Fonte desconhecida, se alguém souber me diga please.

É engraçado como nós mães sempre temos aquele fio de esperança de que os nossos filhos serão diferentes e jamais serão mal criados. Não sei daonde tiramos este pensamento otimista, mas acho que ele contribui para a nossa sanidade mental.

A Bella, aquela prematurinha de 800 gramas, aquele anjinho comportado, mostrou suas garrinhas esta semana. “Terríveis dois” no melhor estilo!

Para as meninas que estão grávidas do seu primeiro filho ou mães de bebês pequenos, e que ainda não conhecem esta fase “gostosa” da vida do bebê,  aqui vai uma lista dos sinais que uma criança apresenta quando chega nesta agradável etapa de sua vida (sentiram a ironia?):

  • Aprende a dizer não, e o não é a palavra com a melhor e mais elaborada entonação de voz do seu vocabulário.
  • O não é acompanhado de um olhar assustador, aquele que antecede coisas piores.
  • Gritaria à plenos pulmões.
  • Frustração em níveis jamais atingidos até então.
  • Choradeira doida.
  • Se recusa a dormir.
  • Se recusa a comer.
  • Se recusa a fazer qualquer coisa que você peça.

E o melhor de tudo, o que leva as mães às rais da demência:

  • Se atira para atrás.
  • Se joga no chão.

Juro que na segunda-feira passada jamais pensei que estaria escrevendo sobre isso hoje, mas como tudo o que é assustador na vida, os terríveis dois chegaram de rompante por aqui. Agora só me resta pesquisar a respeito e lidar com este comportamento normal na vida de qualquer criança na faixa dos dois anos.

Tenho muitas amigas com filhos nesta idade e posso dizer que todas estão vivendo a fase dos terríveis dois junto comigo, portanto neste aspecto, não me sinto sozinha nesta luta.

Como alguns de vocês sabem, estou cursando a faculdade de Educação Infantil no Canadá, tendo inclusive já trabalhado com uma turminha de 12 crianças de 2 anos (sim, você leu certo). Por incrível que pareça, não lembro de nem um dia em que eu tenha me desesperado com os terríveis dois dos filhos dos outros. Eu conversava com cada criança calmamente e logo a situação estava sob controle, e olha que eram 12 Bellas em uma sala. Daí me pergunto? Por que eu me desespero com os terríveis dois da minha filha, sendo que ela é uma criança ao invés de doze? Teoricamente deveria ser muito mais fácil.

Quando se cuida de uma turminha da pesada como esta, você é neutro para educar as crianças com um certo distanciamento, você sabe o que tem que fazer, qual a maneira correta de agir, mas sabe que nas suas casas, existem os dois responsáveis por esta pessoinha, portanto o seu trabalho se extende até ali, quando que na sua casa, com o seu próprio filho, você é o mentor principal do seu bebê, e o que você fizer determinará quem ele será amanhã.

Ponho a minha mão no fogo como a Super Nanny não tem a frieza de tratar os seus filhos da maneira como educa na televisão, é diferente você educar o seu próprio filho, o coração de manteiga de uma mãe sempre interfere na maneira como colocamos a teoria em prática.

Aqui vão algumas dicas interessantes que descobri na minha pesquisa. Dicas que explicam o x da questão no quesito terríveis dois:

  • Quanto mais rígida e mandona a mãe, mais “terrível” será o seu filho.

Faz sentido se pensarmos que a criaça de 2 anos está à recém aprendendo a se virar sozinha, a caminhar, a comer  de colher, a dizer o que sente e o que precisa, e eu vejo que as palavras que eu mais uso com a Bella são: não, cuidado, não pode, vai se machucar, etc.

Nunca tinha pensado nisso até iniciar a minha pesquisa. A criança está iniciando o processo de se tornar um ser independente, e quanto mais mandona for a mãe, mais ela sentirá que precisa desafiar esta figura.

Não vou deixar de ser rígida e disciplinadora (no bom sentido) com a Bella, porém vou cuidar o que falo, para não fazer com que 80% do meu vocabulário com ela seja negativo e chato.

  • Na hora de educar, não desista.

Quantas vezes dizemos que “não, você não vai comer doce antes do almoço” e de repente um ataque dos terríveis dois acontece e lá está você oferecendo um biscoito para acalmar a fera? Cada vez que você fizer algo do genero, você estará enviando uma mensagem oposta ao seu filho. Seja firme nas suas decisões: nada de biscoito antes do almoço, nada de dormir depois das 9, e por aí vai. Não desista.

  • Seja educado, sempre!

 Uma das coisas que aprendi quando trabalhei com crianças pequenas é que elas reagem melhor a um pedido educado. Peça por favor, fale obrigado, ensine o seu filho que boas maneiras o levará muito mais longe do que cara amarrada e mal criação. Isso é uma lição que aprendi na marra aqui no Canadá. No Brasil somos educados, mas os por favores e obrigados não são ditos com tanta frequência como aqui no Canadá. Pode soar bobo, mas qualquer pedido chato soa melhor quando vem depois de um simples por favor. E isso vale para os pequenos também.

  •  Na hora do “ataque”, ignore.

A maioria dos artigos que li a respeito falam em ignorar os “tantrums”. Em inglês, chamamos de tantrums o momento em que a criança grita, chora, se joga para trás e se atira no chão, ou seja, o ápice do comportamento típico dos terríveis dois. Se a criança sentir que os pais fazem de tudo para evitar os ataques, mostrando receio de lidar com eles, e muitas vezes acabam deixando a criança fazer o que quer para que a gritaria páre, ela seguirá com este péssimo comportamento.

A dica dos especialistas diz que a melhor tática é enfrentar a fera e não desistir. Não afague aquela cabecinha linda, não dê beijinhos e abraços, não use palavras melosas para encobrir o mal comportamento. Olhe nos olhos da criança e diga que você entende que ela esteja aborrecida, porém você só lidará com o problema (seja lá o que ele for, provavelmente o maldito doce antes do almoço) depois que ela se refazer e se acalmar. 

  • E se o terrível comportamento acontecer na rua?

Esta dica é a mais simples e acredito que a mais prática de todas. Vocês não sentem que o mal comportamento acontece mais na rua? No shopping? No restaurante? Especialistas aconselham os pais a pegarem a criança no colo (no meio da choradeira, gritaria e atiração para trás) e a levarem a um lugar mais calmo onde as duas poderão sentar e esperar o ataque de brabeza acabar. Lidar com este tipo de comportamento em lugares públicos só atrai olhares curiosos e deixam os pais ainda mais nervosos, o que nunca é bom.

Deixe para que as conversas disciplinadoras e os “time outs” (ensinados pela Super Nanny, onde ela deixa a criança de castigo sentadinha por 1 minuto para cada ano da sua idade) para o aconchego do seu lar.

  • Seu filho não tem ataques de brabeza de propósito

A psicologia infantil é muito esperta, e nos faz lembrar de coisas banais que geralmente esquecemos quando lidamos com crianças. Elas não tem a “maldade” de um adulto de fingir um comportamento, seja ele bom ou ruim. Se o seu filho está no auge da brabeza, choradeira e gritaria, ele não consegue evitar tal comportamento, virá de você o pensamento racional para lidar com o problema.

Uma criança de 2 anos não sabe falar direito, não entende o que sente e somente sabe que algo o está aborrecendo. Não pense que o seu pequeno está fazendo drama, o drama vem da sua inaptidão em lidar com seus sentimentos e frustrações, algo normalíssimo nesta idade.

Bom, depois desta pequena pesquisa, acho que me sinto mais segura para lidar com o próximo ataque de brabeza da minha filha. Vou contar até dez, ou até cem se a situação for preta, e vou lembrar que como tudo na vida….esta fase passará!

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