Como vocês sabem eu moro no Canadá, portanto minha vida se resume a uma mistura da cultura brasileira com a canadense, e isso também vale para a culinária. Cozinho muita comida brasileira em casa, faço questão de que a Bella cresça comendo arroz, feijão e “guisadinho”, e embora ela faça isso neste momento, a introdução às comidinhas sólidas foi feita do modo canadense.

Aqui não vemos bebezinhos comendo sopa, bebê aqui come papinhas separadas, para provar cada alimento fiel ao seu sabor natural.

A melhor dica que recebi de um dos médicos da Bella foi:

  • Dar alimentos salgados antes dos doces, ou seja, todos os legumes e verduras antes de iniciar as frutas.

Na época até dei risada do comentário da médica: “Criança que come banana de cara não vai querer comer quiabo”, e ela tem toda razão. Um bebê introduzido a banana docinha jamais terá paladar para provar e gostar de legumes de sabor mais insosso como quiabo, abobrinha e aspargos.

Outra dica preciosa para esta mãe de primeira viagem aqui foi:

  • Não cozinhe os alimentos na água, e sim no vapor ou os asse no forno.
Uma vez munida destas dicas saí em busca de um livro de receitas que me ensinasse o básico, dentro desta filosofia que tinha acabado de aprender.
O meu favorito foi  “Cooking for Baby” da Williams Sonoma. Ele é dividido por idade, ou seja, apresenta receitas apropriadas para cada fase do bebê:
  • 6 meses: Introdução dos primeiros legumes (batata doce, moranga, ervilha,abobrinha – os mais fáceis de digerir).
  • 7 à 8 meses: Introdução de outros legumes, frutas e carnes, agora com a adição de alguns temperinhos.
  • 9 à 11 meses: Introdução de novas texturas e alimentos mais bem elaborados.
  • 12 à 18 meses: Introdução de refeições de verdade.

 Este livro mudou o modo como eu imaginava ser o universo culinário do bebê, imaginar alguém tão pequeninho comendo comidas elaboradas como curry, tofu e cuz cuz aromático me deixou de boca aberta. Nunca tinha ouvido falar deste outro método de papinhas no Brasil, então fiquei bem entusiasmada para comecar a cozinhar para a Bella.

O primeiro passo foi comprar um eletrodoméstico para cozinhar no vapor.
Optei por este que cozinha em 3 andares, muito prático para fazer 3 papinhas de uma vez só.

Alguns legumes eu asso no forno, como moranga, abóbora e batata doce. Conserva melhor os nutrientes e o sabor é mais gostoso.

A idéia central do método de fazer papinhas no Canadá é servir os alimentos separados para a criança, ou seja, não todos misturados dentro de uma sopa. A sopa, embora muito gostosa, não permite que o bebê sinta o sabor dos alimentos individualmente, o que na minha modesta opinião, colabora para a criação da famosa criança chata para comer. Quem passa um ano das suas vidas comendo sopa, dificilmente vai gostar de espinafre, beterraba e nabo.

Aqui é um prato comum na vida na Bella, desde os tempos de bebê até agora:

Sempre procuro montar os pratos dela com os 3 grupos alimentares:

  • Alimentos energéticos
  • Alimentos construtores
  • Alimentos reguladores

Como a Bella foi tão prematura e passou tanto tempo com respirador e sonda na boquinha, ela tinha no início uma pequena dificuldade em aceitar certas texturas, então embora digam que não é aconselhado bater alimentos no liquidificador para bebês, eu o fazia para ela aceitar comer e não engasgar. Mas perto dos 12 meses ela já começou a tolerar comidas esmagadas com o garfo e logo passou para o arroz inteiro, cuz cuz e outras texturas mais pedaçudas.

Como eu sempre procurei otimizar o meu tempo na cozinha, na época eu fazia várias papinhas de uma vez só e as congelava em saquinhos individuais.

Da forma de papinhas:

Forminha da Williams Sonoma

Para os saquinhos ziplock:

Este método permitiu que a Bella provasse e aprendesse a gostar de uma maior variedade de alimentos. Hoje ela come de tudo e, claro, já tem as suas comidinhas favoritas, mas vejo que o paladar dela é mais variado do que de uma criança criada à base de sopinha.

Fica a dica para mamães de primeira viagem que estarão entrando no mundo das papinhas logo logo.

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