Fazia tempo que não lia uma daquelas reportagens boas de verdade, que fazem você parar e refletir sobre o futuro desta geração que estamos criando.
A revista Time está com um artigo fantástico sobre a "Geração me me me".
A reportagem me deixou com aquela dorzinha de estômago típica de quem sentiu o chapéu servir, em muitos aspectos.
Vamos as minhas observações:
A revista aponta os nascidos entre 1980 e 2000 como narcisistas, preguiçosos, alienados e "gente boa", no sentido pejorativo da coisa. Lógico que sabemos que é uma generalização, mas me diga se você conhece muita gente assim, do seu círculo de amizades?
Eu culpo o Steve Jobs por isso, pois desde que o smartphone foi criado, todos nós viramos narcisistas de uma maneira ou outra. Bota a mão aqui quem já virou o ângulo da cãmera para bater uma foto sua e depois de 17353 fotos iguais você finalmente optou pela mais bonita para colocar no seu Instagram, Facebook ou blog. Diacho, viu? É a pura verdade.
É um tal de vejam a minha roupa linda, as minhas unhas lindas, a minha casa linda, a comida linda do restaurante que eu frequento, se formos parar e pensar é ridículo demais, mas todos nós fazemos isso e como todos fazem, nem nos damos conta e achamos tudo normal.
Eu também faço isso, o chapéu fica lindo em mim!
Sem medo de admitir as nossas faltas, não é mesmo?
Não acredito que exista voltar no tempo e não usar mais a tecnologia que temos disponível hoje, seguiremos narcisistas, mas podemos, quem sabe, nos dar conta disso e tentarmos cortar um pouco este impulso.
A revista conta que em meados dos anos 90 80% das pessoas queria ter um cargo de responsabilidade, mas ninguém queria começar de baixo para chegar lá. Acho uma graça quando todos querem ser gerentes mas ninguém quer começar devagarinho, aprendendo, engolindo sapo e trabalhando pesados em empregos menos glamourosos.
Quando cheguei no Canadá trabalhei como professora de escolinha ganhando NADA, fiquei neste emprego por 2 anos, depois trabalhei 4 anos em uma empresa de contabilidade e por 2 destes 4 anos eu trabalhei arquivando documentos....de pé o dia todo, sozinha em uma sala meio escura arquivando documentos e cheia de cortes de papéis nos dedos. Dureza. Chato ao cubo, de 100 funcionários da empresa, eu tinha o cargo mais chulé, com o perdão da palavra, até a secretária tinha mais glamour do que eu, mas vamos lá, eu era imigrante recém chegadano país e não tinha moral alguma para exigir outro trabalho. Tive que engolir o orgulho e trabalhar numa coisa chata, que pagava pouco, pois senão eu não subiria de posição nunca na vida.
Acho hilário ver imigrantes (brasileiros ou não) que se mudam para outro país e ficam chorando que não conseguem emprego, tem emprego para dar e vender, mas você não será gerente meu amigo, terá que arregaçar as mangas e trabalhar como todo mundo faz.
A nossa geração espera as coisas cairem do céu, de pára-quedas, quando sabemos que nada caiu do céu, se você não acordar cedo e for trabalhar, nada acontecerá para você.
A preguiça é ára estudar, para levantar cedo e trabalhar, somos uma geração bem preguiçosa mesmo, uma pena que seja assim.
Achei bem interessante este ponto da revista, antigamente as pessoas se dividiam em 50% otimistas e 50% pessimistas, mas hoje o que vemos publicado na internet é 90% de otimismo. A revista aponta a personalidade #deboa para explicar que ao menos, apesar dos outros defeitos, a geração me me me é mais liberal quanto as diferenças e a minoria.
Ahhhh isso eu não sou. Eu sou 100% atualizada em tudo! Eu leio diariamente as notícias brasileiras, canadenses e a americana também, como moramos aqui do lado sei que ela nos afeta bastante. Sei de tudo o que acontece, nem que seja superficialmente. Sei os tópicos sobre política e economia (embora as vezes não entenda direito, mas tô por dentro), me interesso pelas descobertas científicas, pois é um assunto que o Bryan gosta e discutimos seguidamente, adoro a parte de cultura e estou sempre por dentro dos lançamentos de livros e filmes.
Eu confesso que tenho birra de gente que diz: "Eu não leio notícia pois só tem coisa ruim."
Há controvérsias. Se me deparo com tragédia demais no jornal, é opção minha pular aquela matéria ou não, mas simplesmente deixar de ler um jornal por dia por causa de tragédia não é desculpa. Você estará deixando de se informar sobre o restante dos 90% das matérias.
E outra, gente que não lê não tem papo, sabemos disso, a pior coisa é tentar conversar com alguém que não sabe nada, não está por dentro de nada, fica a sensação de ter que ficar procurando assunto para falar, pois qualquer coisa que se aborde o assunto morre em 20 segundos.
Fica a dica.
Eu sou muito ansiosa e estressada. Fato. Só muita terapia para mudar este meu comportamento.Esta ansiedade toda é reflexo da correria atual. Reclamam que somos preguiçosos e alienados, mas para não ser você tem que se virar nos 30 para dar conta de casa, filho, trabalho e leitura de 3 jornais por dia...hahahaha.
A revista define assim a " geração me, me, me" ou "Millenium" como chamam:
- Otimistas
- Abraçam o sistema
- Mais pragmáticos, menos sonhadores
- Vivem em um mundo sem grandes líderes políticos
- Obsecados por celebridades
- Acreditam em Deus, mas não são ligados a idéia de religião
- Sofrem de maneira aguda a não estarem atualizados (mas não quanto as notícias reais, e sim as do Facebook e Instagram)
- São bem informados, mas escolhem ser inativos
- Amam seus Smartphones
CONCLUSÃO DA RITINHA AQUI
Eu já sou burra velha para mudar na minha essência, posso aparar uns comportamentos duvidosos aqui e ali, mas a minha missão é não permitir que a Bella cresca com este pensamento "me me me" desde cedo na vida. Se isso acontecer daqui 15 anos, ok, é mais difícil controlar um filho na adolescência, mas quero ensinar a minha filha HOJE a ser um ser humano informado mas dentro de um limite aceitável.
- Ensiná-la a usar a tecnologia, mas não ser dependente dela (menos Ipad, mais brincadeiras)
- Não encorajar ela ser vaidosa....ela é naturalmente, mas eu não quero encorajá-la
- Ensiná-la a não ser preguiçosa
- Ensiná-la a fazer algumas tarefinhas em casa para fazer parte da família que contribui ativamente no funcionamento da casa.
Já comecei a ensiná-la a me ajudar a botar as roupas na máquina, ela tem que juntar os brinquedos que joja pelo chão (na nossa casa não existe brinquedos pelos chão, tudo é guardado e organizado) e ontem me dei conta que o meu projeto de gente não levava a sua lancheira para a escola, agora é tarefa dela carregar a sua lancheira. Devagarinho vamos adicionando mais tarefas na listinha da Bella.
E aí, meninas?
O que acharam desta matéria?
Como podemos lutar contra isso ou ajudar nossos filhos pequenos a crescer mais voltados ao nós e não tanto ao me?