Eu diria que a Bella é uma criança insegura?
Não.
Eu diria que a Bella é uma criança insegura comparando com uma criança canadense?
Talvez.

Eu prometi para mim mesma, anos antes de engravidar, que se eu tivesse um filho um dia, faria de tudo para que ele crescesse sem stress e sem medo. Acho que dentro dos meus limites de mãe brasileira, estou me saindo bem. Poderia me sair melhor? Acho que sim.

Vocês que são brasileiras entendem como as mães brasileiras são: super apaixonadas por seus filhos, muito protetoras, a legítima mãe “latina”, como outros países se referem à nós, aquelas mães que não medem esforços para proteger seus filhos de todos os males que podem cruzar seu caminho. Eu confesso que tenho orgulho de ser uma mãe assim, gosto de saber que a minha filha tem uma mãe assim do lado dela, mas me comparando com mães canadenses, por exemplo, às vezes penso se não sou “too much”. Vejam bem, não “too much” nas coisas boas, mas sim no excesso de zelo.

Querem saber qual a palavra que a Bella mais ouve de mim o dia todo?

Cuidado.

Cuidado para não cair. Cuidado para não se engasgar. Cuidado com o dedinho. Cuidado com o cachorro. Cuidado ao correr. E por aí vai.

Jesus!
Antes mesmo da menina dizer mamãe ela já sabia o significado da palavra cuidado.
Pode isso?

Eu fiz uma reflexão à respeito e comecei a me policiar para ver quantas vezes eu dizia palavras “negativas” para ela:

  • Não!
  • Não pode!
  • Não faz isso.
  • Cuidado.

Cheguei a conclusão de que eu não falo não. Eu falo cuidado….o tempo todo!

As minhas amigas canadenses vão concordar comigo, quando se vai  a uma pracinha canadense, as mães sentam há 5 metros das crianças e batem papo na maior naturalidade sem se preocupar com as crianças, ao ponto de se ver criancinhas de 1 ano e meio subindo no escorregador sozinhas. Um absurdo na minha opinião, mas este comportamento nada zeloso colabora para a independência infantil. Nos demos conta de que a Bella pede a mão para brincar seguidamente. Ela, a mais ardida das pimentinhas, que não pára quieta um minuto sequer, despachada como só ela, pede a mão para brincar. Por que será? Acho que é uma mistura de não ir a escola ainda, portanto têm necessidade de brincar com alguém, por isso pede a mão, mas também devido a mãe zelosa demais.

Será que de certa forma nós mães brasileiras zelamos nossos filhotes a tal ponto de criarmos uma insegurança neles? Seguidamente me pergunto sobre isso. Meu marido, canadense, disse que eu preciso relaxar e deixar ela aprender sozinha, a dar a cara à tapa, a se arriscar e explorar o mundo longe da barra da saia da mamãe, mas como é difícil!

Quando eu páro para pensar na minha tragetória como mãe, eu sei que onde nasceu a minha bravura, nasceu também a minha insegurança. Por mais que eu tenha sido forte para lidar com todos os problemas médicos da Bella, a minha bravura foi por água abaixo quando saímos pelas portas do hospital. A Rita corajosa que enfrentava um time de 15 médicos para questioná-los sobre o tratamento da sua filha, se transformou em uma mãe meio neurótica. Não sou neurótica no sentido de tentar impedir a Bella de comer doces, de não deixar ela brincar no chão e colocar a mão na boca, mas sim de tentar evitar ao máximo que ela se machuque. Seguro a mão sim, pego no colo para evitar um tombo sim, quase enfarto quando ela tem que descer um lance de escadas. Tenho muito medo que a minha filha se machuque e que sinta dor. Cada vez que a vejo ” em risco” lembro de todas as dores que ela sentiu no hospital e meu instinto de mãe diz : “Nem pensarrr que ela vai se machucar, Bella, mamãe tá indooo”

Mãe zelosa?
Mãe normal?
Mãe de UTI neonatal?

Nem sei mais. Só sei que estou tentando trabalhar este meu lado “too much” em favor da minha filha. É muito difícil para mim ainda, aceitar que ela é uma criança normal, que ela não precisa mais de tanto zelo. Pergunte a qualquer mãe de prematuro extremo se ela não se sente assim?

Mas ao menos já estou dando o primeiro passo, que é me dar conta quando o meu zelo extremo interfere na independência dela. O próximo passo agora será mais difícil, relaxar e deixar que a minha menina dê sim a cara a tapa e se aventure por aí sem ouvir a mãe chata gritando CUIDADO!

8 Comments on Crianças inseguras?

  1. Telma Maciel
    06/10/2011 at 2:15 pm (6 years ago)

    Rita, acho q é difícil pra qquer mãe, mas pra uma q viu sua preciosidade sofrer tanto mesmo antes de se entender por gente, é mais difícil ainda!
    Mas é necessário que as crianças caiam, ralem os joelhos, machuquem e descubram que o mundo não é perfeito e q a mamãe – tão zelosa sempre – não vai ficar sempre ali do ladinho.
    Pq qndo ela for pra escolinha, correrá riscos de mordidas e beliscões dos coleguinhas, entre outras coisas. E vc só vai ficar sabendo qndo for buscá-la e vai acabar se chateando com a escola… pode não!
    Deixe-a correr e fale "cuidado" só pra vc! Comece a treinar, a cada caidinha no colchão ou lugares macios vc grita um "êêêê, muito bem! vamos levantar e brincar mais!" e vá passando esse incentivo pra qquer caída (menos as q machucam de verdade, daí o ideal é o colinho msm). Ela vai entender q cair é normal e q ela pode levantar sozinha.
    Beijos

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  2. JM
    06/10/2011 at 2:38 pm (6 years ago)

    Não tenho idéia de como "sobreviveu" as dificuldades do inicio da vida da bella Ri, mas obvio que nos mães não queremos que nossos filhos se machuquem. Eu falo "ai ai ai chloe!!!! Vc vai cair!" e por ai vai… Mas quando ela cai e mais no "vamos! Levanta! Vamos brincar!"
    Aprendi essa semana que passou – onde a chloe morou com mais 4 crianças- a não interferir se ela não esta em perigo. Meu coração apertou, deu raiva de olhar, mas no ultimo dia ela já estava se defendendo.
    Não e fácil, e as vezes vem aquele pensamento: " porque ela tem que passar por isso agora? Porque tem que entender que o mundo e assim desde tão pequena? Afinal os tombos da vida são inevitáveis e por mais preparados que formos, quase sempre
    Nos pega de surpresa.
    Mas como "seguro morreu de velho", deixo chloezinha mais "solta", mas meu coração fica pequeninho….
    Ju

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  3. Jéssi Zborowski
    06/10/2011 at 5:17 pm (6 years ago)

    Rita.. eu entendo como tu te sente…
    minha irmã mais nova (5 anos de diferença) nasceu de 23 semanas de uma gestação interrompida por uma eclampsia..
    minha mãe ficou um mes em coma, e eu com 5 anos na época me intitulei mãe da maninha… afinal, peguei ela no colo primeiro que a minha mãe!!
    Sempre cuidei dela demais.. protegi de forma absurda..e isso tornou ela insegura…
    durante nossa infancia várias noites ela dormiu na minha cama, por medo de ladrão (que graças a Deus nunca apareceu de verdade)
    ficou insegura.. fato!
    mas eu nao aprendi..
    Minha filha mais velha nasceu de 34 semanas, ficou 11 dias no O2, usando sonda pra se alimentar e sempre com um soro no bracinho pequeninho, e duas semanas na encubadora… com dificuldades pra respirar…
    quando chegamos em casa, eu com 17 anos e ela com 16 dias eu fiz de tuuudo pra ela se manter 'protegida'
    hoje mudei bastante, principalmente depois do segundo filho…
    ainda tenho muito o que melhorar… mas é assim mesmo!!
    ainda prefiro zelo de mais do que de menos
    beijinhos

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  4. Pâmela
    06/10/2011 at 10:06 pm (6 years ago)

    Rita nós não passamos nem um décimo do que passaram com a Bella, mas o que passamos nos tornou pais muito zelosos… Não me acho aquela mãe que fica atrás, até dou muita liberdade para a Lara, ela brinca sozinha, sempre brincou, mesmo antes da escolinha (o que me faz pensar que a Bella gosta e companhia e só, nada a ver com a escola), mas em se tratando de se machucar, sentir dor, sofrer (seja pelo o que for – aqui não é manhas e coisas do tipo não) eu to lá, como vc disse "Filha peraí que to indo!" NEM PENSAR!!! Nisso posso até errar, mas não consigo pensar em deixá-la passar por certas coisas. Sei que aos poucos, com a vida seguindo vamos acertando os ponteiros, por isso, me preocupo mas não me descabelo rsrs
    Bjos

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  5. Isabela
    07/10/2011 at 3:32 am (6 years ago)

    Rita,
    Eu sempre fui super protetoras das minhas sobrinhas e achava que seria neurótica quando tivesse meus filhos.
    Mas me surpreendi…desde os primeiros dias eu sou muito tranquila com Nina.
    Claro que quando não vejo perigo, deixo-na a vontade…mas é inevitável que se machuque.
    Quando ela cai e machuca de chorar eu digo à ela: "Calma Nina, isso vai acontecer muitas vezes ainda."
    Hoje ela esfolou o joelhinho na calçada e o pai falou pra mim: "Você deixou ela se machucar…" hehe como assim, é inevitável que ela se machuque.
    Mas também é só quando ela está comigo, porque se deixo ela na minha mãe, fico mega preocupada de acontecer algo.
    Já percebi que Nina é corajosa, não tem medo das coisas, por um lado acho ruim…pois se joga.
    Será que sou liberal demais ?! rs
    beijão

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  6. rita
    07/10/2011 at 4:42 am (6 years ago)

    Gurias!

    Amei ler os relatos de voces!

    Adorei como cada uma tem seus pontos fortes e fracos, o que so mostra que estamos todas no time de maes que estao sempre dispostas a aprender, mesmo quando tem que engolir o aperto no coracao em prol dos filhotes.

    Uma beijoca grande em todas!
    Rita

    Reply
  7. Anonymous
    12/10/2011 at 3:00 am (6 years ago)

    Oi Rita,

    Sabe que foi uma das primeiras coisas que eu percebi aqui nos EUA. As crianças têm a maior independência andando na rua e em lugares públicos. Acho meio exagerado como eles são aqui, afinal com criança é só um pisca de ohos, né? Mas o que eu acho muito interessante é que, pelo menos aqui onde moro, os pais têm uma paciência para conversar com os filhos incrível. E acho que acertaram o tom também, não ficam nem no patati-patata nem falando como se a criança fosse adulta. Dificl, né? A Bella está cada dia mais charmosa! Beijos! Julia

    Reply
  8. rita
    12/10/2011 at 3:26 am (6 years ago)

    Oi Julia!

    Simmmmm, as maes americanas sao muito mais desancanadas, o que eh bom por um lado, criam adultos mais "light" na teoria (se bem que tem cada americano doido, a gente sabe), mas serve de exemplo para nos maes brasileiras e estressadas.

    Eh verdade, elas nao conversam com crianca com nhe-nhe-nhe, conversam de igual para igual, o que tambem eh bem legal.

    Beijocas mil minhas e da Bella

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