Vocês já devem ter visto na TV, ou quem sabe leram uma matéria no jornal, sobre a polêmica que envolve os concursos de beleza de crianças. Fico chocada cada vez que cruzo com uma foto ou leio detalhes de como os tais concursos funcionam, mas os concursos em si não serão o tema do blog de hoje, e sim uma onda que anda tomando conta da infância atual: a sexualização precoce das nossas crianças.

Fonte

Um terror!
Tenho muito medo disso!

Se você está na casa dos 30 anos como eu. volte 20 anos atrás e lembre-se de você na sua infância.

A minha era assim:

  • Brinquei de Barbie até meus 12 anos, no mínimo, e sem vergonha disso.
  • Todas minhas amiguinhas também brincavam de boneca, de pequeno pônei e de skate na rua. Éramos todas molecas que chegavam em casa com a bunda suja de tanto se atirar no chão durante as brincadeiras.
  • Usava conjuntinho de veludo colorido, com aplique na frente e polâinas nas pernas.
  • Não usava maquiagem alguma, só para se fantasiar de brincadeira.
  • Salto era coisa de mãe, colocava um sapato de salto em casa para brincar e se olhar no espelho e em 5 minutos o sapato já era.
  • O máximo da tendência de moda era sonhar com aquela mochila de marca. Roupa de marca? Como assim.

Agora passe para frente para a infância de hoje:

  • Deus o livre você sair para comprar roupa para sua filha, ela não somente a acompanhará na loja, como escolherá cada modelo.
  • Itens de beleza como esmalte e gloss viraram assunto para a turma de 8 anos
  • Toda sandália feita para crianças ou têm salto ou se não tiver salto, têm um mini saltinho mesmo assim.
  • Brincar? O que é isso? Quero meu celular, só isso.

Triste, muito triste.

Morro de medo, de verdade, do que esperará a minha Bella quando a pré-adolescência chegar. Fico um pouco tranquila (muito pouco) pois vivemos no Canadá, onde as coisas não chegaram a este ponto. Criança aqui é criança até seus 10, 11 anos no mínimo, sem um pingo de vaidade, mas até a Bella crescer, vai saber a que pé as coisas andarão.

Gostaria muito que minha filha fosse criança, que pudesse brincar sem se preocupar em não sujar a roupa ou em usar o esmalte da mamãe. Será que estou errada?

Quando vou ao shopping eventualmente fazer compras e cruzo com roupas de C-O-U-R-O e pele na Baby Gap, me pergunto: “Se as lojas estão empurrando um visual motoqueira-sexy para um bebê de 6 meses, o que restará para aquela garotinha de 6 anos?”.

Que vergonha Baby Gap!
Que vergonha H & M!

A minha missão como mãe, ao menos no quesito aparência da minha filha é, se eu ver algo suspeito em uma loja infantil, corro para o lado contrário. Bella só usa e só usará, enquanto eu tiver voz ativa, roupa de criança. Nada de mini saia justa, nada de mini blusa, nada de coletinho sexy, muito menos sapato de saltinho (a minha maior implicância). Não existe nada mais perturbador do que uma criança de bota de inverno com salto.

Roupa de criança, para criança:  nada de acessórios extravagantes, nada de bolsinha para sair na rua (em casa ok, de brincadeira), nada de esmalte, nem produtos de beleza de qualquer espécie, como vejo por aí em crianças com menos de 4 anos.

Gente, não sei onde o mundo vai parar…..ou será que fui eu que estacionei no tempo?

5 Comments on A minha filha não!

  1. JM
    21/09/2011 at 2:08 pm (6 years ago)

    Polemica!!! Polemica!
    Acredito que essa massificacao de crianças-mulheres contribuem por inúmeros problemas bem mais sérios, mas espero que minha filha não venha a fazer parte de nenhuma estatística ou fazer parte dessa "nova fase".
    Acredito ser muito por parte dos pais também.
    Não podemos generalizar, mas aqui no canada acho que os pais são mais "ativos" na criação dos filhos. Por inúmeros motivos, um deles sendo a saída do trabalho mais cedo ( 5-6pm), por programa em família não se resumir em volta ao shopping, por crianças serem tratadas como crianças , com rotina e horário para dormir ( cedo!!!).
    Acho que essas coisas influenciam para a criança ser criança e não querer ser o que ela assiste na novela das 9 da noite por exemplo.
    Espero que essa "moda" de roupas de adulto para criança acabe logo e que a única preocupação que elas tenham e de que a barbie perdeu o sapato ou o caminhão esta sem pneu!

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  2. rita
    21/09/2011 at 2:15 pm (6 years ago)

    Otimos pontos Ju!
    Nem tinha me tocado disso, de fato, aqui os passeios sao outros e parece que eles influenciam nos gostos das criancas.

    Se uma crianca fosse dormir as 8 no Brasil, como dormem aqui, ja se poupariam de ver a novela das 9!

    Ai ai….esta moda eh terrivel, tadinhas das criancas.

    Beijos

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  3. Pâmela
    21/09/2011 at 4:53 pm (6 years ago)

    Penso igualzinho Rita!

    Também tenho medo do futuro da minha picota…

    Também brinquei de boneca até 12 anos de boa, corri, ralei joelho, pulei corda, elástico, cela, TUDO, como éramos felizes… Hoje as crianças estão tão enfurnadas em casa que sobra pouco para fazerem, experimentarem… E eu vou mais longe, acho que parte disso é culpa da família. Criança criada pelos "outros" está sujeita a qualquer influência e se influenciar dá dinheiro é o que vai ser feito.
    Também acho que hoje muitas famílias tem um sentimento de querer ver crescer logo, então adianta as etapas permitindo coisas que seria só dali um pouco… encurtam, sem perceber, a infância das crianças…
    Eu sou muito chata, se comparar com a maioria, Lara não usa roupa de marca, não tem acesso a esmaltes, batom ou coisa do tipo, ralo para achar sandálias e sapatos na "horizontal" pq tá virando raridade, pois os que tem são daquelas marcas caaaaaras. Aqui enquanto for criança roupa de criança, mocinha, roupa de mocinha e assim por diante… Tudo tem seu tempo não é mesmo?!
    Fico horrorizada com certas roupas de crianças e bebês, até mini-saia (cobre as partes), e roupas sexy tem… aff que medo!
    bjos

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  4. Lindsey Vieira
    21/09/2011 at 6:26 pm (6 years ago)

    Não Rita, você não estacionou no tempo! E se estacionou eu estou ali, parada ao seu lado! Tenho um bebê lindo de onze meses em casa (no Brasil) e me preocupo com isso tanto quanto você! Por ele ser um menino a questão vestuário acaba sendo mais fácil de lidar, mas me preocupo com outros apectos. O fato de nossas crianças quererem se tornar adultos antes do tempo, perderem a "melhor faze da vida" deixando de lado brincadeiras antigas. O modo com o qual muitas mães vestem seus filhos hoje, tem total influência nisso, a convivência também! Vejo em minha familia um modelo mais tradicionalista de educação, já que somos maioria mulheres, sabemos quais os limites entre infancia e vida adulta. Acho que é um absurdo vestir uma filha como uma boneca barbie (bem como a foto que ilustra o post), e deixá-la (ou obrigá-la) a se exibir como fazem as mães de concursos.
    Adorei seu post e, fico feliz por saber que não estou sozinha em minhas opniões!

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  5. Anonymous
    23/09/2011 at 8:58 pm (6 years ago)

    Oi Rita

    Faz pouco tempo que acompanho seu blog e é a primeira vez que faço um comentário. Acho muito interessante o que tem escrito aqui no seu blog e percebi que temos muitas coisas em comum e não resisti em comentar a esse respeito e deixar claro que é um grande alívio saber que tem muitas pessoas que ainda pensam como eu, concordo totalmente, realmente é triste ver como as crianças estão perdendo a infância eu tenho 33 anos e uma filha de 12 anos e não tem sido nada fácil educar uma menina nos dias de hoje, faço de tudo para que ela aproveite ao máximo a infância, por exemplo, ela é uma das poucas na sala de aula que brinca de boneca se rola na terra brincando de bola adora brincar com seus priminhos se da muito melhor com as crianças de 9 anos pra baixo fica horas e horas brincando com elas, não usa esmalte (as vezes aparece com as unhas pintadas quando vem da minha cunhada, mas ela sabe que tem que tirar) nem maquiagem nunca deixei usar sapatos de salto não entende nada de marca de roupas entre outras coisas, mas as vezes ela não resiste a pressão das coleguinhas e quer ser e fazer o mesmo que elas por esse e outros motivos eu cheguei a achar que estava errada com a forma de educar minha filha, ela está saindo da infância de vagar aos poucos e acredito que no momento certo e quando crescer sei que vai me agradecer por isso. Foi realmente um prazer e uma alegria saber que não estava errada e nem sozinha em incentivar crianças a serem mais felizes… Até mais fique com Deus
    Camila M. T. Maracaju/MS – Brasil

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