Fonte
Ontem meu marido chegou em casa com este comentário:
“O meu colega de trabalho me disse que a filha dele de 3 anos e meio, que frequenta pré-escola Montessoriana, chegou em casa dizendo que sabe que dois mais um é três. Não gostei que ele falou isso.”
Entendi na hora o que ele quis dizer e fiquei até sentida dele ter se sentido assim, como a maioria de nós mães se sentem nestes momentos de “competição” entre pais.
Logo que ele comentou isso me veio em mente a filosofia Montessoriana, que é de fato mais voltada as atividades educativas, mesmo em detrimento das brincadeiras. Eu não sou expert em Montessori e não pretendo ser, até tenho vontade de comprar alguns livros sobre Maria Montessori, a educadora italiana que criou esta filosofia, mas ainda não tive tempo, então as informações que eu tenho são meramente ouvidas das minhas colegas de trabalho que já trabalharam em uma escola Montessoriana.
A questão não é a escola Montessori em si, mas sim esta aqui:
O quanto os nossos filhos tem que aprender?
E quando eles tem que aprender?
Bella tem a mesma idade desta menina e não sabe fazer cálculo. Só de escrever cálculo a coisa soa meio ridícula, afinal, para quê exatamente uma criança de 3 anos precisa calcular qualquer coisa que seja? Bella conta até 20 em inglês e português, mas cálculo? I don’t think so.
Estou preocupada com isso?
Não.
Mas por que não?
Existe uma onda muito forte de introduzir um ensino acadêmico a crianças cada vez mais novas. Volte 30, 40 anos atrás, na época em que você era criança, você se lembra da sua mãe sentar para brincar ou sentar para ensiná-lo a fazer conta? Não estou falando de você com 7 anos, mas você com 3!
Pois é.
A criança de 3 anos há 40 anos é a mesma que a criança de 3 anos de hoje, com a única diferença que ela sabe identificar o logo da Apple e já sabe mexer em um Ipad. A criança pequena atual tem as mesmas necessidades de antigamente e cada vez mais eu acredito que a única necessidade que eles tem segue sendo a mesma:
Brincar!
Brincar!
Brincar!
Sim, eu me preocupo muito em ensinar a minha filha a se interessar por livros, a curtir desenhar e a começar a entender as letrinhas e como escrevê-las, mas tudo isso sem neuras. Aos 3 anos em “ponto” Bella disse: “Como escrevo meu nome?”. Ela já sabe soletrar o seu nome mas escrever ainda não. Bellinha já tem seus cadernos de “aula” onde escreve as letrinhas mais fofas do mundo….ou seriam bolinhas? Ela tem um interesse natural em escrever, mas eu não forço, proporciono as canetinhas, os livros, os papéis e vou seguindo o ritmo natural dela. Hoje ela me mostrou que já sabe escrever os números 1 e 2 e eu, claro, babei na novidade.
Vivendo em Vancouver, ou seria Vankong (Vancouver + Hong Kong), eu vejo o quão avançadas as criaças asiáticas são, visto que por lá a competição é tão forte que não resta mais nada aos pais do que introduzir a vida acadêmica a uma criança novinha de 2 anos. Pasmem. Mas lá é lá e aqui é aqui, e eu não vejo razão em apressar as coisas. Sou uma mãe extremamente coruja e corujice a parte, sei que a minha filha é uma criança brilhante (de verdade) e ela não tem dificuldade alguma de aprendizado, mesmo tendo nascido tão prematura e propícia a isso, nada que me force pensar que ela deveria começar a aprender tudo mais cedo para poder competir com seus coleguinhas.
Cada vez mais acredito naquela frase que toda educadora aprende desde cedo na faculdade: 
“To learn through play”
Se aprende brincando. A brincadeira é o livro acadêmico da criança e tirar dela este prazer, esta necessidade, é não só impedi-la de aprender conforme ela deveria, mas também cortar o bem mais precioso que a brincadeira proporciona: o uso da imaginação.
Crianças pequenininhas não precisam saber o alfabeto e não precisam saber fazer conta, elas precisam somente que nós pais proporcionemos TEMPO para elas brincarem. 
Mas vale lembrar que as brincadeiras que me refiro aqui não são videogame, assistir desenho animado e passar o dia fazendo quebra-cabeça no tablet. As brincadeiras mais valiosas para o seu filho serão jogar bola, brincar de blocos, de carrinho, de boneca, desenhar, colorir, pular corda, aprender a andar de bicicleta e todas as brincadeiras que crianças brincam há décadas.
Isso não deveria mudar nunca.

7 Comments on O quanto aprender? Quando aprender?

  1. Anonymous
    13/03/2013 at 5:06 am (4 years ago)

    Vc tem toda razão, Rita, eu pensei em colocar Melissa numa escola Montessoriana, embora ela seja educativa, o método eh ensinado individualmente. Cheguei a conclusão que se a minha filha nunca freqüentou creche e precisa antes de TUDO se socializar, fazer amizades e trabalhar e interagir em grupos. Estão agora no meio do ano ela vai para uma creche, pra brincar e se feliz, a parte educativa eu sigo em casa, brincando, nas horas vagas.

    Pensei muito em colocar a Melissa numa escola educativa e tal, pois ela tem uma memória espetacular e muito interesse em letras e números e agora que sabe todas as letras ( maiúsculas e minúsculas) esta aprendendo, ou seria memorizando? Palavras!

    A parte social dela nao eh boa, esta atrasada na fala, nao interage com muita gente…Sinceramente, o melhor investimento agora seria uma creche. Vou coloca- lá sem culpa, só nao vai agora porque ta na famosa lista de espera.

    Desculpa o comentário longo, foi um desabafo. Beijinhos

    Raquel

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  2. Ju Denzler
    13/03/2013 at 2:54 pm (4 years ago)

    Genial como sempre….

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  3. Anonymous
    13/03/2013 at 4:42 pm (4 years ago)

    Concordo
    Ediene Sousa

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  4. Gustavo Correa
    13/03/2013 at 8:37 pm (4 years ago)

    É isso aí, muito exagero nessa história de aprendizagem. Não sei que idade aprendi a calcular, mas acho que foi no colégio. Realmente, antes não me fez falta nenhuma isso e não atrasou meu aprendizado.

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  5. Mamãe Nádia
    14/03/2013 at 12:26 am (4 years ago)

    Concordo contigo! Criança até os 6 anos precisa BRINCAR, e muito! E se ela for pra escola e "só"fizer isso, já estará PERFEITO!!!
    Aprendi muito sobre isso porque o Allan fez toda a educação infantil na escola da universidade onde eu fiz minha faculdade (UFSM), e a escola de lá é uma escola modelo, uma escola que segue os padrões de uma escola referência na Itália, e lá as crianças só brincam, e brincam muito.
    Eu gosto muito da Maria Montessori, mas acho que o pessoal tá "exagerando"no método dela. Os princípios dela podem ser introduzidos em qualquer escola, mas acho que uma escola que segue apenas o que ela ensina acaba deixando muita coisa de lado. E o pior é que tem muita mãe que nem estudou a teoria dela e acaba fazendo atividades montessorianas em casa com os filhos sem nem terem o conhecimento adequado…acho que tá virando muito modinha, sendo que é uma teoria pedagógica.

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  6. Sandra Nogueira
    14/03/2013 at 3:53 am (4 years ago)

    Concordo com vc Rita, a Helena é acompanhada por psico pedagoga e To epor isso é muiiiiiito estimulada, no fianl conhece todo o alfabeto, várias palavras conta até trinta em português e até 10 em inglês…mas não socializa e a interação está abaixo da idade (2 anos e 8 meses), precisa brincar com outras crianças…não quero que ela aprenda mais nada quero simplesmente que ela brinque muito e seja feliz…por isso vai para a escolinha de brincar…hehe…acho que ficaria até com medo se com três anos ela fizesse operações matemáticas…hahaha

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  7. Pâmela
    27/03/2013 at 3:54 am (4 years ago)

    Ahhh me identifico tanto com este post… Odeio comentários que originam disputas entre pais, é tão ridículo …

    Na escola da Lara estão trabalhando vogais, acho um desperdício de tempo, mas escola infantil aqui no Brasil sem trabalhar algum conteúdo deste tipo é difícil… Mas eu me regozijo quando minhas previsões se acertam quanto ao quanto é perda de tempo isso hahah #má rsr

    Os pais precisam relaxar e entender isso mesmo que você escreveu, a aula magma da criança é a brincadeira, a interação com o outro, a liberdade e o respeito em seus interesses… Daí sim a criança aprende o que PRECISA e não o que os adultos acham que é bom.

    bjosss

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