje, para variar.

    Quanta verdade!

    Sabe que eu percebo?
    Que tinhamos que ser mais como as crianças. Pegue uma crianca pequena, ate seus 5 , 6 anos. Elas não guardam sentimentos para si, elas choram:

    Choram por medo, por frustracao, por tristeza, por dor, por raiva, enfim, observe uma crianca em uma escola por exemplo e vera que sentimento nenhum é guardado, tudo eh colocado para fora.

    E conforme crescemos, vamos aprendendo (e ensinando) que nao se precisa chorar por tudo, que eh melhor nao ficar expressão sua "fraqueza" o tempo todo, que nao eh legal, que nao passa uma mensagem correta sobre como tu es, da uma falsa imagem de fraqueza.

    E crescemos assim, engolindo os sapos, e tendo que ser pessoas super maduras e bem resolvidas.

    Melhor chorar, nem que seja escondido, quando queremos chorar, e chutar o balde e dar piti quando precisamos, para os males nao irem acumulando.

    Eu gosto de chorar quando preciso, pena que o mar de Vancouver nao eh mais quentinho!!

    🙂

    beijo
    Rita

    Reply
  3. franca merola
    04/10/2013 at 12:22 pm (4 years ago)

    Si !! Es verdad Rita. Puedo confirmar !!! Beso

    Reply

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