Não tinha planos de escrever sobre isso hoje, mas depois de assistir a este vídeo mudei os planos do blog para hoje para mostrar este clipe e falar um pouco de um sentimento muito comum em pais de prematuros ou bebês especiais que passam por momentos difíceis em um hospital.

O músico Matt Hammitt e sua esposa descobriram durante a gravidez que Bowen, seu primeiro menino,tinha uma doença congênica extremamente severa e tinha chances muito altas de não sobreviver. Ryan escreveu a música “All of me”, que representa como nenhuma outra música que tenha ouvida até hoje, o sentimento de medo que pais de bebês doentinhos têm.


“All of Me” from Ryan Lynch on Vimeo.

Vou traduzir um trechinho da música para vocês, e vocês mães prematuras se identificarão muito com ela, tenho certeza.

“Medo de amar
Algo que pode se quebrar
Eu poderei seguir em frente?
Se você se for?
Eu não posso dar meu coração para você
E fazer com que ele seja suficiente


Você terá tudo de mim
Por que você merece todas as lágrimas que derramarei
Você merece fé nos momentos de medo
Você terá todo meu amor
Mesmo que não seja suficiente
Suficiente para curar você


Não deixarei que a tristeza roube você de mim
Não deixarei que a dor te distancie do meu coração
Eu trocarei todo o medo de perder você
Por cada momento junto de ti”

Ai, só de traduzir este trechinhos já me debulhei em lágrimas.
Arg…e eu que penso às vezes que estou me recuperando de tudo o que passamos, basta uma coisinha para tudo voltar à tona.

Um dos piores sentimentos que se pode ter dentro de uma UTI é o sentimento do medo de amar, do medo de se apegar a pessoa que você mais ama no mundo. Somente quem já passou por uma situação como esta, onde a vida do seu filho está por um fio, entende o que esta música quer dizer.

Sim, nós mães amamos nossos filhos mais do que a nós mesmas, mas saber que seu bebê está em estado crítico e pode não sobreviver, faz a parte irracional (ou seria racional?) de você se perguntar: ” Para quê me apegar a esta criança?”. Terrível falar isso, mas é o que passa pela cabeça de uma mãe prematura por alguns segundos, provavelmente os piores segundos da vida dela.

Teve uma ocasião apenas em que eu me senti assim, quando um dia após a cirurgia da Bella, quando eu pensei inocentemente que o pior já tinha passado, em meio a todos os incontáveis problemas que ela tinha, nos contaram que outra coisa poderia estar acontecendo com ela (não gosto de entrar em detalhes quanto a esta parte) e no minuto em que eu ouvi aquela notícia eu automaticamente caminhei para trás me afastando da incubadora.

Nunca, jamais, pensei que algo assim poderia acontecer comigo, perder a fé daquela forma e em questão de segundos. Fico me perguntando até hoje o quanto o coração de uma mãe pode aguentar e quão injusta a vida é às vezes fazendo com que nós mães tenhamos estes pensamentos, nem que por uma questão de segundos.

A música retrata muito bem, porém, como o milagre de uma vida têm mais importância do que o medo de perdê-la. Qualquer minuto ao lado de nossos filhos vale mais que um tesouro para seus pais, principalmente para aqueles pais que passam por situações impensáveis antes mesmo de levar seu bebê para casa.

Se eu pudesse voltar atrás, se eu pudesse voltar aos tempos de UTI sabendo o que sei hoje, teria me permitido curtir mais a minha filha. Teria dado adeus à tristeza imensa da partida da minha gravidez e teria aproveitado o nascimento da minha filha. Teria sorrido mais, mesmo que em meio às lágrimas, teria tido a coragem de entrar em uma loja para acabar o enxoval, teria conversado mais com meus amigos, aos invés de me isolar, teria vivido o momento ao invés do medo do que poderia acontecer.

Não posso voltar atrás e o que passou agora faz parte de mim. As alegrias, mas também o trauma. Talvez pelo modo como eu tenha levado aquela experiência. Mas como tudo na vida, só vivendo para saber. Qualquer mãe em sã consciência teria agido como eu, como uma mãe ferida que não sabia onde se segurar. Mas o que eu posso oferecer a outras mães que estejam vivido o que eu vivi é o meu humilde conselho.

Não tenha medo de amar!
Se apegue sim ao seu bebê, o ame e o mime muito, pois se você não o fizer, quem o fará?
Deixe ao menos o medo em casa, feche a porta e entre no hospital cheia de alegria, pois afinal, o dia de amanhã não sabemos, mas o nosso hoje pode ser lindo, pode ser cheio de lembranças bonitas que só cabe a nós construir.

E lembre-se, você não está sozinha. Há uma comunidade inteira de mães como você que passaram pelos mesmos sentimentos que você está passando. Mesmo os sentimentos ruins que sentimos, não fazem de nós mães piores, fazem de nós mães mais sensíveis que estão aprendendo e lutando, assim como seus bebês.

** Este post é dedicado a todas as queridas mães prematuras que já me escreveram contando suas histórias felizes, mas também suas histórias tristes. Quando ouço uma música bonita que representa um pouquinho o que eu vivi, sempre penso em vocês. Não estamos sozinhas. **

2 Comments on Prematuridade: Medo de amar

  1. Mercia
    11/08/2011 at 5:32 pm (6 years ago)

    Querida!
    Muito obrigada pelo carinho! Vc é um anjo na minha vida e na de outras mães que passam por essa situação tão delicada!
    Sinceramente, não tinha como vc fazer diferente, sei bem porque passei exatamente o que vc passou… essas reaçōes são normais…
    É um momento muito traumatizante, até agora sinto o cheiro e ouço os barulhos da Uti…essa sensação de perda a qq instante é arrasadora…
    Graças a Deus tudo acabou da melhor forma!
    A musica é linda!
    Beijos

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  2. Gustavo Corrêa
    11/08/2011 at 9:43 pm (6 years ago)

    bonita música

    Reply

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