Tive a sorte de ter o melhor casal de
padrinhos que uma criança poderia ter. Ele era primo de minha mãe; ela, a
mulher do primo.

Os
dois não perdiam um evento que estivesse relacionado a mim. Meu dindo era
grandão, barbudo e muito cheiroso. Para alguns, parecia um “turco assustador”,
era silencioso e muito habilidoso. Minha dinda, ao contrário do marido, bem
branquinha (polaca para alguns) é muito falante, adora contar uma história (é
professora, inclusive) e não mete medo em ninguém!

O fato
é que fui batizada na Igreja Católica por esse casal mágico, que meus pais
escolheram para mim. O que teria levado eles a escolherem os meus dindos? Acho
que a amizade forte que existe entre eles, independentemente dos laços
sanguíneos. Estavam sempre juntos para qualquer “indiada”.


Minha
mãe conta que no dia do meu batizado, eu chorava muito e estava rodeada por
muitas pessoas (o que talvez possa ter me estressado um pouco) e meu dindo, com
a sutileza que não lhe era particular, disse: me dá ela aqui! Pois
aquele dindo levou sua afilhada para de baixo de um Jacarandá e lá ficou até
sua “bailarina” se acalmar. Sim, eu era a bailarina dele. E foi assim que fui
batizada: de baixo de um Jacarandá!

Eu,
ainda pequenininha, adorava dormir na casa deles, arrastava minha trouxinha
pela casa, esperando a carruagem encantada dos dindos chegar. Nessas horas, nem
lembrava que tinha pai e mãe.

Minha
dinda me ensinou muitas passagens de História arrumando a cama, fazendo um bolo
de maçã ou misturando seu Nescafé em uma xícara despretensiosa. E assim ela me
mantinha atenta e entretida a todos os “causos” que tinha para contar!

Meu
dindo me observava, ao invés de falar. Não entendo até hoje como ele conseguiu
me passar tantas coisas boas, tantos ensinamentos, com tão poucas palavras…
Eram gestos e olhares curiosos que me ensinavam a não ser malcriada com as
pessoas e a tirar o mel do pote e passar no pão sem lambuzar tudo à minha volta.

Meus
pais fizeram a escolha certa, sempre soube disso. Agora, 30 anos depois da
escolha deles, eu fui a escolhida para ser a madrinha de alguém! Eu e meu irmão
seremos um casal de dindos, junto com mais um casal muito amigo da mãe do meu
afilhado.

Agora
é moda escolher duas madrinhas e dois padrinhos! Não sei muito bem o porquê,
mas penso que para a criança é bom, pois quanto mais vínculos de afeto ela
tiver, melhor!

Quando
fui convidada para esse “encargo” tão importante, fiquei feliz, pois sei que
serei uma boa madrinha, mas quando meu afilhado nasceu, algo dentro de mim se
transformou. Entendi que a vida não vale nada e vale tudo ao mesmo tempo, pois
um ser humano pequenininho e indefeso chegou ao nosso mundo e precisa de bons
exemplos para andar com suas próprias pernas.

Muito
embora seja responsabilidade dos pais a educação dos filhos, penso que os
padrinhos são aqueles que auxiliarão na boa educação da criança (muito além do
que preconiza a Igreja Católica, dizendo que serão os padrinhos as pessoas
responsáveis por sua educação religiosa).

Para
mim, os padrinhos são pais mais divertidos e um pouco mais coloridos, pois
apesar de possuírem aquela obrigação de educação, de princípios e de respeito,
ela acontece de forma mais leve, talvez de forma complementar.


poucos dias, nós, o grupo de padrinhos do meu afilhado, “batizamos” ele.
Procuramos nos despir de quaisquer apegos religiosos ou formas convencionais e
selamos entre nós o pacto de fazermos para ele, tudo aquilo que gostamos (ou
gostaríamos) de receber dos nossos padrinhos.

Assim, meu
gurizinho ganhou mais quatro pais. Sejam eles substitutos, alternativos ou
complementares, estão cheios de amor, educação e bons exemplos para dar. Hoje
entendo o que significa dizer que as
crianças são o futuro da nação
 e
vou um pouco mais além: as crianças são o futuro da humanidade. Se revolucionar
o mundo não é possível com apenas duas mãos, sei que reformar os padrões de
comportamento, fomentando o bom-caratismo e repudiando o famoso “jeitinho
brasileiro” depende, também, das minhas mãos. Não sou perfeita, mas meu
afilhado me faz querer ser uma pessoa melhor, pois o exemplo me parece ser a
melhor ferramenta para educar um ser humano em formação.
 

7 Comments on Se eu pudesse escolher, quem seriam os meus padrinhos?

  1. Ana de Geo
    17/09/2013 at 10:39 am (4 years ago)

    Que coisa linda! Parabéns, Rita! É uma honra ser escolhido padrinho/madrinha de um bebê! Ou de qualquer ser, seja pequeno ou grande, já que tem gente que só se batiza na idade adulta, né? Eu estou a dois dias de ver a carinha da minha mais nova afilhada. Daqui a dois dias ela nasce. É a filha da minha prima Taynan, e eu soube que seria sua madrinha no mesmo dia que soube da gravidez. Desde então, tenho me preparado de todas as maneiras para recebê-la bem! Vai ser um momento inesquecível e até tenho tido sintomas de grávida, parece que eu serei aquela que vai parir! Rsrsrs. Um beijo pra você e pra Bella.

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  2. **Lih**
    17/09/2013 at 2:24 pm (4 years ago)

    Oi Rita,

    Meus padrinhos foram minha avó que foi mais que uma mãe para mim, quem me criou desde pequena enquanto minha mãe trabalhava, e meu avô, com quem eu tive menos contato, mas muito carinho!
    Eu sou madrinha do filho de uma amiga, e foi o maior auê quando fui escolhida, as tias, primas e parentes dela não concordaram, acharam que tinha que ser alguém da família… Assumo que não fui uma madrinha muito presente, imatura talvez eu tinha somente 19 anos… Tentei cumprir o maior papel de uma madrinha que foi levar o meu afilhado para igreja, mas fui impedida pela mãe dele que mudou de religião. Enfim…
    Espero que a relação de vocês seja maravilhosa!!!!

    Beijos!

    Reply
  3. rita
    17/09/2013 at 4:34 pm (4 years ago)

    Oi Ana!

    Na verdade esta coluna não é minha, não é escrita por mim e sim pela nossa nova colunista, que assina com o Pseudônimo de Maria, Maria 🙂

    Tambem achei linda a cronica de hoje.

    beijinhos

    Reply
  4. rita
    17/09/2013 at 4:35 pm (4 years ago)

    Lih

    Tudo é aprendizado, com 19 anos somos imaturas mesmo, mas não significa que há falta de carinho, é apenas diferente.

    Beijinhos
    Rita

    Reply
  5. rita
    17/09/2013 at 4:39 pm (4 years ago)

    Maria, Maria

    AMEI esta crÇonica de hoje.

    Fico toda emotiva, pois morando tão longe da família, eu sinto que a minha filha não está tendo estes laços familiares que teria ai no Brasil.

    É uma pena, crescer sem primos, sem tios, sem avos, me corta o coracao MESMO.

    Eu tento nao pensar nisso.

    E a escolha dos dindos para quem mora fora tambem eh complicada, pois há a vontade de escolher com o coracao, mas ja sabendo que na realidade não é a mesma coisa.

    A escolha dos dindos para quem mora no exterior, e escolhe um membro da familia ou amigo do Brasil, é mais para acalentar os pais,pois a criança crescerá sem o contato físico diario.

    Snif.

    Mas para quem mora perto de seus dindos, ahhhhh sim, dai é outro departamento.

    Eu tambem tive dindos muito presentes e amava, saber que aquela pessoa era especial para ti, era tua dinda e dindo. Adorava e adoro.

    Beijocas mil e seu afilhadinho tem muita sorte de ter uma dinda tão querida e atenciosa com ele, sei que ele dara o maior valor no futuro.

    Mil beijocas
    Rita

    Reply
  6. Marlene Casagrande
    17/09/2013 at 5:41 pm (4 years ago)

    Eu e meu marido somos padrinhos de uma menina linda, inteligente e muito querida por todos que a cercam e nos sentimos privilegiados por isso. Foi um momento muito especial da minha vida ser escolhida pra dinda, pude acompanhar seu crescimento bem de perto, estar presente no dia-a-dia, nos momentos felizes e também nos difíceis, fazer loucuras, como completar a coleção inteira dos bichinhos da Parmalat (lembram?) enfrentando filas e disputando uma por uma cada pelúcia pra ela, enfim… Hoje, no auge dos seus 16 anos nós não temos mais tanto contato, devido a uma desavença familiar, mas guardo no coração um carinho imenso por minha primeira afilhada (primeira, porque agora tenho um afilhadinho de 3 anos, com o qual o convívio é mais frequente).
    E sempre agradeço a Deus pelos dindos que escolhi pra minha filha, tenho certeza que acertei na escolha, pessoas do nosso convívio, que estão sempre presentes na vida dela.
    Adorei o texto Maria Maria!!!

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  7. Carolina
    17/09/2013 at 9:47 pm (4 years ago)

    Que texto legal! Adorei!
    Você acredita que eu só fui batizada com 12 anos, Rita?? Minha mãe não foi muito dedicada neste sentido, uma pena. E meus padrinhos não são lá muito presentes.
    Mas, em compensação eu tenho a sorte de ter sido escolhida para ser madrinha de 2 crianças muito fofas! Saulo e eu somos padrinhos de consagração do filho de um amigo nosso e somos padrinhos "oficiais" da filha de uma prima minha, a Maria Luiza! Dia desses postei uma foto dela no meu instagram, vc deve ter visto! Eu me sinto muito orgulhosa por ser madrinha, pois sei que é uma escolha em que os pais, ao fazê-la, procuram pessoas que, aos seus olhos, sejam responsáveis e carinhosas. Eu amo seu madrinha, e o Saulo também, vejo que ele fica todo bobo quando alguém se refere à ele como "dindo"! 🙂

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