Além
do mar, indiscutivelmente o amor da minha vida, tenho outras paixões não muito
secretas. Uma delas, é a poesia. Preciso de poesia para colorir, emblematizar
ou romancear minha vida. Sempre fui assim. Pode ser em forma de música, de
soneto, de poema ou pode não ter forma nenhuma: desde que eu consiga extrair um
tom lírico daquilo que pronuncio ou daquilo que ouço, meu dia já se tornou
poético. E assim vou levando minha vida, ela não deixa de ser real, mas sempre
busca um sonho, até que, certas vezes, alguns sonhos se tornam realidades.
Sejamos,
no entanto, adultos. Nem todos os sonhos são realizáveis: por vezes, os sonhos
são demasiadamente fantásticos e ficam a vida inteira no mundo da imaginação,
naquele lugar especial de nosso coração em que a fantasia é rainha e ninguém
ousa duvidar dela.
Pois
bem, hoje eu estava maravilhosamente sonhando e a realidade do meu despertador
me arrancou, sem nenhuma piedade, de um dos meus maiores desejos de infância.
Posso jurar que estava acontecendo! Eu, na beira dos trinta, estava realizando
um sonho que guardo comigo desde muito pequena. Foi muito bom. Foi bom demais!
Que sensação indescritível alcançar algo que tanto almejei.
Ao
acordar, soube que tudo não passou de um sonho. Por alguns segundos, confesso,
fiquei triste. Triste porque já havia assimilado há muitos anos que esse desejo
era quase improvável de ser realizado. E o fato de ter sentido o gostinho de
como seria, caso aquele sonho tomasse corpo na vida real, deixou em mim um gosto
forte e amargo de “quero mais”.
Por
meio deste esplêndido objeto que temos sobre o pescoço e que, milagrosamente,
não serve apenas para apoiar sobre as mãos enquanto pensamos, consegui sentir
como seria bom, se tivesse acontecido.
Alguém
disse uma vez “sonhei tão forte que ele veio cantar para mim”. Não soa poético?
Nada mais é que dizer “finalmente meu cantor favorito, que mora em outro
continente e não fala a minha língua resolveu incluir minha cidade no seu tour, mesmo não sendo parte do circuito
oficial de propagação da cultura internacional”.
Prefiro
o som da poesia.
Sendo
assim, hoje, mais do que o comum, quero me permitir sonhar com aquilo que um
dia pode acontecer (seja porque sonhei forte ou porque lutei forte), mas também
com aquilo que jamais acontecerá. Não acontecerá porque está no mundo da
fantasia. Mesmo assim, acordada e consciente, aceito de bom grado aquilo que a
vida me permite e me proporciona.
De
qualquer forma, sonhem comigo:
Pelo
sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja
frutos, pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo que
talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que
desconhecemos e ao que é do dia a dia
”.

Perdoem minha falta de obediência aos padrões literários de
citação, mas esta é a forma que gosto de ler e interpretar o poema de Sebastião
Gama, autor português de “Pelo Sonho é que Vamos”. E até com as formas livres
quero sonhar!
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3 Comments on Sonhar não custa nada

  1. Gustavo Corrêa
    26/09/2013 at 3:57 pm (4 years ago)

    Bonita reflexão, sonhar faz bem para a alma.

    Reply
  2. rita
    27/09/2013 at 3:33 am (4 years ago)

    Ai que post lindo, acho que o meu favorito da Maria, Maria ate agora.
    Eh verdade, eh tao bom sonhar, ficar imaginando como seria, que delicia.

    As vezes os sonhos acontecem, aqueles que sao bem reais e concretos, mas ha aqueles sonhos que nunca vao se realizar, e tudo bem, como tu dissestes, so da gente sonhar ja valeu a pena.

    Deixa eu ir ali dar uma dormidinha para sonhar um pouco!

    Beijinhos
    Rita

    Reply
  3. Wera Corrêa
    27/09/2013 at 12:05 pm (4 years ago)

    Ontem tentei postar e nao consegui???
    Muito interessante este tema e muito bem abordado, coincidentemente ontem tbem no Programa da Fatima foi abordado este tema. Realmente o sonho faz bem pra alma e adoca a vida. Tenho um caderno dos sonhos onde anoto sempre que lembro e vejo que as vezes se repetem e outros tem continuacao. Me pergunto: "o sonho sao lembrancas de vidas passadas? Eh de se pensar.

    Reply

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