Como havia dito aqui, o Dindo e a Cunhada Sabem Tudo foram meus aliados na missão de assistir o lançamento do “O Renascimento do Parto” (havia falado sobre o filme aqui e aqui) e dar suas opiniões.

Por Juliana Tolotti

Bueno, queria muito ter uma visão
inicial do parto humanizado, já que não manjo muito sobre o assunto. O filme
serviu como uma boa “iniciação”. Então aqui vai o depoimento de uma futura
gestante-parturiente-mãe sobre o filme e fenômeno tão complicado (ou genuíno?)
que é o parto.
Nunca
me passou outra ideia na cabeça, que não fosse ter meus filhos por parto
natural, afinal, sempre soube que a recuperação para a mãe é bem mais rápida, o
nenê nasce na hora que se sente pronto, além de fazer parte do necessário
amadurecimento do ser humano. Resumindo a história, a natureza é fantástica,
pois fez o corpo da mulher perfeitamente projetado para gerar uma vida e dar à
luz. É a natureza humana, é natural…
O
filme: trata da indústria da cesariana. Do poder que os médicos têm de
convencer uma mãe a se submeter a uma cesariana pelos mais diversos motivos
(cordão enrolado no pescocinho do bebê, sobrepeso da mãe, falta de peso da mãe,
bacia pequena da mãe, pouca dilatação, entre outras milhares de desculpas que
convencem qualquer gestante fragilizada pela proximidade do parto a aceitarem
–  e se convencerem –  que uma intervenção como a cesariana é o
melhor a se fazer).
Os motivos
que levam os médicos a induzirem as mulheres desta forma: os planos de saúde
pagam muito pouco para a quantidade de horas que o profissional deveria ficar
disponível, aguardando o trabalho de parto. Poucos médicos aceitam perder uma
tarde inteira de consultas em seus consultórios para ficar a postos para fazer
um parto normal e ganhar muito pouco por isso. Com a cesária marcada, o médico
não leva mais que 20 minutos para fazer a intervenção.
Além
disso, nenhum médico marca cesariana para terça de madrugada, não é mesmo? Esta
também é uma forma de evitar ter de sair da cama para atender um parto…
Mais
uma questão: os hospitais gastam pouquíssimo com material e infraestrutura para
realizar o parto normal (apenas gaze, luvas, alguns lençóis e outras coisinhas),
enquanto que para cesariana, tem o custo do anestesista, de uma possível UTI
para o bebê e do próprio procedimento cirúrgico.
Enfim,
a cesariana, conforme o filme nos passou, foi criada para salvar vidas, mas não
para ser a regra. Assim, nos casos em que haja muito risco para mãe e filho, em
que o bebê não está encaixado (entre outros diversos motivos que eu não sei
elencar) este procedimento é o recomendando, senão, o único viável.
O
nascimento é tão natural quanto a concepção, é a forma mais genuína de
representar a natureza, a mulher tem todas “os mecanismos” para parir, para
alimentar seu filho, enfim. Eu, por exemplo, ainda não defini se vou ser adepta
do parto humanizado, ou simplesmente, do parto natural. Sinceramente, tenho
muito que estudar sobre o assunto. Mas sempre acreditei que é possível passar
pelo parto normal e sobreviver às dores e emoções, afinal, minha mãe teve 3
partos normais e adora bater no peito e dizer: “faria tudo de novo”.
Por
outro lado, o filme traz uma construção bastante interessante para enxergarmos
que, na medida em que as mulheres optarem pela cesária, simplesmente por
comodismo, a raça humana, aos poucos, vai perder esta função tão natural que é
ter um corpo preparado para dar à luz, sendo que então, não teremos mais
nascimentos naturais, mas apenas através de intervenções cirúrgicas.
É
isso, adoramos o filme, é muito emocionante, têm cenas bem fortes, mas
recomendo, com muito empenho, que todos assistam, mesmo aqueles que já tiverem
seus filhotinhos. Se não for para nos conscientizarmos, ao menos que sirva para
termos ciência do que se passa nos bastidores dos hospitais e da obstetrícia
médica.
Por Gustavo Corrêa

O filme me surpreendeu em vários aspectos. Ok, antecipo que
não era nenhum expert no assunto, mas tinha minhas próprias convicções ainda
que sem grandes embasamentos. Sabia que a cesárea, ainda que muito importante
em alguns casos, era utilizada sem maiores critérios com o único intuito de
otimizar o tempo envolvido no parto e ajudar a organizar a agenda do médico;
porém, o filme trouxe muitas outras informações e imagens fortes que são
necessárias para compreender todo o contexto.
O fato
do “O Renascimento do Parto” ser o filme que mais arrecadou via financiamento
coletivo me chamou a atenção. O que isso significa? Que há muitas pessoas e
empresas interessadas em estimular a propagação da informação acerca dos
benefícios do parto normal, o que nos dá a esperança de que a tendência pela
cesária seja alterada.
Não
quero antecipar detalhes do filme porque acho que vale a pena ser visto, mas
digo que o filme me fez firmar minha posição sobre o parto normal e ajudar a
desmitificar o parto humanizado. Tinha certo preconceito sobre a prática, mas
entender um pouco mais do que se trata me fez ver que pode ser a melhor opção
por ser aquela que menos agride a mulher e a criança e permite uma maior
conexão entre elas neste momento tão importante.
Enfim,
é um filme que todos deveriam assistir porque traz a tona um assunto de extrema
importância que é muito pouco debatido. Estou quase lançando uma campanha: O Renascimento do Parto nos Colégios! Acho que o parto normal deve voltar a ser a primeira opção das mães (e dos pais, para não influenciarem negativamente as mães) e nada melhor do que recomeçar a plantar esta semente nos jovens.

6 Comments on O Renascimento do Parto – Opiniões

  1. Carol
    21/08/2013 at 6:48 pm (4 years ago)

    Oi, Rita! Que legal poder ler as impressões de alguém que foi ver o filme. Quando ocorreu a estréia, no Rio, eu estava envolvida com os últimos preparativos pra vir pra Vancouver, não deu pra encaixar um cineminha entre as tantas despedidas e malas. Estou com muita vontade de ver o filme. Lembro que quando assisti o vídeo promocional, fiquei algumas horas pesquisando mais sobre o assunto na internet, e assisti no youtube um documentário muito impactante chamado: "Violência Obstetrícia – A Voz das Brasileiras". Aquilo reafirmou a importância de nós nos informarmos o máximo possível sobre as possibilidades que temos no momento de ter filhos. Ainda não sou mãe, e a minha gravidez teve que ser adiada para o futuro já que passarei um bom tempo aqui em Vancouver, mas como a maternidade já tem seu cantinho dentro de mim, gosto muito de ler e conversar sobre este assunto. Bjos

    Reply
  2. rita
    21/08/2013 at 8:41 pm (4 years ago)

    Gustavo e Ju

    Amei o depoimento de voces.
    Eu concordo.

    Eu acredito que cada mae tem o direito de escolher qual metodo usar, mas acho que deveria ser explicado melhor para cada mae os beneficios do parto normal e nao ficar intimidando e dando desculpas para que o medico escolha qual o melhor metodo.

    Entendo que muitas maes tem medo, eu tambem tinha, e isso eh natural, o parto normal nao precisa ser necessariamente para todas, acho que ter a opcao é importante, mas o sistema esta abusando e o que era para ser uma excecao virou o normal, é uma pena isso.

    Estou aguardando ansiosa pela chegada do DVD e dai todas nos "canadenses" vamos poder assistir tamnbem.

    Beijos e obrigada por terem visto, voces sao demais
    Rita

    Reply
  3. rita
    21/08/2013 at 8:44 pm (4 years ago)

    Carol!!!

    Como assim, tu mora em Vancouver e a gente não se conhece???

    Nao pode isso.

    Vamos marcar um almoco para resolver este problema hein? Eu e Bella queremos te conhecer.

    O teu comentario –

    Concordo contigo, temos quer ter as informacoes corretas, eh o minimo que se espera num momento tao delicado, e depois a mae escolhe a maneira que vai querer usar para ser trazer seu bebe ao mundo, o que nao pode são as informacoes erradas, isso sim eh muito chato 🙁

    Beijos e vamos nos encontrar viu? urgente…hahaha

    Eu e Bellinha amamos fazer amizades brasileiras em terra Vancouverite!

    Rita

    Reply
    • Carol
      26/08/2013 at 5:13 pm (4 years ago)

      Rita, vamos combinar sim! Eu mandei uma mensagem privada pra você, na página do facebook do Botõezinhos, dizendo que eu sou eu! hahah
      E será muito fácil nos encontrarmos porque estou morando em North Van! Vou amar conhecer vc e a Bellinha! 🙂
      Beijocas

      Reply
  4. Sandra Nogueira
    21/08/2013 at 11:59 pm (4 years ago)

    Este assunto sempre me toca profundamente, me envolvi tanto com a sobrevivência dos meus filhos que nem discutimos o parto, as formas que poderiam ocorrer, tinha que ser cesárea, crianças com 600 gr e 25 semanas incompletas não teriam forças para passar por um trabalho de parto. Acredito e confio na minha GO que ficou, no dia da cesárea, um domingo, disponível durante 12 horas me acompanhando e depois acompanhando os meninos na UTineo, então acredito que não foi esta a questão, e muito menos o valor, mas sei bem o que fazem os médicos aqui, três amigas tiveram seus bebês às 38 semanas de gestação porque seus GOs tinham viagens marcadas…um absurdo!!!

    Vou assistir com certeza, não terei mais filhos, mas quando chegar a vez da Helena quero influenciá-la de forma positiva sobre o parto…

    bjos

    Reply
  5. Anonymous
    22/08/2013 at 1:04 am (4 years ago)

    Sandra,

    No nosso caso de maes prematuras, sem duvida o que menos importa é o tipo de parto, visto que ha preocupacoes muito maiores e decisoes muito mais dificeis a se tomar 🙁

    Sem duvida para o futuro da Helena e Bella, é bom que crescam sabendo que existem opcoes, para tomarem decisoes conscientes. Existem medicos maravilhosos no Brasil, nunca esqueco de uma consulta que fiz na minha ginecologista em Porto Alegre e ela se desculpou por ter se atraso visto que tinha passado a noite no hospital ajudando em um trabalho de parto, entao existe medicos maravilhosos que aconselham suas clientes para a melhor decisao, seja ela cesarea ou parto normal.

    Fé que mais medicos passarao a trabalhar assim daqui para a frente ne?

    Uma beijoca grande em ti e Heleninha!
    Rita

    Reply

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