Certos assuntos são chatos de comentar, seja pessoalmente com um desconhecido ou amigo, ou através de um blog, mas se não conversarmos sobre isso em algum momento, nos mães pensaremos que somente nossos filhos apresentam certos “defeitinhos”, sejam eles físicos ou comportamentais.

Ao ler a reportagem da bebezinha inglesa que nasceu com o narizinho vermelho devido a um tumor benigno, me perguntei: como lidamos com os defeitinhos dos nossos filhos? Os encaramos de frente ou temos vergonha e os escondemos? E como lidamos quando nos deparamos com alguém que têm algum “problema” visível.

Hummm, boa pergunta!

Posso responder por mim, mas sei que cada caso é um caso e cada probleminha apresentado pelas pessoas que amamos são muito pessoais e cada um lida com eles da maneira que consegue.

Bella desenvolveu o mesmo problema que a bebezinha do narizinho vermelho desenvolveu: um hemangioma, ou seja, um tumor benigno que se apresenta através de um sinal vermelho (o sinal é vermelho devido ao crescimento anormal de vasos sanguíneos). Há muitos graus de severidade de um hemamgioma, de sinais pequenininhos que ficam escondidos no corpo até os mais visíveis como o da menina inglesa.

Há uma suspeita de que meninas prematuras sejam mais propensas à hemangiomas, quando eles se apresentam logo que o prematuro nasce. No caso da Bella, nascida de apenas 25 semanas, ela nasceu com uma pintinha quase invisível rosa nas costas atrás do pescoço. Tão minúsculo que só foi notado dias depois do nascimento quando o sinal começou a crescer a olhos vistos.

Coincidência ou não, chamávamos o sinal da Bella de Botãozinho da Bella, na UTI.

 
Acredito que justamente pelo sinal ter crescido gradualmente, não tenha sido um choque para mim e meu marido, mas no caso da menina inglesa, ver o seu tão esperado bebezinho com um problema deste deve ter traumatizado aquela mãe. Nossa sociedade é cruel com qualquer coisa diferente, e quando a coisa em questão é um problema de saúde, seja físico ou comportamental, os comentários maldosos, olhares e curiosidade em geral são sempre cruéis aos olhos da pessoa em questão e à sua família.

A reportagem descreve que o constrangimento era tanto que eles escondiam o narizinho da menina sempre que iam ao médico, justamente para evitar comentários. Eu me identifico? Sim, e muito, e olha que o sinalzinho da Bella é bem pequeno e localizado em uma área que pode ser facilmente coberta.

Olhares esquisitos já me incomodaram muito com relação ao hemamgioma da Bella, afinal, depois de tudo o que eu passei com minha filha internada na UTI por quase 4 meses, ter que lidar com olhares maldosos depois da sua alta me incomodava demais, a ponto de eu ficar em cima dela puxando o tiptop para não mostrar o sinalzinho.

O mais interessante de tudo é que meu grau de tolerância era infinitamente maior com pessoas que se mostravam realmente curiosas com o sinal: crianças apontavam ou vinham perguntar o que era aquilo, um menino especial no ônibus tocou no sinal dela com a maior cara de curiosidade e um amigo da família fez o mesmo. Me magooei? Não, nem um pouco! O meu constrangimento acontecia principalmente quando adultos (principalmente outras mães) olhavam com cara de nojinho para o sinal da Bella.

Vejam como dá para mostrar sua curiosidade de forma sincera sem magoar ninguém! Prefiro que perguntem o que é, do que ficarem olhando de rabo de olho.

A história da menina inglesa teve um final feliz, a medicina hoje apresenta tratamentos eficientes para o caso de hemamgiomas como o da Bella (que está murchando e deverá sumir sozinho), mas meu post de hoje vale para qualquer defeitinhos que vejamos em qualquer outra pessoa, seja criança ou adulto.

Ninguém é perfeito, todos temos nossos defeitos em menor ou maior grau, mas é preciso que se tenha sensibilidade com aqueles que apresentam defeitinhos mais visíveis.

Fica a sementinha para plantarmos na cabeça dos nossos filhos desde cedo: aprender a ter compaixão por outras pessoas e também saber se portar quando alguém é um pouquinho diferente.

1 Comment on Defeitinhos

  1. JM
    24/08/2011 at 12:07 pm (6 years ago)

    Amei! Eu admito que não comento quando vejo, mas e por achar qe evitarei qualquer constrangimento ( se a pessoa não quer falar sobre o assunto,etc…) e tb porque pra mim tanto faz. Tenho psoriase e lido com olhares desde que ficou visível aos olhos de todos e sei bem como as pessoas podem reagir. A Chloe tem um sinal de nascença que os médicos disseram que sairá. Eu acho uma graça, mas sei que ela enfrentara olhares como eu enfrentei e enfrento ainda. Tudo que posso fazer e educar minha filha para ela se comportar como ela gostaria que as pessoas a abordassem. Com respeito e curiosidade, ou com naturalidade, o que eu acho mais apropriado já que todo mundo tem "defeitinhos", e nem sempre visíveis aos olhos…
    Bom dia a todos do blog!!!!!
    Ju

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