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Cada vez que leio que um Global congelou as células tronco do seu filho, este assunto me volta à cabeça e me dá vontade de escrever algo sobre o assunto. Hoje li no Twitter que Daniele Suzuki congelou o sangue umbilical do seu bebê.

Se você é mãe e é antenada no que se passa a sua volta com relação a medicina, você já ouviu falar do armazenamento de células tronco no nascimento do bebê. Se você não ouviu sobre o assunto ainda, é praticamente um milagre, pois ele é martelado na cabeça de nós mães a cada nascimento “global”.

Confesso que nunca tinha me interessado pelo assunto até engravidar. Quando engravidei comecei a me informar e confesso que nós iríamos armazenar as células tronco da Bella se ela não tivesse nascido prematura.

E antes que vocês pensem “Nossa, como a Rita é poderosa, será ela uma Global enrustida?”, eu respondo que não! O congelamento de células tronco no Canadá é caro, mas é pagável, custa em média mil dólares para o congelamento inicial e em torno de 100 dólares mensais para o seu armazenamento a longo prazo.

Caro? Sim.
Pagável? Sim!

No Brasil?

Em torno de R$ 3.500 o congelamento inicial e em média R$ 700 reais por ano no armazenamento do material.

Caro? Sim, muito! Levando-se em conta o poder aquisitivo da classe média hoje em dia.

Lembro que na época das minhas pesquisas, o número de contras era maior do que o número de prós na maioria dos sites sobre o assunto, mas o meu coração de mãe me disse que valeria a pena abdicar de frivolidades para investir em algo tão importante para o futuro.

Porém hoje, relendo sobre o assunto, vejo que o número de contras segue igual, ou seja, o desconhecido ainda paira sob o tratamento com células tronco, e daí me pergunto? Será que vale a pena, de verdade, uma família se apertar tanto financeiramente para apostar e investir em um tratamento ainda longe de ter resultados positivos como a cura, por exemplo?

O site do Instituto Brasileiro de Cãncer explica muito bem como o processo de armazenamento funciona, e se necessário, o que realmente tem chances de curar e por quanto tempo o material se mantém em condições de uso. Por ser uma tecnologia tão nova, não existe garantia de nada, literalmente.

A informação abaixo é super bem explicada e tirada deste blog de outra mãe no mesmo dilema.

Prós:
  •  Diante da fatalidade de ter um filho com leucemia, a utilização das células-tronco armazenadas ajuda efetivamente no tratamento para a cura;
  • Acalma o coração dos pais e não nos deixa culpados caso isso seja realmente necessário;
  • Diante da possibilidade de futuras descobertas sobre a aplicabilidade das células-tronco para outras doenças, cresce a chance do seu filho, adoecendo, poder se fazer valer de algo que aumenta suas chances de cura.
  • Como as células serão do próprio “transplantado” a chance de rejeição é zero.
Contras:
  •  o valor do investimento atual e da manutenção anual;
  •  a única doença cujo tratamento com as células-tronco do cordão tem eficácia comprovada é a leucemia. Para outras doenças ele é indicado, mas não há nada comprovado.
  • Para o tratamento de leucemia há a possibilidade de transplante de medula óssea.
  • Existem bancos de armazenamento públicos, cuja doação é gratuita, mas só ocorre em maternidades conveniadas. Nesta hipóstese as células do seu filho não são de uso exclusivo dele, qualquer pessoa que necessite poderá usá-las. Assim como ele poderá fazer uso das células-tronco de outra pessoa.
  • Todas as empresas que pesquisei (Cryopraxis, Cellpreserve, Cordvida e Cordcell) são relativamente novas no mercado (respecativamente 9, 4, 5 e 2 anos).
  • Houve somente 4 utilizações , sendo duas na Cryopraxis e duas na Cordvida (segundo os próprios bancos informaram). Ao perguntar qual tinha sido o resultado, ouvi que foram “bem sucedidos”, mas quando perguntei especificamente se houve cura, a resposta se repetiu e ouvi apenas um “foram bem sucedidos”!
  • Em todas os bancos a bolsa utilizada para armazenamento é bipartida, o que significa dizer que, teoricamente, o material poderia ser utilizado 2 vezes. Entretanto, geralmente a quantidade coletada é utilizada integralmente para o tratamento da leucemia.
  • Alguns cientistas e médicos chamam a atenção para o fato de que se as células do indivíduo apresentam “defeito”, há chance de as células-tronco também apresentarem. Daí o único tratamento seria mesmo o transplante de medula.
  • Para a coleta ser bem-sucedida, tem que haver um mínimo de células no cordão (500 milhões, ao que parece), caso esse número não seja atingido, o material tem que ser descartado.
  • Os bancos informam que o tempo de preservação é indeterminado, mas até hoje, a integralidade das células só foi medida por 20 anos. Assim, o “indeterminado” é realmente indeterminado, pois é uma crença e não há nada comprovado.

Não é de dar um nó na cabeça de uma mãe que já é estressada mesmo antes do bebê nascer?
Decidir sobre uma coisa como esta é difiícil, pois não estamos falando de um pagamento único, e sim de um pagamento mensal para toda a vida. Pois pagar o congelamento, arcar com o custo mensal por alguns anos e depois não ter condições de pagar a taxa anual, e ter perdido o seu material genético, deve ser traumatizante.

A razão pela qual não fizemos a coleta das células tronco da Bella é por que ela nasceu muito prematura, meses antes da minha idéia de contatar a empresa de coleta para me enviar o kit. Por isso gravidinhas que estão pensando no assunto e estão no início da gravidez, se você tem interesse em contratar uma empresa deste gênero, o faça logo nos primeiros meses de gravidez, não deixe para depois do sexto, sétimo mês, pois você precisará do kit de coleta para levar para o hospital. Uma vez na maternidade, o kit é dado ao médico para que ele mesmo colete o sangue do cordão umbilical. Se o seu bebê nascer prematuro (bata na madeira), e você não tiver o kit, não poderá efetuar a coleta, visto que ela é feita nos primeiros minutos após o nascimento do bebê.

Eu farei o armazenamento das células tronco de um irmãozinho-irmãzinha da Bella?
Sinceramente, não sei, mas vale a pena discutirmos este assunto e pesquisarmos sobre ele para que possamos fazer a escolha mais acertada para a nossa família e para o nosso orçamento.

 

1 Comment on Dilema da mãe: armazenar ou não?

  1. Ivana
    10/06/2012 at 11:29 pm (6 years ago)

    Vivemos hoje este dilema… Fico imaginando se no futuro precisarmos (Deus nos livre).. o arrependimento que teremos.. mesmo sendo apenas uma possibilidade de cura..

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