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Li um texto bem interessante sobre como a sociedade atual não tolera crianças.
?
Pois é.
Um daqueles textos que você lê e não sabe bem como reagir a ele. O artigo descrevia como as crianças são constantemente reprimidas hoje em dia, seja em casa ou na rua, pois vizinhos e desconhecidos não gostam de barulho e nem de serem incomodados.
Ok, volta tudo.
Eu entendi o que a autora quis dizer e concordo com o fundamento de que crianças são crianças, sendo assim, fazem barulho. E bagunça. Criança grita, chora, faz mal criação, aponta o dedo para os vizinhos esquisitos e velhinhos, enfim, criança é criança em qualquer parte do mundo, todos concordamos com isso, mas há mais do que apenas ser criança.
Existe um grande conflito atualmente em como educar os filhos, e a tarefa mais difícil é encontrar o equilíbrio entre ser permissivo ou disciplinador demais. O problema não é a criança, é o pai e a mãe. Vejam bem, quando nós éramos crianças, brincávamos na rua, de skate, de jogar bola contra o muro do vizinho, de pegar e esconde-esconde – aos gritos de euforia – e tudo isso era normal. Existia sim aquele vizinho mais chato, mas depois de uma ou duas broncas a criança baixava o volume e seguia brincando normalmente. O máximo da desavença era o tal vizinho reclamar para o síndico, que repassava a mensagem para a sua mãe, que daria aquela bronca básica quando descobrisse.
E hoje?
Hoje a criança é o chefe, Deus o livre alguém reclamar do seu filho, tem gente que nem ouve a reclamação e já sei defendendo a criança, que está ali do lado, ouvindo tudo, percebendo que mesmo com os gritos e as artes, a mãe a defende, então que bom, amanhã ela estará lá desafiando os adultos de novo.
É a micro-geração “me me me” em ação.
Antigamente criança respeitava os mais velhos, a mãe, o pai, os avós, tios, os vizinhos, professores e o síndico do prédio, hoje a trupe toda tem medo da criança, afinal, é ela quem manda, sendo escoltada por uma “super mãe” pronta para defendê-la mesmo quando a razão não é dela.
Eu tenho uma filha extremamente ativa e espontânea, fala alto, brinca, pula, corre, dá piruetas por anda anda, uma criança que se não for bem disciplinada….cof cof cof….dará problema. Sim, pois o vizinho já criou os seus filhos, então por quê mesmo ele tem que aturar aquela criança aos berros as 10 da noite? Sim, pois cada vez mais as crianças vão para a cama mais tarde, impossibilitando o monstro do vizinho de ler seu livro com tranquilidade e silêncio. É tudo uma questão de compaixão com o próximo, permitir que seu filho jogue bola dentro de casa às 9 da noite pipocando a cabeça do vizinho é necessário?

Não há nada de errado em deixar uma criança ser espontânea, mas para mim há tudo de errado em permitir que uma criança não se comporte na rua. Já polemizei aqui no blog sobre criança chata em restaurante, não vou negar, mas é o tal do desconfiômetro que a maternidade atual perdeu de vista. Nossos filhos são lindos, nossos tesouros…..mas nossos! Podem “reinar” em casa se quiserem, mas não precisam desafiar gregos e troianos na rua, aos gritos, sob a desculpa de “hello, sou criança, posso tudo”.
Há a desculpa de que é melhor deixar a criança dar vexame em restaurante do que dar um Ipad na mão dela. Ipad não cura nada, acho um absurdo criança pequena com Ipad o tempo todo, mas se você não educar seu filho para se comportar na rua, os que educam os seus tem que aturar loucura em um espaço público que é para todos, não só algumas famílias.
Observo que hoje os pais tem medo dos filhos. Sim, sabe aquela criança imprevisível de 2 anos? Tem pai e mãe com medo dela. Eu, inclusive, já tive medo da reação da minha filha mil vezes, medo da “loucura” que ela fosse fazer, portanto, abafava o mal comportamento ao invés de disciplinar. Ninguém aqui está falando de bater em criança, Deus me livre, acho o fim, mas de colocar seu filho sentado e explicar o porquê daquele comportamento estar errado. 

Como se disciplina uma criança?

  • Tirando-a daquela situação e explicando o que ela fez de errado
  • Colocando-a por 2 minutos num “castigo básico” (ninguém morre com 2 minutos de castigo)
  • Ensinando-a consequência, para toda ação há uma reação, uma consequência
O dar piti em público é normal para a idade de 2 e 3 anos, não é normal para quem já tem mais de 4. Não concordo com quem não permite que uma criança chore ou demonstre seus sentimentos, mas somos hoje pais permissivos, que a qualquer mal criação já levantamos a bandeira do “Deixe meu filho ser criança.”.
A omissão de hoje é o problema de amanhã.
Nós mães e pais estamos muito confusos em como criar nossos filhos nos tempos de hoje, então não “criamos”, deixamos eles se criarem sozinhos, ou seja, aceitamos os maus comportamentos como normais e xingamos os adultos que reclamam do péssimo comportamento das crianças. Não enxergamos que o piti, birra e a falta de educação são nossa culpa sim e levantar a bandeira da falta de espontaneidade das crianças é mera desculpa esfarrapada.
É muito difícil dizer não, se aborrecer com um filho no final do dia, quando queríamos apenas dizer sim e sermos todos felizes antes de dormir, mas a  geração “me me me” vem daí, da mistura da omissão dos pais com a desculpa da falta de espontaneidade das crianças.
Este é o momento de refletirmos por quê de tanta falta de educação, porquê de tanto bullying, porquê nossos filhos não são mais educados como nós éramos 30 anos atrás.
A hora é agora, depois o estrago já está feito.
 Fonte de fotos: Pinterest Egg Art

11 Comments on Falta de tolerância ou permissividade?

  1. Pâmela
    18/09/2013 at 4:33 pm (4 years ago)

    Muito bom o post Rita!

    Concordo em número, gênero e grau! Como mãe de uma espuletinha, completamente espontânea vivo tendo que lidar com isso e procuro o equilíbrio entre a naturalidade das "coisas de criança" (perguntas descabidas, comentários engraçados e encabulantes e por aí vei né) e a disciplina necessária.

    Hoje em dia enfrento o mal do chororô… Lara anda chorando pra tudo antes de pedir, e prefiro ir embora do local, dependendo de onde for, ao ter que obrigar os outros a aturar ela… E dá-lhe conversa hein!

    Saímos de uma geração onde queria pequenos adultos para uma geração que entendo muito mais a infância e suas necessidades, mas perdeu o equilíbrio entre o pode e o não pode… Existem pequenos deuses por aí…

    Esta é uma ótima reflexão para todos nós!

    Super beijo

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  2. Adriana
    18/09/2013 at 4:43 pm (4 years ago)

    Nosso ultimo "time out" começou com 3 minutos e terminou em 7! Pra cada minuto q ele passava gritando eu acrescentava mais 1 até ele se acalmar. Consequência do piti: sem iPad por 2 dias. Espero q tenha funcionado e entendido, poi em casa de engenheiros funcionam as leis da física e é bom q ele entenda q pra cada ação há uma reação! 😉

    Reply
  3. Anonymous
    18/09/2013 at 11:54 pm (4 years ago)

    Super concordo! Escreveu muito bem, argumentos claros e super válidos! Parabéns, eu não sou mãe e acreditava que seria difícil continuar com essa opinião depois de ter filhos, tu me deu esperança! Assino embaixo! Bjs!

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  4. Anonymous
    19/09/2013 at 12:22 pm (4 years ago)

    Oi Rita,

    Você relatou uma situação bem expressiva nos dias atuais, a de pais despreparados para serem pais, ao ponto de transformarem seus pequenos em reizinhos mandões e egoístas. Concordo com você, assino embaixo.

    Educar é tarefa difícil (e muitos renegam), mas ESSENCIAL para o convívio em sociedade, para o crescimento pessoal e até desenvolvimento do QE.

    E vou mais longe, educar no Brasil, com o famoso “jeitinho brasileiro” aceito pela maioria (como desrespeito aos sinais de trânsito, às filas, etc., etc. – se começar, não paro), é trabalho árduo. A sensação aqui, é que educar é ir contra a maré. Ser bobo, ou como se diz no Nordeste ser “abestado”.

    Mas, concordamos é necessário, tem que ser feito. E pronto. Ponto final.

    Todas sabemos o quanto é ruim dizer não e ver o filho chorar, como é cansativo enfrentar uma criança que fala mil vezes que quer algo e no fundo almeja te ganhar pelo cansaço.

    Como é trabalhoso ensinar que existe hora para tudo, que existem "palavrinhas mágicas" e que crianças também podem fazer silêncio em respeito a outro ser que descansa ou dorme.

    Além disso, é horrível castigar. Escutar aquela vozinha dizendo: "Mãe, não quero ir para o castigo" ou "Me tira daqui, não faço mais, tira mãe".

    E pior, o quanto é desesperador ver seu bebê lindo dando “piti” e você saber que tem que controlar o que parece interminável e incontrolável.

    A nossa geração (dos 30 e 20 e poucos) é egoísta, por isso tantos pais egocêntricos que desejam o descanso e a paz deles, as saídas e passeios deles, viagens e dinheiro, etc. Chegar em casa, ligar a TV e descansar, porque somos muito merecedores. Por que ter filhos, então? (eu me pergunto).

    Confesso que já desejei sumir uns dias e tirá-los só para mim, curtir um banho longo, ir ao salão ou spa e fazer tudo que tivesse vontade, dormir até às 8:00h da manha, assistir um filme, começar e acabar um livro, mesmo que demore várias horas seguidas. Ter tempo para mim, em suma. Àquela vida de solteira lá trás.

    Confesso que já desejei ter babá o dia todo.

    Mas, daí, eu aborto esse pensamento e lembro que fiz uma escolha, a de ser mãe. SER MÃE, e isso inclui ser babá, tarefa de tempo integral. E fui presenteada com filhos saudáveis. Olha que benção!

    Crianças saudáveis (imagina as não nascem assim) requerem tempo, muito tempo, muita paciência e dedicação. Nessa fase inicial, elas até te "sugam", o que, às vezes, pode beirar a exaustão como hoje que tenho uma menina que completou 3 anos e um bebê de 7 meses.

    Estou longe de ser a melhor mãe, mas paro para ouvir minha filha, sento no chão para brincar com ela, faço promessas que posso cumprir e não me ausento e justifico o estar fora com presentes. Nem minto para conseguir algo. Se posso digo, se não posso ela tem que aprender. Mas, a Gabi me tem. Ela sabe disso. Ela me respeita e até me teme, porque sabe que existe hora para dormir, estudar, brincar, falar alto e baixo. Sabe também que tudo que se começa, tem que terminar, e isso vale para tudo mesmo: a brincadeira, o banho de piscina, a TV, o joguinho no Ipad, etc.

    Mesmo com choro, mesmo escutando um "mãe, não gosto de você; não somos mais amigas", a regra e a rotina colocada valem. Imperam. Predominam.

    Ela não fala palavrão, tem horário para dormir, comer, fazer tarefas. Vai para a escola todos os dias (exceto quando adoece), cumpre a obrigação de ir ao ballet, mesmo quando não quer.

    Ela aprendeu a dividir brinquedos, a respeitar os outros e é corrigida quando alguém fala com ela e não responde. Educação é coisa de criança, sim!

    Sintetizando, ela sabe que é e deve ser obediente, gentil, educada, como repetimos quando parece que ela esqueceu.

    Educar é difícil, porém necessário, fundamental. Devia ser lembrado e relembrado, devia se discutido, devia estar em voga. Devia VIVER NA MODA.

    Quiçá, virar campanha, lema, mantra nas redes sociais e interiorizado nas casas.

    Pois é. Adorei o post. Amo seus textos sobre educação.

    Valeu. Obrigada.

    Beijos, Daniela.

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  5. Rita
    19/09/2013 at 6:18 pm (4 years ago)

    Pam…

    É isso mesmo, o que falta é o equilibrio entre o nao deixar e o deixar, o que pode e o que nao pode. Muito mais facil deixar tudo, e depois de criado o "monstro" , dificil de reeducar!

    beijo
    Ri

    Reply
  6. Rita
    19/09/2013 at 6:25 pm (4 years ago)

    Dri

    Tu sabe que castigo nao adianta nada com a Bella, ela ate curte o momento zen sentada no degrau da escada.

    So o que funciona eh consequencias: fez isso, tiro o Ipad, fez aquilo, tiro o livro antes de dormir

    E a consequencia tem que doer, senao ela nem ta tambem!

    🙁

    Reply
  7. Rita
    19/09/2013 at 6:27 pm (4 years ago)

    "Anonimo"

    A gente sempre fica com a ideia que depois de ter filho vamos mudar e vamos esquecer o respeito e a individualidade dos outros em prol da do filho, mas tem muitoooos pais que nao aprovam este pensamento.

    Eu fico super chaetada se a minha filha faz gritaria ou da vexame em um restaurante, biblioteca, um lugar que nao cabe este tipo de comportamento, entao eu educo por respeito a ela, para o seu futuro, mas tambem por respeito aos outros.

    Beijinhos
    Rita

    Reply
  8. Rita
    19/09/2013 at 6:30 pm (4 years ago)

    Dani

    Ameiii teu comentario.

    Educar deveria mesmo ser moda, nao apenas uma coisa forcada vinda de apenas alguns pais.

    A crianca vai aprender quando pequena, nao com 8-10 anos. É nesta hora que se educa, se ensina a respeita o proximo, pois no final das contas, toda a educacao que ensinamos eh basicamente para isso, para tu saber te portar como pessoa, ser respeitada e saber respeitar seus semelhantes. Acho o fim crianca e adolescente que nao respeitam ninguem, acho uma coisa absurdo de se ver.

    Eu nao quero ser aquela mae chata, sempre braba, e eu tendo nao ser (mas sei que sou), mas eu penso que ela so tem 1 mae e esta sou eu, entao a minha responsabilidade eh grande, e as minhas expectativas com relação a educacao dela tambem.

    Bella vai fazer visita na casa dos outros e se comporta, brinca e faz as coisas de criancas, mas nao da vexame, nao grita, nao faz malcriacao….entao acho que estou no caminho certo.

    Beijocas
    Rita

    Reply
  9. Marlene Casagrande
    19/09/2013 at 7:03 pm (4 years ago)

    Amei o post e amei os comentários, principalmente o da Daniela.
    Gosto de textos sobre educação, me ajudam muito. Até ser mãe eu não tinha noção de como é difícil "educar" (mas não é impossível).
    Minha filha acabou de completar 7 anos e acho que estamos vivendo nossos momentos mais difíceis. Fase de alfabetização, de brincar menos e estudar mais, ter responsabilidade, cuidar dos pertences, cumprir horários e principalmente o "ser independente", tipo, tomar banho sozinha, trocar a roupa, comer direito, usando talheres, ir ao banheiro sem me chamar, ir pra cama sozinha, fazer tarefa sozinha, etc.
    No post vc menciona crianças pequenas, mas e quando o problema surge mais tarde? A minha era super tranquila qdo pequena e agora, no auge dos seus 7 anos, tem crises de choro, de stress, raiva, enfim…como reagir a tudo isso em público? Haja paciência, haja conversa, haja psicologia… mas mãe não desiste nunca!!!!
    Bjoss

    Reply
  10. Ela
    27/09/2013 at 9:24 pm (4 years ago)

    Tenho gêmeos de 2 anos e 4 meses, não estou trabalhando para me dedicar aos dois. Tenho ajuda de uma babá, mas, como estou sempre junto, não terceirizo a criação. Eles ainda não foram para a escola, mas vão quase que diariamente a um clube que dispõe de um grande espaço de encontro de crianças, com música, desenho, teatrinho etc… Infelizmente neste espaço só vemos babás. As mães estão quase todas no trabalho. Fico muito chateada porque a impressão é que a maioria destas crianças que encontramos ainda não receberam o básico da educação. Não sabem pedir por favor, não sabem agradecer. E a maioria das babás não se pronunciam. O que vejo neste 'microespaço' é uma sociedade com recursos financeiros bons, mas com pouco tempo para a criação dos filhos. O que vejo são profissionais que se tornaram mães e que não querem "descer do salto". Sei muito bem que milhares de mulheres trabalham e ainda dedicam muito do seu tempo aos filhos, mas que estamos vivendo em uma época confusa.. ah, estamos.. A lei, pelo menos o que tenho reparado, é ter dinheiro para providenciar aos filhos o que há de mais caro e melhor. Presença, carinho e dedicação tem sido substituídos pelas viagens e roupas de marca. Estou dentro de um clichê gigante, eu sei. Mas tenho me assustado com tantas crianças grossas, sem nenhum refinamento, sem respeito ao próximo.. Me preocupo demais pelos meus filhos, que terão de conviver com gente assim.

    Reply

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